02/06/16

Homínimo


Homínimo

homino-taurus não sabe de ariadne
não sabe da teia, 
da trama que fia e tece 
fia e oculta a linha 
do caminho e se esconde 
se esconde e alinha ao que de antes 
e só parenta opção, pois cerceia 
cerca, cega, confunde e labirinta. 

e note... anote: 
a dança, a da aranha 
e a da espada, arranha um: 
(ser ou não-ser). - natura um - 
um serzinho são - (ou não).

à (luz) sã... que a vida flua então
à superação dos obstáculos: - ante 
a linha que te arqueia, que te verga 
une mata fomes e uma sede uma sede
ungindo cabíveis, traçando comíveis. ah... 

tantos mortais, tantos normais, tantos... 
tortos, tontos, rodopiam, giram tantãs giras
e gemem, gema, gema então peste, trema
ranja, ruge e vê se tinge logo esse rajado 
tigre das unhas. 

A "ratio" -

na teia, quebra, quebra ela 
quebre a linha, quebre a rinha 
quebre a cara, ceda à opção 
mesmo que labirinte e espanca
mesmo que esconda na escolha 
e que flua a vida, mesmo 
que redundando umas...
talvez duas 
três quatro 
cinco 
- ou - 
seis

tal
vez
até
sete

sim, sete;
sete é bom; 

é 
bem 
sensível 
sim ate em
sete, ávido. 

Verga-Verso a Memo In-Versa

Verga-Verso a Memo In-Versa 

Memo - Amnésica - ria ensandecida - empsiquisa ... 
Mnemosina in-versa, amnésica perfila, argola em pane 
não formula, não pergunta, não sabe, perde a seqüência 
e ejeta-se do acúmulo de planos, regurgita projetando 
deidades à revelia da mão esquerda e a torta e a direita 
falecem a mídia-míngua - e no humano - esse homínimo. 

O in-sistir cabe a humanidade - que vacila.  

É melhor mesmo que não haja, que não
ex-sistam deus, demos, deuses e deusas.  

Parede grafitada, menino-moleque arteiro não sigla, não pi(x)a
picha? Falácia. Hoje mesmo vi - ‘Uma’ no dedo indicador
de Deus e Adão de Michelangelo no grafite do Kobra. 

E agora-agora, veja o que me veio: êta moça bonita!
(toda moderninha) se achega ao ver do qu’eu-lia, brilh´olhos
e lê, recita o qu´eu (d)’assim, das lâminas - as órficas, lia:  

dai-me depressa, pois, essa água fresca que deriva 
do “Lago da Memória” - eu sou filho da Terra e do Estrelado 
Céu - minha origem contudo é o Céu (apenas) e disso vós sabeis. 
Olhai porém: seca-me a sede, estou a sucumbir.  

Aponta e diz - a boca pequena - bocca chiusa - indicador em riste
in-chiste e me indica - superior conduz o olhar - três se voltam
volvem quase em si mesmo não percebidos, polegar ascende
pousa em médio e do dedo em seta (re)vejo o inscrito e em relevo
o escrito - Arque-inscrito - atino e levo a desperto o digo - o visto: 

{ “Atinus Cristo” } - me disse: 
 - procure saber sobr´ele... 
 - procure o ver-dito dele...  

Ah! ... Essa moça... essa moça... uma gracinha essa moça...
Todo metido, mergulhado em me exibir a ela -bobeira...
a sua frente, precipites, todo afins de que propicia me receba.  

e destes múltiplos, os acúmulos, cúmulos de ‘memo’ - íncubos
furtam e in-versam, súcubos distendendo musas argolam feito
mulas de Maya - formigas emergindo ‘dali’ das púbis, aninhando-se
como se disso pudesse brotar algum ‘salvador’ - nanica em orbe
de campos dito mórficos, astralismos desvitalizantes com ares
(hades) de alcance planetário, globalizantes, vergalhões de ferro
idade sombria, senhores e senhoras trevosos apezinham e vergam
o verso - a-versa - e hoje os mesmos ‘memos’ de prós e pó incoam:
- ‘obdormisco’ em sonhos... os sonhos... os sonhos... vastos...  

Minha criança chora inconsolável; saudade de vovô. Encontrando-o
(sonhando), diz ouvir dele: Não fique triste, não chore assim meu amor
estou bem agora (morto) - aqui no sonho fala: - Nunca... nunca antes
fui tão feliz em minha “Vida” - Tão belo e luminoso é aqui onde estou.  

afinado aos mesmos - e a outros - de “memo” - em eco - vivem por
rastros indícios e jactâncias afins, fatigante, egrégoras ejetam giras
giros a pseudos - deuses, deusas, demos e demais deidades, gerando
planos astrais, plataformas propicias de manipulação a mídia-extrema
mídia-gema - e nada clara, mídia-ex-terna a martelar e martelar
recortando (re)talham ao traduzir e por recordos incutidos
arrebanham, abduzindo, colhendo adeptos que recolhem-se 
zumbizados - minguam - e por azar ou sorte - ambos.  

Encolhida e amnésica nossa base akasha inflama
aquece, enceta - acerte ou erre - fricciona e roça
e coça, ponteia e perfilam: e a mensagem:  

- Pandora rina, doura, ancora risonha.  

- Revela e ela: tessituras de veritas, registros de percursos.
- Resvala e ele: divas, dúvidas e dívidas - halo -  dada nossa... 

Fra-gi-li-da-de... 
Fra-gi-li-da-de... 

levo a desperto ... 

( ? ) 

(...) ó tu pura Rainha dos que estão abaixo (...) 
e demais deuses e demos: (sosseguem) 
(deixem-nos em paz) - tenha sido o Destino 
a me (nos) abater ou tenham sido os Deuses
imortais 
ou com o raio lançado pelos astros. 

Transpus a triste e fatigante roda com passos rápidos
me encaminhei 
para a Coroa desejada e agora chego
como suplicante 
a fim de que - propícia - me receba. 

- e acorda (...)  

Acordes em cadência de contínuo renovo
- e de novo - novo e de novo: 

- afeto - ovo - fato - tato - feto - vida - busca - memória
- esquecimento - sonho - dádiva - planos de vôo - livro.  

- vulnerável e frágil não cessa...  

e como d´antes ... erre ou acerte - guia ... guie ...
aceita ou rejeite e se inscribe: 

- Incipit Vita Nova. 

e então: poder lê-lo - lê-la inteira
em suas já não mais obscuras leis mas:
em suas - Livras... Liberta... - 
Liberto...  

Até que nascer ou morrer
já não mais nos assuste
já não mais nos incomode
já não mais nos im-porte.
 


W. A. Rossatto 


LÂMINA DE PETÉLIA 

A esquerda encontrarás da casa de Hades 
uma fonte e a seu lado alvo cipreste. 
Não te aproximes dessa, que outra fonte 
acharás junto ao lago da Memória, 
de água corrente e fresca, e diante dela 
postar-se-ão Guardiães.  

Dizei: "Eu sou filho da Terra 
e do Estrelado Céu. 
Minha origem, contudo, é o Céu (apenas) 
e disso vós sabeis. Olhai, porém: 
seca-me a sede e estou a sucumbir.  

Dai-me depressa, pois, essa água fresca 
que deriva do lago da Memória" .  

E dar-te-ão a beber da Fonte santa, 
e depois disso tu serás senhor 
entre os demais Heróis. 
pg. 149 

LÂMINAS DE COMPAGNO (THURIUM) 

Dos puros eu procedo, 
ó tu, pura Rainha dos que estão abaixo; 
ó Eucles e Eubuleu; ó demais Deuses 
e Demônios: pois eu também confesso 
que sou de vossa raça abençoada. 

Cumpri a pena das ações injustas, 
tenha sido o Destino a me abater 
ou tenham sido os Deuses Imortais 
ou . . . . . . . com o raio lançado pelos astros.

Transpus a triste e fatigante Roda, 
com passos rápidos me encaminhei 
para a Coroa desejada, 
e caí sob o seio de Despoina, 
Rainha dos Infernos; 
com passos rápidos me encaminhei 
para a Coroa desejada, 
e agora chego, como suplicante, 
junto a Perséfone, a sagrada, 
a fim de que, propícia, me receba 
na paragem dos Bem-aventurados. 
pg. 150 

do Livro – ‘Poesia Grega e Latina de Péricles Eugênio da Silva Ramos


Vê o vento cortando - J. Mateus

José Mateus

Poemas de José Mateus

Capetalismos



                                                                                                                                       wilson rossatto

Perfil


                                                                                             wilson rossatto

Ache o nó da nódoa sem-hora - Hora-Ação a Mater-Mundi

Ache o nó da nódoa sem-hora
Hora-Ação a Mater-Mundi


Ó Grande Mãe, que em ti nos envolve e sus-
tem em porção, que aqui nos vincula, 
em-ti-fica, alenta e causa a trina flor da vida.

Ó Mater, a que nos agarramos e partidos 
alquebrados nos mantemos ligados, 
e rompendo de semente em semente, brotamos e crescemos 
e crescemos e pulsamos e pulsamos...

Ó àvida-Matriz, que nos gera, atomiza e afeta: 
nutrindo e entre-tendo, afeitos e ilusos 
nossos seres, com seus elos, seus anelos, 
(d´eus), de outros e eu, e eu, e eus... e, 
seus viços, seus ser-viços, viçosos, 
ser-viçosos... com suas benesses, 
seus prazeres, seus deleites, suas esquivas 
e suplícios; seus desejos, gostos, des-gostos;
com quereres, com perfumes,
 seus aromas 
e sentidos, seus sofreres...
tanta dor, tantos riscos, por um triz, os testes em rés, 
risos ... suas conversas e versas, 
e os meus, os seus versos, os re-versos, 
seus contatos, tatos, seus indícios; 
com seu cato, captos, seus toques... 
suas teias e tateias... e tateias e tateiam...
sempre e sempre - dualidades e contrastes...

Ó Natura, que nos aquece, humana nossas partes, 
apazigua, refrigera nossas almas, 
pega leve nos efeitos, seus apuros; 
já os nossos feitos, os teus, a saberes, 
seus, os sabores. 
Apura ó mãezinha, qualifica nossas buscas,
nossos encontros, seus opostos - alimento.

Ó Terra, re-junta, re-une nova
mente teus filhos, porque mentem 
os corações, teus frutos; conjunta-nos a todos, 
a todos os que em ti, esquecidos se lançam 
nas intermináveis espirais de seus ciclos 
e contidos neles que estão, a ti regressam, 
habituados que estão em estar contido... 
re-voltando e re-volvendo em ti,ocupados 
sempre com a peleja que experimentam 
do girar constante que tua roda dá. 

e... Arre... 

Exaustos, turbados , detêm em entregar-se 
absortos e distraídos a sugar de suas tetas 
o leite que verte da sagrada flor de teus seios... 
sem nada de-volver.

* * *

Cessa agora, ó Mãe os teus extremos,
cessa teus conflitos, teus temores...

e ela diz... / ... e digo:

Ó Uma, com-sorte d´aquele que sem um início, 
deu-se, num lume intenso, 
que num imenso se presenta, um presente, 
em tempo justo e a tempo nos dará, 
que em lugar adequado se fará, 
num toque terno virá a dar-se, 
com carinho imenso a Ela 
pulsa e pulsar e assim pulsando, manso, 
leve... muito leve... quente.

E este coração que agora dispara, 
sem as costumeiras armadilhas do apossar-se,
(essas coisas nossas,
 nunca foram de alguém),
nada meu, nada seu,
 
tudo sempre foi, ié - (é?)

Iss(ç)o-Tudo é o que podemos ter de realmente verdadeiro aqui. 

Presença-Presente, 
des-velar, véu a véu, com ou mesmo 
sem nenhuma coragem 
vir-ver e assim nasce e nasce e renasce 
e renascida, sempre se apresenta 
- com seus mistérios, seus ciclos 
e em porção necessária, anima, nutre e aquece, refrigera,
nos causa elos ... 
para talvez, com Amor somar.

então, e só então: poder lê-lo, lê-la inteira, 
já não mais em suas obscuras leis, mas: 
em suas "Livras"... Liberta, Liberto.

Até que nascer ou morrer, 
não mais nos assuste,
não mais incomode, 
já não mais nos im-porte.


wilson rossatto

... para minha Bibi 

16/01/12

POEMAS




O que procuras no tapete
verde que não tenha sido limpo?
Estirado como uma flecha, uma cruz,

dormes sem conforto, um peixe
dentro da baleia do corredor,
a espirrar espuma, a respirar

para todos os lados da carne.
O que pretendes me dizer?
Cuidado, filho, o chão alucina.

Meu filho, fala alto,
meu ouvido está no fim,
já não escuto a minha infância,

já não sei pensar com os símbolos,
as metáforas e os sinais.
Alguns amadurecem, a maioria cansa.




FABRÍCIO CARPINEJAR
Do livro "Meu Filho, Minha Filha" (Bertrand Brasil, 2007)


Navego (?)

Navegar - Crê!? - Crer. 

Creia, n´alguma não remota,
um sem-distância, algo em que em uma
não absurda lonjura, faz-se em face ao finito
de anima; e então, cognita,
permita somar-se ao toque.

Os sentidos, mover, levemente penetrar,
lira, clareira, cachoeira vertendo humores;
fragrância a clarear o turvo da vontade
de poder cantares nesta mina. o sonho.

Inspirando-expirar; expiar e espiar no gozo, e de
dentro olhares, a mnemo despir-se; lá,
onde tudo é silencio; que aqui inexiste! aí...

Liquidado os planos, do outro conceber os possíveis,
os do mesmo, desvelando os segredos esquecidos do navego.

sob tal desígnio - maldição e benção - benção e maldição,
prisão? - não - lugar - não, não há lugar assim
que em vago rumor ressoe aos remos dos sentidos.

Iluso, nú-vago e verbo In-corpóreo barco. 

odinha de re(s)cinto (vestindo o céu)


de pequeno, vivia
de olhar de cima
e de lá, é q havia.

e via, um elo, um alo, branquinha, 
uma ave no céu, arqueada, 
mesmo q de tempo longe 
tão perto, pertinha, q fingia susto 
e ela... ela vinha, vinha
aos poucos ela vinha. 

expiação imensa.

daqui... pequena...
é só um buraco branco
que aparece de sei lá onde.

e me dizia: 

veste o céu menino e vê se avoa, 
e eu tentava, tentava, depois, frustrado, 
via que por mais qu´eu ajustasse,
não cabia.

já hoje tô pequeno,
e de vontade, na verdade, 
voluntariamente me miúdo 
e assim, num jeito bato o olho
e imenso, e de tão grande... um sem tamanho,

aí miro naquilo em que me h´avia,
e vejo...
bem mais agora,
e assim re-vejo,
brinco, palavreio e reencarno, 
encaro... e o que de antes...
bem mais agora, é que me-
valia. 






Herberto Helder

Sobre um Poema

Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras,
ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue
pelos canais do ser.

Fora existe o mundo. Fora,
a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.

Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor, rios,
a grande paz exterior das coisas,
folhas dormindo o silêncio,
a hora teatral da posse.
E o poema cresce
tomando tudo em seu regaço.

E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as casas deitadas nas noites
e as luzes e as trevas em volta da mesa
e a força sustida das coisas,
e a redonda e livre harmonia do mundo.

Em baixo
o instrumento perplexo
ignora a espinha do mistério.

E o poema
faz-se contra o tempo
e a carne.
Herberto Helder...

Hora-Ação a Sem-Hora Mater-Mundi

Ó Grande Mãe, que em ti nos envolve e sus-
tem em porção, que aqui nos vincula, em-ti-fica,
alenta e nos causa a trina flor da vida.

Ó Mater, a que nos agarramos em par-
tidos, alquebrados, nos mantemos ligados,
e em que rompemos de semente em semente
e brotamos e crescemos
e pulsamos e pulsamos. 

e pulsamos...

Ó àvida-Matriz, que nos gera, atomiza e afeta:
nutrindo e entre-tendo, afeitos e ilusos nossos seres,
com seus elos, seus anelos, (d´eus), de outros e eu, eu, eus...
e, seus viços, seus ser-viços, viçosos, ser-viçosos...
com suas benesses, seus prazeres, deleites, esquivas
e suplícios;seus desejos, gostos, des-gostos;
com quereres, perfumes, seus aromas e sentidos,

com sofreres...

tanta dor, tantos riscos, triz, testes, rés, risos...
suas conversas, versas, meus, seus versos, e re-versos,
seus contatos, tatos, seus indícios; com seu cato, captos,
seus toques ... e tateias... e tateios e tateios...
sempre e sempre suas dualidades e contrastes...

Ó Mãe Natura, que aquece e humana nossas partes,
apazigua, refrigera nossas almas, seus efeitos, seus apuros.
Nossos feitos, teus, os saberes, seus, os sabores.
Apura ó mãezinha, qualifica nossas buscas,
nossos encontros, seus opostos, alimento.

Ó Terra-Mãe, re-junta, re-une nova
mente aos teus filhos, porque mentem os corações,
os teus frutos; conjunta-nos a todos, a todos os que em ti,
esquecidos se lançam nas intermináveis espirais de seus ciclos
e contidos neles, a ti regressam, habituados que estão em estar contido... 

re-voltando e re-volvendo em ti, 
ocupados sempre com a peleja que experimentam do girar
constante que tua roda dá. Arre... E exaustos,
turbados, detem em entregar-se absortos
e distraídos a sugar de suas tetas o leite que verte
da sagrada flor de teus seios...
sem nada de-volver.

* * *

Cessa agora, ó Mãe, os teus extremos,

Ó Mater cessa teus conflitos, teus temores...

Ela disse... / ... e digo:

Ó Uma, com-sorte d´aquele que sem um início, deu-se, e
uma luz suave se -presenta-, um presente, em tempo justo,
e a tempo dará em lugar adequado se fará
um toque terno virá a dar-se, com carinho,
um carinho imenso, intenso,
a Ela um pulsar meigo, leve, quente...

Um Cor-ação que agora dispara "delicadamente",
sem as costumeiras armadilhas do apossar-se,
(essas coisas nossas, nunca foram de alguém)
nada meu, nada seu, tudo sempre foi, ié nosso... (é?).
desde que se saiba de-volver, vibrações, raios, tom,
som e cores, de harmonias pós-conflitos, muitos,
por vezes, inevitáveis, dito de amores:
um coração dá-me, e das mãos, nas mãos,
contatam finalmente, emana na fala, no toque,
no olhar, sem ontem, sem hoje, sem amanhã...
e sei, incomoda, mas já, "em principio"
o cultivo gradual do eterno, num só lance,
num breve, num só peito, aqui, aí, inteiro,
no exato instante que a isto consentimo-nos.

Iss(ç)o-Tudo é o que podemos ter de realmente verdadeiro aqui. 

Presença-Presente, sem véus e talvez... quando finalmente
permitirmo-nos, com, ou mesmo sem coragem,
ao Encontro, "Real", aí possamos, então, abrigar ao ontem,
o hoje transformado-transformando o amanhã, que haverá
de desvelar-se, e aqui, revelar que a vida docemente renova-se...
renasce e renascida, terna se apresenta: com seus mistérios,
ciclos a e em porção necessária, nutrindo, animando e aquece,
refrigera, causa elos, por tempo almejados, 
e para então, com Amor... Somar.

e então, e só então: poder lê-lo, lê-la inteira,
em suas já não mais obscuras leis,
mas: em suas "Livras"... Liberta, Liberto.

* Até que nascer ou morrer,

não mais nos assuste,
não mais incomode, já
não mais nos im-porte.

08/10/11

O poema, o Poema ( ? ) -

Quintanares  - Trans´Mirando Mario
                                                                             
   - um poema como um gole d´água bebido no escuro. 
- o eco do poema desloca perfis. 
frags. de Mario Quintana - o poema o poema


o poema o poema (?)


a casa 

a casa do poema 
a morada 
a morada do poema 

o poema, o poema...

o poema o poema.

a água a água do poema 
a busca o susto o vasar 
o vaso o vago o quantum 
o quando o como o onde 
o capto a cata o solo. 

que solo?

o poema o quanto o quando 
o tempo em tempo, 
e só no tempo o poema  
e então, enquanto nele  
pisa e repisa, assola
passa em terra terra-terra 
e aterra o indício 
o inicio do poema
a semente o plantio 
a planta o cuido 
a flora a forra do poema.

diz-diz-se: luminoso instante. 

Luminoso? - 

A rega o bulbo
o bobo do poema 
que apega se pega 
pega-pega do poema

se gosta o gosto 
a pegada do poema 
a galga a vaga 
o vasto que o poema.

a flor, tão breve tão breve, 
o pólen o vindo 
o espalho do poema 
o fruto, que fruto? 
- fruitivo, degusta-se
ao sabor daquilo que não é,
tal nisso, nisto, e por isso, 
a saber - "o sabor do inútil".  

O colher o peço o expresso 
a mera o modo ígneo 
ou em mero e errante 
a pura incapacidade 
em conter, frear a língua 
que por muito com-dício-nada
que é, pousa em modos de sedução, 

luxuriooooosa...

vaidosa lindamente vazia 
e os vôos, tantos os voos
os sem rumo sem ar
com ares de requinte
e ainda assim, ainda assim 
voa e canta expressa e sofre 
e sofre os paraísos ou mesmo
purga em reino de tolo 
e timbra e turva o tom 
o som a rima, rima-rima
dês-rima lima arruma 
derruba rebela e trisca e ilha 
que mares sidera e narra,
faminto, descaminha, 
confundindo ainda mais 
o canto e ao canto 
num cantinho qualquer 
que seja, passa, passarão 
passou... e passarinha a carne
o cerne cor-pó-reidade 
que te encerra, es-fera 
em garras te encaram, 
contaminado, e cai, 
seduzido ao que não é, 
e queda

experimentar o já experimentado, 
espremendo-se ansioso e inquieto
ao mastigar o já mastigado 
apropriar-se indevidamente 
ao que não nos pertence
nem nunca pertenceu 
ou pertencerá e então 
o atrito o conflito o rugir o grito
o barulho o inútil o engano... 
e o grilo das noites... 

ah o grilo. 

Ouça... (?)

vem grita grita e grila 
grila, grila-grila, cricrila, 
rompe o grilhão que limita
e nina faz naninha a ave 
o galho e arvora o poema 
dorme dorme-dorme
o pássaro, em que quando, 
engaiolado poema e o poema 
o poema mesmo assim voa 
ou mesmo o quer voar, e avoa 
voa escapa daqui escapa e livra
o lugar dele e passa... e eles... 
bem... eles passarão... 

passa-passa... passou...

(?) dado ao ímpeto 
que o aprisiona e mora 
e fixa-se em tremendo burburinho,
pois então que passe, 
já que vive, passarinha 
mesmo que por breve, 
já que fora, par-além 
par-aquém o prende 
ou asa e a asa asa ou fere 
ou põe-se ferida à ofertada
liberação oportuna desta cela 
ferrosa forma fundida e pó 
e no pós gélida fria grade
conduzida a planos 
de esquecimento 
e desfrutes dos sentidos 
sentidos estes, incompletos, 
falhos e o poema exaspera 
o poema desespera e o vazio 
o vazio que por um tris 
num curso do que trisca 
o que por um tris 
o não do poema ao poema 
que cai, cai e vai indo assim 
mesmo, enchendo nossas
cabeças e corações de inutilidades,
blablarizando-nos em mais e mais 

breves instantes, e, “um gole d´água 
bebido no escuro". Que bebe? 
Que sorve? Palavras, palavra e lavras 
ditas mágicas, loa de vida e morte
e mais... mortes e o cativeiro 
que nos encerra... e o poema...
bem, ... o poema é o poema, 
o poema é que bebe que come 
e o que o come que o sorve, 
criativamente absorvendo, 
e de empréstimo, só aparentemente 
parece gerar sóis, luas, mundos... 
uni-versos e o sol o sol-vê no escuro,
asséptico, profilático, e no escuso
só de breve e ao longe pressente, 
presenta a saída a porta e aporta 
aos poucos, gradualmente esvai-se 
no tanto nos poucos do poema 
sem nele jamais estar. e então... 
em miséria ou rico o canto conchega 
vem residir e a casa do poema 
põe-se aberta, pardalinha.

a sina o sino mudo anuncia o fim 
de tanto-tanta especulação 
e o remo os remos os do poema, 
nos deixa ao abandono e dentre, 
adentro, o barco o dentro do barco... 

e o poema... 

o poema finalmente aporta... 

enreda, te enreda e enredado...
te abarca. 

14/04/11

Anjo

 
Ela e dorme feito anjo.
Sei, anjo não dorme, mas dormia.
E eu, tolo, acordado,
tento ainda acreditar que possa haver amor neste mundo.

Pouco importa se ainda há algo que nos liga ou ela...

Hasteamos a vela que nos verga em tal navego?
Nutre, supre, asceta, sequer afeta...
Dada a censuras, jugos e cor-duras...
Não centra os pontos que dá-se aos encontros.

Mas vê-la assim, num sono doce e de prováveis e profundos sonhos,
Até dá vontade de ser anjo.

Sobre-vivências nunca em vigília.
Caio neste repouso, e acordo mesclado na verdade crudelíssima deste ato.
Fico a deriva e sem vela preso em mar imenso.

Minh´alma pressente e sente,
amar é a coisa mais próxima do que conseguimos
estar no humano, que se faz premente existir.

Tornar-se senhor da existência,
vidente de ilusórias premissas
e escapar do giro de sua própria história,
Retóricas de inexistências, o abstrato, o imaginário. Ser.

Ser é opção. Opção consciente e voluntária.

Por que a divindade é criança
divertindo-se com um dos seus brinquedos preferidos.

E nós, nos perdemos em acusações, já tantãs.

Tentativas cercam o intento e prisioneiros do mudar o outro,
Sem a coragem e o ânimo ardente em transformarmo-nos

E assim perdemos o sonhado "encontro". "O Outro".

E assim vamos.
Assim vamos vivendo.
Nós queremos ser assim.
Todo o resto é passageiro...
E mesmo tudo que diz respeito a "ela".
Mesmo o resto - é - "BOM" pra mim.

Ser o que não fui pra mim,
Ser o que você foi e é...

*imagem utilizada:  minha filha Beatriz 

12/04/11

Luz&Sombra

Luz, já-luz
            e
            sombra. 

A côr, já-cor-
               pó, substância-Sê.
                                           
                     e pedra
                        dura. 

                        tanto bate
                                   quanto urra
                                                 já-duro. 

                        vinga, com ou sem ele; o animo
                                                           aninha e ela, evade.

o
prisma! já-vê(?): 
                   então
                   olho nela.  

                            peço...

                            lamparina mesmo ou nada, mesmo a ver, ao de-vir...
                                                                                               
 
por-luz ... e sombra

                                                                     papai vem... ?

                                                                         mamãe vem... ?

                                                                                                                   vem... ?