02/06/16

Verga-Verso a Memo In-Versa

Verga-Verso a Memo In-Versa 

Memo - Amnésica - ria ensandecida - empsiquisa ... 
Mnemosina in-versa, amnésica perfila, argola em pane 
não formula, não pergunta, não sabe, perde a seqüência 
e ejeta-se do acúmulo de planos, regurgita projetando 
deidades à revelia da mão esquerda e a torta e a direita 
falecem a mídia-míngua - e no humano - esse homínimo. 

O in-sistir cabe a humanidade - que vacila.  

É melhor mesmo que não haja, que não
ex-sistam deus, demos, deuses e deusas.  

Parede grafitada, menino-moleque arteiro não sigla, não pi(x)a
picha? Falácia. Hoje mesmo vi - ‘Uma’ no dedo indicador
de Deus e Adão de Michelangelo no grafite do Kobra. 

E agora-agora, veja o que me veio: êta moça bonita!
(toda moderninha) se achega ao ver do qu’eu-lia, brilh´olhos
e lê, recita o qu´eu (d)’assim, das lâminas - as órficas, lia:  

dai-me depressa, pois, essa água fresca que deriva 
do “Lago da Memória” - eu sou filho da Terra e do Estrelado 
Céu - minha origem contudo é o Céu (apenas) e disso vós sabeis. 
Olhai porém: seca-me a sede, estou a sucumbir.  

Aponta e diz - a boca pequena - bocca chiusa - indicador em riste
in-chiste e me indica - superior conduz o olhar - três se voltam
volvem quase em si mesmo não percebidos, polegar ascende
pousa em médio e do dedo em seta (re)vejo o inscrito e em relevo
o escrito - Arque-inscrito - atino e levo a desperto o digo - o visto: 

{ “Atinus Cristo” } - me disse: 
 - procure saber sobr´ele... 
 - procure o ver-dito dele...  

Ah! ... Essa moça... essa moça... uma gracinha essa moça...
Todo metido, mergulhado em me exibir a ela -bobeira...
a sua frente, precipites, todo afins de que propicia me receba.  

e destes múltiplos, os acúmulos, cúmulos de ‘memo’ - íncubos
furtam e in-versam, súcubos distendendo musas argolam feito
mulas de Maya - formigas emergindo ‘dali’ das púbis, aninhando-se
como se disso pudesse brotar algum ‘salvador’ - nanica em orbe
de campos dito mórficos, astralismos desvitalizantes com ares
(hades) de alcance planetário, globalizantes, vergalhões de ferro
idade sombria, senhores e senhoras trevosos apezinham e vergam
o verso - a-versa - e hoje os mesmos ‘memos’ de prós e pó incoam:
- ‘obdormisco’ em sonhos... os sonhos... os sonhos... vastos...  

Minha criança chora inconsolável; saudade de vovô. Encontrando-o
(sonhando), diz ouvir dele: Não fique triste, não chore assim meu amor
estou bem agora (morto) - aqui no sonho fala: - Nunca... nunca antes
fui tão feliz em minha “Vida” - Tão belo e luminoso é aqui onde estou.  

afinado aos mesmos - e a outros - de “memo” - em eco - vivem por
rastros indícios e jactâncias afins, fatigante, egrégoras ejetam giras
giros a pseudos - deuses, deusas, demos e demais deidades, gerando
planos astrais, plataformas propicias de manipulação a mídia-extrema
mídia-gema - e nada clara, mídia-ex-terna a martelar e martelar
recortando (re)talham ao traduzir e por recordos incutidos
arrebanham, abduzindo, colhendo adeptos que recolhem-se 
zumbizados - minguam - e por azar ou sorte - ambos.  

Encolhida e amnésica nossa base akasha inflama
aquece, enceta - acerte ou erre - fricciona e roça
e coça, ponteia e perfilam: e a mensagem:  

- Pandora rina, doura, ancora risonha.  

- Revela e ela: tessituras de veritas, registros de percursos.
- Resvala e ele: divas, dúvidas e dívidas - halo -  dada nossa... 

Fra-gi-li-da-de... 
Fra-gi-li-da-de... 

levo a desperto ... 

( ? ) 

(...) ó tu pura Rainha dos que estão abaixo (...) 
e demais deuses e demos: (sosseguem) 
(deixem-nos em paz) - tenha sido o Destino 
a me (nos) abater ou tenham sido os Deuses
imortais 
ou com o raio lançado pelos astros. 

Transpus a triste e fatigante roda com passos rápidos
me encaminhei 
para a Coroa desejada e agora chego
como suplicante 
a fim de que - propícia - me receba. 

- e acorda (...)  

Acordes em cadência de contínuo renovo
- e de novo - novo e de novo: 

- afeto - ovo - fato - tato - feto - vida - busca - memória
- esquecimento - sonho - dádiva - planos de vôo - livro.  

- vulnerável e frágil não cessa...  

e como d´antes ... erre ou acerte - guia ... guie ...
aceita ou rejeite e se inscribe: 

- Incipit Vita Nova. 

e então: poder lê-lo - lê-la inteira
em suas já não mais obscuras leis mas:
em suas - Livras... Liberta... - 
Liberto...  

Até que nascer ou morrer
já não mais nos assuste
já não mais nos incomode
já não mais nos im-porte.
 


W. A. Rossatto 


LÂMINA DE PETÉLIA 

A esquerda encontrarás da casa de Hades 
uma fonte e a seu lado alvo cipreste. 
Não te aproximes dessa, que outra fonte 
acharás junto ao lago da Memória, 
de água corrente e fresca, e diante dela 
postar-se-ão Guardiães.  

Dizei: "Eu sou filho da Terra 
e do Estrelado Céu. 
Minha origem, contudo, é o Céu (apenas) 
e disso vós sabeis. Olhai, porém: 
seca-me a sede e estou a sucumbir.  

Dai-me depressa, pois, essa água fresca 
que deriva do lago da Memória" .  

E dar-te-ão a beber da Fonte santa, 
e depois disso tu serás senhor 
entre os demais Heróis. 
pg. 149 

LÂMINAS DE COMPAGNO (THURIUM) 

Dos puros eu procedo, 
ó tu, pura Rainha dos que estão abaixo; 
ó Eucles e Eubuleu; ó demais Deuses 
e Demônios: pois eu também confesso 
que sou de vossa raça abençoada. 

Cumpri a pena das ações injustas, 
tenha sido o Destino a me abater 
ou tenham sido os Deuses Imortais 
ou . . . . . . . com o raio lançado pelos astros.

Transpus a triste e fatigante Roda, 
com passos rápidos me encaminhei 
para a Coroa desejada, 
e caí sob o seio de Despoina, 
Rainha dos Infernos; 
com passos rápidos me encaminhei 
para a Coroa desejada, 
e agora chego, como suplicante, 
junto a Perséfone, a sagrada, 
a fim de que, propícia, me receba 
na paragem dos Bem-aventurados. 
pg. 150 

do Livro – ‘Poesia Grega e Latina de Péricles Eugênio da Silva Ramos


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