14/04/11

Anjo

 
Ela e dorme feito anjo.
Sei, anjo não dorme, mas dormia.
E eu, tolo, acordado,
tento ainda acreditar que possa haver amor neste mundo.

Pouco importa se ainda há algo que nos liga ou ela...

Hasteamos a vela que nos verga em tal navego?
Nutre, supre, asceta, sequer afeta...
Dada a censuras, jugos e cor-duras...
Não centra os pontos que dá-se aos encontros.

Mas vê-la assim, num sono doce e de prováveis e profundos sonhos,
Até dá vontade de ser anjo.

Sobre-vivências nunca em vigília.
Caio neste repouso, e acordo mesclado na verdade crudelíssima deste ato.
Fico a deriva e sem vela preso em mar imenso.

Minh´alma pressente e sente,
amar é a coisa mais próxima do que conseguimos
estar no humano, que se faz premente existir.

Tornar-se senhor da existência,
vidente de ilusórias premissas
e escapar do giro de sua própria história,
Retóricas de inexistências, o abstrato, o imaginário. Ser.

Ser é opção. Opção consciente e voluntária.

Por que a divindade é criança
divertindo-se com um dos seus brinquedos preferidos.

E nós, nos perdemos em acusações, já tantãs.

Tentativas cercam o intento e prisioneiros do mudar o outro,
Sem a coragem e o ânimo ardente em transformarmo-nos

E assim perdemos o sonhado "encontro". "O Outro".

E assim vamos.
Assim vamos vivendo.
Nós queremos ser assim.
Todo o resto é passageiro...
E mesmo tudo que diz respeito a "ela".
Mesmo o resto - é - "BOM" pra mim.

Ser o que não fui pra mim,
Ser o que você foi e é...

*imagem utilizada:  minha filha Beatriz 

Nenhum comentário:

Postar um comentário