02/06/16

Ache o nó da nódoa sem-hora - Hora-Ação a Mater-Mundi

Ache o nó da nódoa sem-hora
Hora-Ação a Mater-Mundi


Ó Grande Mãe, que em ti nos envolve e sus-
tem em porção, que aqui nos vincula, 
em-ti-fica, alenta e causa a trina flor da vida.

Ó Mater, a que nos agarramos e partidos 
alquebrados nos mantemos ligados, 
e rompendo de semente em semente, brotamos e crescemos 
e crescemos e pulsamos e pulsamos...

Ó àvida-Matriz, que nos gera, atomiza e afeta: 
nutrindo e entre-tendo, afeitos e ilusos 
nossos seres, com seus elos, seus anelos, 
(d´eus), de outros e eu, e eu, e eus... e, 
seus viços, seus ser-viços, viçosos, 
ser-viçosos... com suas benesses, 
seus prazeres, seus deleites, suas esquivas 
e suplícios; seus desejos, gostos, des-gostos;
com quereres, com perfumes,
 seus aromas 
e sentidos, seus sofreres...
tanta dor, tantos riscos, por um triz, os testes em rés, 
risos ... suas conversas e versas, 
e os meus, os seus versos, os re-versos, 
seus contatos, tatos, seus indícios; 
com seu cato, captos, seus toques... 
suas teias e tateias... e tateias e tateiam...
sempre e sempre - dualidades e contrastes...

Ó Natura, que nos aquece, humana nossas partes, 
apazigua, refrigera nossas almas, 
pega leve nos efeitos, seus apuros; 
já os nossos feitos, os teus, a saberes, 
seus, os sabores. 
Apura ó mãezinha, qualifica nossas buscas,
nossos encontros, seus opostos - alimento.

Ó Terra, re-junta, re-une nova
mente teus filhos, porque mentem 
os corações, teus frutos; conjunta-nos a todos, 
a todos os que em ti, esquecidos se lançam 
nas intermináveis espirais de seus ciclos 
e contidos neles que estão, a ti regressam, 
habituados que estão em estar contido... 
re-voltando e re-volvendo em ti,ocupados 
sempre com a peleja que experimentam 
do girar constante que tua roda dá. 

e... Arre... 

Exaustos, turbados , detêm em entregar-se 
absortos e distraídos a sugar de suas tetas 
o leite que verte da sagrada flor de teus seios... 
sem nada de-volver.

* * *

Cessa agora, ó Mãe os teus extremos,
cessa teus conflitos, teus temores...

e ela diz... / ... e digo:

Ó Uma, com-sorte d´aquele que sem um início, 
deu-se, num lume intenso, 
que num imenso se presenta, um presente, 
em tempo justo e a tempo nos dará, 
que em lugar adequado se fará, 
num toque terno virá a dar-se, 
com carinho imenso a Ela 
pulsa e pulsar e assim pulsando, manso, 
leve... muito leve... quente.

E este coração que agora dispara, 
sem as costumeiras armadilhas do apossar-se,
(essas coisas nossas,
 nunca foram de alguém),
nada meu, nada seu,
 
tudo sempre foi, ié - (é?)

Iss(ç)o-Tudo é o que podemos ter de realmente verdadeiro aqui. 

Presença-Presente, 
des-velar, véu a véu, com ou mesmo 
sem nenhuma coragem 
vir-ver e assim nasce e nasce e renasce 
e renascida, sempre se apresenta 
- com seus mistérios, seus ciclos 
e em porção necessária, anima, nutre e aquece, refrigera,
nos causa elos ... 
para talvez, com Amor somar.

então, e só então: poder lê-lo, lê-la inteira, 
já não mais em suas obscuras leis, mas: 
em suas "Livras"... Liberta, Liberto.

Até que nascer ou morrer, 
não mais nos assuste,
não mais incomode, 
já não mais nos im-porte.


wilson rossatto

... para minha Bibi 

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