01/08/16
02/06/16
Tabacaria de F. Pessoa
Um olhar para além do olhar - frag.
No recôndito ecoa a voz do universo.
O irredutível. O uno. O singular.
O tempo que condensa em si todos os tempos.
Onde o amor pelo amor do outro
é também um modo de amá-lo.
E de amar-se.
( Um olhar para além do olhar - frag. ) – de Sergio A. Sardi
Antropofagíaca 1
bola
que
rola...
é bom, vá lá vai
- aí...
- fogo-fátuo?
crava-a na semência
o mastigado, mastigando
mesmo que por crueldade
tá... a re-senha incomodou...
aí, re-ajo,
re-clamo então.
Homínimo

Homínimo
da trama que fia e tece
do caminho e se esconde
se esconde e alinha ao que de antes
e só parenta opção, pois cerceia
cerca, cega, confunde e labirinta.
a dança, a da aranha
(ser ou não-ser). - natura um -
um serzinho são - (ou não).
tantos mortais, tantos normais, tantos...
ranja, ruge e vê se tinge logo esse rajado
tigre das unhas.
- A "ratio" -
na teia, quebra, quebra ela
quebre a cara, ceda à opção
mesmo que labirinte e espanca
mesmo que esconda na escolha
que redundando umas...
talvez duas
cinco
- ou -
seis
tal
vez
até
sete
sim, sete;
sete é bom;
é
bem
sensível
sim ate em
sete, ávido.
Verga-Verso a Memo In-Versa
Mnemosina in-versa, amnésica perfila, argola em pane
não formula, não pergunta, não sabe, perde a seqüência
e ejeta-se do acúmulo de planos, regurgita projetando
deidades à revelia da mão esquerda e a torta e a direita
falecem a mídia-míngua - e no humano - esse homínimo.
ex-sistam deus, demos, deuses e deusas.
picha? Falácia. Hoje mesmo vi - ‘Uma’ no dedo indicador
de Deus e Adão de Michelangelo no grafite do Kobra.
(toda moderninha) se achega ao ver do qu’eu-lia, brilh´olhos
e lê, recita o qu´eu (d)’assim, das lâminas - as órficas, lia:
do “Lago da Memória” - eu sou filho da Terra e do Estrelado
Céu - minha origem contudo é o Céu (apenas) e disso vós sabeis.
Olhai porém: seca-me a sede, estou a sucumbir.
in-chiste e me indica - superior conduz o olhar - três se voltam
volvem quase em si mesmo não percebidos, polegar ascende
pousa em médio e do dedo em seta (re)vejo o inscrito e em relevo
o escrito - Arque-inscrito - atino e levo a desperto o digo - o visto:
- procure saber sobr´ele...
- procure o ver-dito dele...
Todo metido, mergulhado em me exibir a ela -bobeira...
a sua frente, precipites, todo afins de que propicia me receba.
furtam e in-versam, súcubos distendendo musas argolam feito
mulas de Maya - formigas emergindo ‘dali’ das púbis, aninhando-se
como se disso pudesse brotar algum ‘salvador’ - nanica em orbe
de campos dito mórficos, astralismos desvitalizantes com ares
(hades) de alcance planetário, globalizantes, vergalhões de ferro
idade sombria, senhores e senhoras trevosos apezinham e vergam
o verso - a-versa - e hoje os mesmos ‘memos’ de prós e pó incoam:
- ‘obdormisco’ em sonhos... os sonhos... os sonhos... vastos...
(sonhando), diz ouvir dele: Não fique triste, não chore assim meu amor
estou bem agora (morto) - aqui no sonho fala: - Nunca... nunca antes
fui tão feliz em minha “Vida” - Tão belo e luminoso é aqui onde estou.
rastros indícios e jactâncias afins, fatigante, egrégoras ejetam giras
giros a pseudos - deuses, deusas, demos e demais deidades, gerando
planos astrais, plataformas propicias de manipulação a mídia-extrema
mídia-gema - e nada clara, mídia-ex-terna a martelar e martelar
recortando (re)talham ao traduzir e por recordos incutidos
arrebanham, abduzindo, colhendo adeptos que recolhem-se
aquece, enceta - acerte ou erre - fricciona e roça
e coça, ponteia e perfilam: e a mensagem:
- Resvala e ele: divas, dúvidas e dívidas - halo - dada nossa...
Fra-gi-li-da-de...
Fra-gi-li-da-de...
(...) ó tu pura
Rainha dos que estão abaixo (...)
e demais deuses
e demos: (sosseguem)
(deixem-nos em
paz) - tenha sido o Destino
a me (nos)
abater ou tenham sido os Deuses
imortais ou com o raio
lançado pelos astros.
Transpus a triste e fatigante roda
com passos rápidos
me encaminhei para a Coroa
desejada e agora chego
como suplicante a fim de que - propícia
- me receba.
- e de novo - novo e de novo:
- esquecimento - sonho - dádiva - planos de vôo - livro.
aceita ou rejeite e se inscribe:
- Incipit Vita Nova.
em suas já não mais obscuras leis mas:
em suas - Livras... Liberta... - Liberto...
já não mais nos assuste
já não mais nos incomode
já não mais nos im-porte.
uma fonte e a seu lado alvo cipreste.
Dizei:
"Eu sou filho da Terra
e
do Estrelado Céu.
Minha
origem, contudo, é o Céu (apenas)
e
disso vós sabeis. Olhai, porém:
seca-me
a sede e estou a sucumbir.
Dai-me
depressa, pois, essa água fresca
que
deriva do lago da Memória" .
E
dar-te-ão a beber da Fonte santa,
e
depois disso tu serás senhor
entre
os demais Heróis.
pg.
149
LÂMINAS DE COMPAGNO (THURIUM)
Dos puros eu procedo,
ó tu, pura Rainha dos que estão abaixo;
ó Eucles e Eubuleu; ó demais Deuses
e Demônios: pois eu também confesso
que sou de vossa raça abençoada.
Cumpri a pena das ações injustas,
tenha sido o Destino a me abater
ou tenham sido os Deuses Imortais
ou . . . . . . . com o raio lançado pelos astros.
Transpus a triste e fatigante Roda,
com passos rápidos me encaminhei
para a Coroa desejada,
e caí sob o seio de Despoina,
Rainha dos Infernos;
com passos rápidos me encaminhei
para a Coroa desejada,
e agora chego, como suplicante,
junto a Perséfone, a sagrada,
a fim de que, propícia, me receba
na paragem dos Bem-aventurados.
pg. 150
do Livro – ‘Poesia Grega e Latina de Péricles Eugênio da Silva Ramos
Ache o nó da nódoa sem-hora - Hora-Ação a Mater-Mundi
em-ti-fica, alenta e causa a trina flor da vida.
e rompendo de semente em semente, brotamos e crescemos
nossos seres, com seus elos, seus anelos,
(d´eus), de outros e eu, e eu, e eus... e,
seus viços, seus ser-viços, viçosos,
seus prazeres, seus deleites, suas esquivas
e suplícios; seus desejos, gostos, des-gostos;
com quereres, com perfumes, seus aromas
e sentidos, seus sofreres...
risos ... suas conversas e versas,
e os meus, os seus versos, os re-versos,
seus contatos, tatos, seus indícios;
com seu cato, captos, seus toques...
apazigua, refrigera nossas almas,
pega leve nos efeitos, seus apuros;
já os nossos feitos, os teus, a saberes,
Apura ó mãezinha, qualifica nossas buscas,
nossos encontros, seus opostos - alimento.
e... Arre...
que num imenso se presenta, um presente,
em tempo justo e a tempo nos dará,
num toque terno virá a dar-se,
com carinho imenso a Ela
pulsa e pulsar e assim pulsando, manso,
sem as costumeiras armadilhas do apossar-se,
(essas coisas nossas, nunca foram de alguém),
nada meu, nada seu, tudo sempre foi, ié - (é?)
Presença-Presente,
des-velar, véu a véu, com ou mesmo
sem nenhuma coragem
e renascida, sempre se apresenta
- com seus mistérios, seus ciclos
nos causa elos ... para talvez, com Amor somar.
não mais nos assuste,
já não mais nos im-porte.
16/01/12
POEMAS
verde que não tenha sido limpo?
Estirado como uma flecha, uma cruz,
dormes sem conforto, um peixe
dentro da baleia do corredor,
a espirrar espuma, a respirar
para todos os lados da carne.
O que pretendes me dizer?
Cuidado, filho, o chão alucina.
Meu filho, fala alto,
meu ouvido está no fim,
já não escuto a minha infância,
já não sei pensar com os símbolos,
as metáforas e os sinais.
Alguns amadurecem, a maioria cansa.
Navego (?)
Creia, n´alguma não remota,
um sem-distância, algo em que em uma
não absurda lonjura, faz-se em face ao finito
de anima; e então, cognita,
permita somar-se ao toque.
Os sentidos, mover, levemente penetrar,
lira, clareira, cachoeira vertendo humores;
fragrância a clarear o turvo da vontade
de poder cantares nesta mina. o sonho.
Inspirando-expirar; expiar e espiar no gozo, e de
dentro olhares, a mnemo despir-se; lá,
onde tudo é silencio; que aqui inexiste! aí...
Liquidado os planos, do outro conceber os possíveis,
os do mesmo, desvelando os segredos esquecidos do navego.
sob tal desígnio - maldição e benção - benção e maldição,
prisão? - não - lugar - não, não há lugar assim
que em vago rumor ressoe aos remos dos sentidos.
Iluso, nú-vago e verbo In-corpóreo barco.
odinha de re(s)cinto (vestindo o céu)
e ela... ela vinha, vinha
aos poucos ela vinha.
e me dizia:
veste o céu menino e vê se avoa,
via que por mais qu´eu ajustasse,
e vejo...
bem mais agora,
bem mais agora, é que me-valia.
Herberto Helder
Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras,
ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue
pelos canais do ser.
Fora existe o mundo. Fora,
a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor, rios,
a grande paz exterior das coisas,
folhas dormindo o silêncio,
a hora teatral da posse.
E o poema cresce
tomando tudo em seu regaço.
E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as casas deitadas nas noites
e as luzes e as trevas em volta da mesa
e a força sustida das coisas,
e a redonda e livre harmonia do mundo.
Em baixo
o instrumento perplexo
ignora a espinha do mistério.
E o poema
faz-se contra o tempo
e a carne.
Hora-Ação a Sem-Hora Mater-Mundi
alenta e nos causa a trina flor da vida.
Ó Mater, a que nos agarramos em par-
tidos, alquebrados, nos mantemos ligados,
e em que rompemos de semente em semente
e brotamos e crescemos
e pulsamos e pulsamos.
e pulsamos...
Ó àvida-Matriz, que nos gera, atomiza e afeta:
nutrindo e entre-tendo, afeitos e ilusos nossos seres,
com seus elos, seus anelos, (d´eus), de outros e eu, eu, eus...
e, seus viços, seus ser-viços, viçosos, ser-viçosos...
com suas benesses, seus prazeres, deleites, esquivas
e suplícios;seus desejos, gostos, des-gostos;
com quereres, perfumes, seus aromas e sentidos,
com sofreres...
tanta dor, tantos riscos, triz, testes, rés, risos...
suas conversas, versas, meus, seus versos, e re-versos,
seus contatos, tatos, seus indícios; com seu cato, captos,
seus toques ... e tateias... e tateios e tateios...
sempre e sempre suas dualidades e contrastes...
Ó Mãe Natura, que aquece e humana nossas partes,
apazigua, refrigera nossas almas, seus efeitos, seus apuros.
Nossos feitos, teus, os saberes, seus, os sabores.
Apura ó mãezinha, qualifica nossas buscas,
nossos encontros, seus opostos, alimento.
Ó Terra-Mãe, re-junta, re-une nova
mente aos teus filhos, porque mentem os corações,
os teus frutos; conjunta-nos a todos, a todos os que em ti,
esquecidos se lançam nas intermináveis espirais de seus ciclos
e contidos neles, a ti regressam, habituados que estão em estar contido...
re-voltando e re-volvendo em ti,
ocupados sempre com a peleja que experimentam do girar
constante que tua roda dá. Arre... E exaustos,
turbados, detem em entregar-se absortos
e distraídos a sugar de suas tetas o leite que verte
da sagrada flor de teus seios...
sem nada de-volver.
* * *
Cessa agora, ó Mãe, os teus extremos,
Ó Mater cessa teus conflitos, teus temores...
Ela disse... / ... e digo:
Ó Uma, com-sorte d´aquele que sem um início, deu-se, e
uma luz suave se -presenta-, um presente, em tempo justo,
e a tempo dará em lugar adequado se fará
um toque terno virá a dar-se, com carinho,
um carinho imenso, intenso,
a Ela um pulsar meigo, leve, quente...
Um Cor-ação que agora dispara "delicadamente",
sem as costumeiras armadilhas do apossar-se,
(essas coisas nossas, nunca foram de alguém)
nada meu, nada seu, tudo sempre foi, ié nosso... (é?).
desde que se saiba de-volver, vibrações, raios, tom,
som e cores, de harmonias pós-conflitos, muitos,
por vezes, inevitáveis, dito de amores:
um coração dá-me, e das mãos, nas mãos,
contatam finalmente, emana na fala, no toque,
no olhar, sem ontem, sem hoje, sem amanhã...
e sei, incomoda, mas já, "em principio"
o cultivo gradual do eterno, num só lance,
num breve, num só peito, aqui, aí, inteiro,
no exato instante que a isto consentimo-nos.
Iss(ç)o-Tudo é o que podemos ter de realmente verdadeiro aqui.
Presença-Presente, sem véus e talvez... quando finalmente
permitirmo-nos, com, ou mesmo sem coragem,
ao Encontro, "Real", aí possamos, então, abrigar ao ontem,
o hoje transformado-transformando o amanhã, que haverá
de desvelar-se, e aqui, revelar que a vida docemente renova-se...
renasce e renascida, terna se apresenta: com seus mistérios,
ciclos a e em porção necessária, nutrindo, animando e aquece,
refrigera, causa elos, por tempo almejados,
e então, e só então: poder lê-lo, lê-la inteira,
em suas já não mais obscuras leis,
mas: em suas "Livras"... Liberta, Liberto.
* Até que nascer ou morrer,
não mais nos assuste,
não mais incomode, já
não mais nos im-porte.
08/10/11
O poema, o Poema ( ? ) -
- o eco do poema desloca perfis.
a casa do poema
a morada
o poema, o poema...
o poema o poema.
a água a água do poema
a busca o susto o vasar
o vaso o vago o quantum
o quando o como o onde
o poema o quanto o quando
o tempo em tempo,
e só no tempo o poema
e então, enquanto nele
e aterra o indício
o inicio do poema
a planta o cuido
a flora a forra do poema.
A rega o bulbo
que apega se pega
pega-pega do poema
se gosta o gosto
a pegada do poema
a galga a vaga
o vasto que o poema.
o pólen o vindo
o espalho do poema
o fruto, que fruto?
- fruitivo, degusta-se
tal nisso, nisto, e por isso,
a saber - "o sabor do inútil".
a mera o modo ígneo
ou em mero e errante
a pura incapacidade
em conter, frear a língua
que por muito com-dício-nada
que é, pousa em modos de sedução,
luxuriooooosa...
e os vôos, tantos os voos
os sem rumo sem ar
com ares de requinte
voa e canta expressa e sofre
e sofre os paraísos ou mesmo
e timbra e turva o tom
o som a rima, rima-rima
derruba rebela e trisca e ilha
que mares sidera e narra,
confundindo ainda mais
o canto e ao canto
num cantinho qualquer
que seja, passa, passarão
passou... e passarinha a carne
que te encerra, es-fera
em garras te encaram,
contaminado, e cai,
seduzido ao que não é,
e queda
experimentar o já experimentado,
espremendo-se ansioso e inquieto
apropriar-se indevidamente
ao que não nos pertence
ou pertencerá e então
o atrito o conflito o rugir o grito
e o grilo das noites...
ah o grilo.
Ouça... (?)
grila, grila-grila, cricrila,
rompe o grilhão que limita
o galho e arvora o poema
dorme dorme-dorme
engaiolado poema e o poema
o poema mesmo assim voa
ou mesmo o quer voar, e avoa
voa escapa daqui escapa e livra
bem... eles passarão...
passa-passa... passou...
que o aprisiona e mora
e fixa-se em tremendo burburinho,
já que vive, passarinha
mesmo que por breve,
já que fora, par-além
par-aquém o prende
ou asa e a asa asa ou fere
ou põe-se ferida à ofertada
ferrosa forma fundida e pó
e no pós gélida fria grade
de esquecimento
e desfrutes dos sentidos
sentidos estes, incompletos,
falhos e o poema exaspera
o poema desespera e o vazio
o vazio que por um tris
num curso do que trisca
o que por um tris
que cai, cai e vai indo assim
mesmo, enchendo nossas
blablarizando-nos em mais e mais
breves instantes, e, “um gole d´água
bebido no escuro". Que bebe?
Que sorve? Palavras, palavra e lavras
ditas mágicas, loa de vida e morte
que nos encerra... e o poema...
o poema é que bebe que come
e o que o come que o sorve,
criativamente absorvendo,
e de empréstimo, só aparentemente
parece gerar sóis, luas, mundos...
uni-versos e o sol o sol-vê no escuro,
asséptico, profilático, e no escuso
presenta a saída a porta e aporta
aos poucos, gradualmente esvai-se
no tanto nos poucos do poema
sem nele jamais estar. e então...
em miséria ou rico o canto conchega
vem residir e a casa do poema
põe-se aberta, pardalinha.
de tanto-tanta especulação
nos deixa ao abandono e dentre,
adentro, o barco o dentro do barco...
e o poema...








