13/04/20

astralismos de re-vejo - re[s]cinto


astralismos de re-vejo - re[s]cinto 

de pequeno vivia de olhar de cima
e de lá 
é que tudo me havia  

-  e via: - em dobra ...

num vinco do tempo 
um elo emanava 
um halofachos e fachos e fios 
de um leite astral que jorrava
dela e ela branca, branca, 

branquinha-branquinha 

arqueava em vôo, 
uma ave planando num céu negro
azul preto marinho 
e vinha chegando de um longo e largo
mesmo tempo longe mesmo perto, 

pertinha-pertinha 

- fingia susto ... 

- e ela vinha, vinha, pouco a pouco
aos poucos ela vinha ... 

- expiação imensa...

daqui a via pequena. 

havia só um buraco branco no céu
que aparecia sei lá de onde, 
sei que vinha de uma ventura figurada 
que se dava mais dentro que fora
e era só minha, 

era um aqui que se desdobrava...

e ela me dizia:

- vê se veste o céu menino e vê se avoa -

e eu tentava, tentava, 
depois frustrado via...
que por mais qu’eu ajustasse, 
não dava, não cabia.

já hoje tô pequeno e de vontade, 
na verdade voluntariamente me miúdo 
e desse jeito bato de um olho... 
e de um outro 
no que vejo me imenso 
e de tão grande um sem tamanho.

aí... miro naquilo em que me h’avia 
e vejo, re-vejo, 
ié bem mais agora que brinco, 
palavreio e reencar(n)o
e o que de antes, 
é bem mais agora que tudo me-valia. 

07/04/20

o poema o poema

Transmirando o Poema

- deixar rugir o caos atônito -
- o eco do poema desloca perfis -
- o poema é uma pedra no abismo -
- um poema como um gole d’água bebido no escuro -
- fragmentos de Mario Quintana

o poema o poema

face 1 - a casa a morada (?) o lugar ( ? ) do poema - o como o onde o quando o quanto o capto o quantum a cata o vindo do tempo e em tempo o tempo no tempo do poema e o poema que assim pisa e repisa e reprisa assola e o ser o estar aqui que passa repassa aterra e a terra terra-terra o solo - que solo?

e pausa e pousa o indício o inicio semência semente plantio a planta o cuido a mirada da flora a água a rega a busca a espera o súbito no susto da vasa que o poema no fora no dentro na farra na forra e que o poema que o poema o poema e diz-diz-se: - luminoso   -   luminoso o instante.   -   Luminoso? 

- o bulbo a haste a flora que desponta desabrocha... e o bobo se apega e pega o pega-pega do poema o gosto o sabor a saber a galga na vaga no vasto no vaso que o poema - a flor aflora e fora é tão breve tão breve o pólen o espalho o fruto, que fruto? - fruitivo? e degusta ao sabor daquilo que é não é nem é nem não é e nisso o assim esse nisso no então nisto e  saber que disto vem... e insta ao sabor do algo útil e do inútil - à colher e o suplico no suplício o peço na mera ora em modo ígneo ora em mero feito e errante e farto a pura incapacidade em conter frear a língua que condicionada e por muito pousa em modos de sedução. 

– luxuriooosa... vaidosa vaga... vaga e vaga em tantos aos poucos nos vôos com ou sem rumo voa e canta e sofre e sofre pincelando paraísos inventa purga em reino de tolos e turva o tom e tona o torto entorna derruba rebela unha arranha arruma bagunça a casa toda e trisca rasga os sentidos as ilhas do almejo aí sidera alucina e narra esgoela e faminto caminha por descaminhos confundindo ainda mais o canto a um canto  um cantinho qualquer que seja e esquece e repassa e passa... passarão... passou... 

 ...passarinha a carne toda corporeidade do que nos encerra nestas garras do concreto que encara e contamina e cai - seduzido a bradar nas tortas e direitas obtusas e dizer em alto e bom tom o de sempre o mesmo daquilo que não é e assim queda nos giros nas giras em experimentar o experimentado privando espremendo ansioso inquieto e mastiga mastiga o mastigado creditando-nos em acreditar naquilo que não é nem nunca foi ou nos pertencerá ... daí o atrito o conflito o rugir e rosnar o grito a barulheira do inútil o engano... 

e o grilo... o grilo das noites... 

ah o grilo...  Ouça...    

( ? ) vem grita, grita - grila grila-grila cricrila rompe o grilhão que limita tira o nó do cerne d’alma ou nina nana canta a bocca chiusa faz naninha canta nana-neném dormita e quebra o galho o ramo a ave a asa arvora o poema e o poema dorme, dorme - dorme-dorme - o pássaro o cerne que engaiolado te pega, pega, pega e ousa voa avoa voa...  

vai ...

... (* vai, vai, vai, disse o pássaro, o gênero humano não pode suportar tanta realidade.) ... T. S. Eliot

... vai... escapa daqui, livra o lugar disso tudo - que lugar? Não há lugar não há morada, dado o ímpeto que aprisiona fixa-se em tremendo burburinho - pois então que passe, passe então já que vive e morre passarinha mesmo que num breve, pois o perene se esconde no instante e já que dentro entre se adentre e põe-se pra fora e vai... vai... sai... sai daqui... sai... vai par-além ou par-aquém apreende e dê asas afira ou põe-se ferido e a deriva nessa  ofertada maquiada liberação que manipula almejando controle encalacra-nos  nessa inoportuna cela ferrosa essa forma que fere afere e cala fundida no pó em pó e no pós entorna gélida e range fria tão fria grade que encarcera e conduz a planos de esquecimento a desfrutar mero deguste dos sentidos e estes mesmo que incompletos que falhos o poema exaspera desespera e um vazio o vazio que o contém e  no curso em curso do que soca goela abaixo e só por um trís é que trisca risca e arrisca, mesmo que atabalhoadamente, num rascunho mesmo que jamais definido ou claro mesmo garatujando  em miséria essa miséria do um não mórbido do não do poema, ao não do poema, o não no poema, que vai e cai, cai e vai, vai indo assim e assado enche cabeças e corações com tanta inutilidade, blablarizando-nos mais e mais e de nica em nicas, necas, necas de pitibiribas e o precioso contato o leve toque que nos poema nos breves abrevia ainda mais o que o toque do instante dá e instaura ... 

Que bebe? Que come? Que sorve? ... 

Palavras, palavras e lavras, ditas mágicas, loa de vida e morte e mais mortes que esse cativeiro encerra... e o poema... bem... o poema é o poema e quando poema o poema é o quê o bebe que o come que o sorve absorve e assim o sol-vê no escuso, asséptico? profilático? e no escuro no breve que ao longe pressente vem e se presenta ... a saída a porta que aos poucos e gradualmente chega aporta ou simplesmente se esvai num tanto num pouco sem dele jamais deixar vir ser ou estar no será do poema e num misero ou rico canto se achega conchega  vem residir na casa na-morada que o poema que mesmo sem ter um lugar à habitar se escancara e põe-se aberto e pardalinha...   e o poema é ...   * um gole d’água bebido no escuro.   

... e a sina o sino, este signo quase mudo que enuncia badala anuncia - talvez - o fim de tanto, já tantãs, tantas e tantas especulações que teimosamente, ainda assim nos dá leme os remos a mover o poema que não nos deixa em total abandono e dentre os tantos dos possíveis que nos poeme adentre e toque o barco... e... finalmente  aporta... te enreda... e te enredando... te abarca.

face 2 - de emenda em emenda o mergulho o medo o remedo a remenda os remendos a cota a conta a dúvida a dívida que repeteca-nos nesta pauperra trava e emperra reprisa reconta recôndito recorta comprime à caber, subtrai-se o toque o contato os contatos e as tormentas que ferem espetam espinham e arrepia e o suspiro o suspiro a pira do roçar que eletriza e um eco o eco que orgasma que abisma no alto e o arbítrio o baixo o mote que teima em pulsar num tema num perfil e perfila em tal pulso que palpita, pois que livre e aos pedidos a perdida os perdidos, tantos, tantas aos bens o bem o não os nãos do bem o bem mesmo, (livre?). 

- o eco do poema desloca perfis. 

... comenda das águas ... comédia das almas das armas e a alma e a grande grade delas em meio aos meios no meio do caminho no caminho os caminhos e a trilha as trilhas de a uma pobre senda vagada no pequeno o pequenino forçando as grandezas os olhos o olhar pregado no efêmero no sentir os sentidos todos no pensar no pesar no repenso no recinto  o ressentir que num gole no gole - “um gole d’água bebido no escuro” -  no mole no duro o muro os descaminhos e a pedra atirada no abismo e o “ rugir de um caos atônito.  

face 3 - pesada se pesado penada se penado leve se leve e se de longe muito longe um longo muito longo como este que o pegou e o pegou de jeito e se de longe ou perto peguei, paguei, sei que paguei, já paguei, pago ainda, pago agônico pago atônito e a esta não medida esta desconhecida ordem o caos que gera só por pouco por muito pouco mesmo não sucumbi e rugi no prensado no opresso ao apreço de sempre estar voltado ao poema, desde menino e quanto a pedra   bem, pedra só pedra abaixa e pega ela e atira num largo impulso... bem longe... longe... mesmo que por tortos todos os caminhos é nas noites nos dias escuros e de claros enigmas é que os monstros surgem mas monstro já não medra... pois mostre escancare o que enreda o que enreda nos lábios nas mãos nos dedos de-monstre o que insta e se acaso se instale instale-se com ou sem lira ou em ternas mesmo que aterradas no mole no duro não perdure muito nas margens e o rio os rios o rio corrente rio que influi rio que flui rio contente pois redivivo e a quantos for... o rio, o rio  rio fluente - e a vida verte. 

... e o horror que alheia que abocanha o insone fica à espreita o belo o belo se rebela se debela e o feio o dito feio  a fera a fúria a besta o ferro - ferro a ferro - vis-à-vis o nunca no fora, tô fora, tô fora de tudo isto já passei já passou fui embora não estou mais aqui é mosaico vivo é prosaico semelhante em semelhante que fere e oferta ao sofrer os reveses os reversos da carne essa carne morta que maquina e roça e rosna flamejante na espera, esperança inda que lírica em ser-aí - ser-com - ser-para ... 

... ser-pra-quem ... [ ? ] 

... vive e morre come mora põe em vigília contínua e no pó lembra da difícil jornada que ex-clava que es-crava e escreve e escreve e escreve... da dor da orbe de como desce de como sobe e de um suposto amor obtido. e escreve e escreve enfim tão somente e leva ora chumbo ora ferro ora pluma ora leve ora rijo ora belo ígnea a fala a escrita ígneo o poema que ainda assim, se desatento, escorrega e foge despenca e em queda livre cai... dura tanto quanto pesa ou flutua recusa tormentas revida contendas levando ao desuso e desanima desiste definha... não vê (?)... vê e fica e quando vai fica vela e turva suprime e labirinta e enviés enubla sem pátria sem prato sem teto sem nota moeda qualquer que seja ou verba ao verbo e estanca sem uso e por fim forçada, na marra, aquieta-se silente são ou doidecido dorido cala e esquecido - contentamento súbito - surge incólume e dorme dormita descansa inquieto e sedado 

... em pausa ( ... ) .

face 4 - Matura. Tênue luz. Lamparinada ... verde-grila - ver-degrila tua câmara de horrores ver-de-grila debela mesmo ao outro o mesmo que dá o fora e mesmo que em forra fora do tempo no tempo mesmo fora do mesmo...

o grilo... ah o grilo - sim o grilo - os grilos que antecedem a entrega – e entrego - oferto ao poema... - que o poema... - e o grilo - sim os grilos ... - grila-grilam – cricrila - estrilam... - Ouça... ouçam... Ouve (?)... Estão ouvindo? (...) ... Tudo tão vago tão raso tão rente e o profundo e o mais aparente rente a mente a do poeta que quando entregue ao poema cai em si e em sina - a de furtá-lo do velado mente, mente o poema, mente e engana ao revelar “se” em que no desvelar... subtrai-se e então o que fazer? - sê-menos e a isso sê-mais e no ínterim do que temos(?) e teimar nisto - não ter-memo - não obter ter - ter menos em ser-mais. - sê-menos e assim... no mais... Silenciar... quedar-se quieto.

face 5 - Dorme, dorme agora dorme, dorme criança, dorme toda gente é melhor pois tudo o que corta arde dá talho e dói no esquecimento e com dor ou sem dor e só após muito frigir depois de muito burburinho é que o intento rompe um tanto menos ou por um tanto mais é que por toda a carne e por quase nada é que a carapaça frita nas duplicidade e especulações fingindo frigindo cozendo e finalmente entrega-se a pronta e silenciosa... - ...ié no silencio aturdido e pasmo que pode, voluntariamente, humanar e aquecer o poema, que aquietado, põe-se pronto e pronto... está posto sirva-se pode degustar fique à vontade. ... ié ... por só um pouco... um pouquinho que seja... um pouco de paz... o poema o poema... e ao seu e por seu meio se ajeita se adéqua e mesmo que em déficit de expressão mesmo a um expressar difícil tão difícil tropeçando deitando velamentos ainda maiores o seu desvelar mesmo que vago boiando em vagas tentativas e desajeitadas ao humanar o dito humano e que o poema o poeme ... e o poema, prisioneiro de si, nos limites daquele que o capta poeme o poema - por fim - nos coloque frente a frente de nós mesmos e em si - na verdade - é que o poema - pouco im-porta pouco mesmo pouco importa o poema se no poema não tem gente dentro.

- e se valer... o poema se achega feito amigo ou mesmo inimigo é que o poema ensina ou abisma e quando age na gente quanto mexe com a gente - e quando - ao lê-lo -  leia o que vai o que fica na gente o que nos atem e tem e vem da gente e que nos lembre que nos dê-volva aos fins afins e confins da gente que com-chega acolha ou mesmo recuse e nos recolha devolvendo algo que morde que arde que suplica e alegra e ri o que a muitos e muitos finaliza e mortifica e a outros vivifica e desdobra existências e quem sabe: - caminhe ame sinta pense e aos poucos - passo a passo - o poema nos poeme e assim – vida-a-vida - nos melhore. 


Mario Quintana

Um poema como um gole d'água bebido no escuro.
Como um pobre animal palpitando ferido.
Como pequenina moeda de prata perdida para sempre na
[floresta noturna.
Um poema sem outra angústia que a sua misteriosa condição
[de poema.
Triste.
Solitário.
Único.
Ferido de mortal beleza.

02/06/19

rio que flui



rio que f(l)ui - (?) ...

por onde essa voz
por onde soa essa
que vem e me habita

... (?) ... 

máscara adquirida
que subtrai ao desvelar
cor e tom que toma os sentidos.

esse barquinho \_de papel_/
a de-ter-minar papéis permeando todo habitat.

vela hasteada
per-soa e dá voz
vige e verga.

e assim navega.

- ié duro rijo
quando imerso.

- manso e dócil
quando imenso.

- riso e lágrima

- (?)

- aroma audível

- visões e micro-tonalidades

por onde frui (?) ...
este rio que agora flui (?) ...

que ancora e circunda
o barco de ponta a ponta
enquanto se navega (?) ...

02/12/18

mini - mais

sabe 
meu bem: - todos os unicórnios são belos? - 
                   
                   Mesmo aqueles, que com toda 
                   sua tenebrosidade, de seus únicos
                   de seus olhos, olhar sanguíneo, a-ver 
                   vir assombrar aos sapiens, humanado 
ou então,
                   daqueles dóceis, perolizados, corcéis
                   em que virgens com seus toques 
                   e inadvertidas que acabam com seus 
                   doces afagos por atrai-los e trai-los 
                   acalmando e os capturando por fim
                   ao mundo dito real.
dito assim,
                   no fim: - todos, 
                                   todos eles, 
                                   todos os unicórnios
                   são berros 
                   meu bem...

*      *      *


estigma, o                 ( timo )


signo sino       ( ao blen-blon do digo )


                        ( caso haja mundo )


estimo.



*      *      *



Arquear a coisa dela!               

                             enseta
                                        -se
                                        -me.

*      *      *


Poesia, réstia inútil

                     para dizer-te algo
                             dizer-te coisas
poesia-coisa
           coisico a coisa da poesia 
                                      ou do ainda necessário
                                           do que ainda há a dizer,
                       a viver - poíesis, amores
                                                 valores
                                                 digos
                                                 recados
                                                 recados de vida     
                       vai... 
                                                 o seu... 
                       diga...

*      *      *


sim, Petrarca
        não medra
        nem pedra.
        
redunda em Eco.

porque claras, frescas e doces são as águas.


*      *      *


buraco branco

             nave barco
                      léque 
                      
                      que leve...

rara ave arco que vê.


*      *      *


aaahhnnn... 


espelia em halitual e descendente 

cromatismo, quase fáustica-agonia. 
                                    
                                    Despencando...

encharcada ainda das águas

que dela brotava jorrava 
e assim vinha - primordiais - talvez 
molhada, jamais tocada, jamais aqui 
surgia como um inicio, como um indício 
- uma longe - vivida recordação 
ainda não deitada à vida manifesta 
só ao olhar, que de súbito a detinha 
assim, neste seu próprio conter-se. 

perplexa. perplexo sino ... uma sina... 
um sino... espiralado... 

ávida e enrodilhada. 

29/11/18

esse hominimoh

                                    
   

homino-taurus não sabe de ariadne 
não sabe da teia da trama que fia e tece 
fia e oculta a linha o caminho e se esconde 
alinhavado ao que de antes só aparenta opção
pois cerceia cerca cega confunde e labirinta... 

note... 

... e anote: a dança, a da aranha e a da espada, arranha um: 
(ser ou não-ser). natura um - um serzinho são... (ou não)

à (luz) sã... que a vida flua então à superação
dos obstáculos: ante a linha que te arqueia 
que te verga, une, mata fomes e uma sede
uma sede, ungindo cabíveis traçando comíveis.

- ah... tantos mortais, tantos normais, tantos...

tontos, rodopiam giram já tantãs e gemem, gema
gema então peste trema, ranja, ruge e vê se tinge 
logo esse rajado tigre das unhas.

A "ratio", na teia, quebra, quebra ela, quebre a linha
quebre a rinha quebra, quebre a cara, ceda à opção
mesmo que labirinte e expanda mesmo que esconda 
a escolha e que flua a vida, mesmo que redunde umas... 
talvez até duas ou três, quatro, cinco ou seis... 
talvez até sete... sim, sete, sete é bom... 

é bem sensível... 

tão... duplamente sensível.

Réstia

Poesia

réstia inútil
para dizer-te algo
dizer-te coisas

poesia-a-coisa

coisar a coisa da poesia 
do ainda necessário

do que ainda há a dizer

a viver. 
 

seus amores
seus valores
seus digos 
seus recados

recados de vida, vai, 

o seu digo

 diga...


humana


humana ilha q vasa e vaga
arrolhada numa garrafa q boia 
de onda em onda com algo dentro.

e diz-diz ... 

... diz?

pode até ser arma 
pode ser alma.

pode ser fora de tudo isto
pode ser dentro com tudo isso. 

pode até ser
. . .

Imerso


imerso 
adentro a casa 

de mansinho 

tudo parece imenso.

dado um tempo ... 

como de um costume 

caio fora e me volto em arremedo. 

hábito (?)

então vejo que tudo
tudo mesmo já havia sido. 

- aqui...

as coisas
repetecam -
( se ) .

Burnt Norton - T. S. Eliot

Burnt Norton

Embora a razão seja comum a todos 
cada um procede como se tivesse 
um pensamento próprio.
T. S. Eliot - Quatro Quartetos, Burnt Norton I

O tempo passado e o tempo presente
Estão ambos talvez presentes no tempo futuro
E o tempo futuro contido no tempo passado.
Se todo tempo é eternamente presente
Todo tempo é irremediável.
O que poderia ter sido é uma abstração
Que permanece, perpétua possibilidade,
Num mundo apenas de especulação.
O que poderia ter sido e o que foi
Convergem para um só fim, que é sempre presente.
Ecoam passos na memória
Sob as galerias que não percorremos
Em direção à porta que jamais abrimos
 Para o roseiral. Assim ecoam minhas palavras
Em tua lembrança.
Mas pra quê
Perturbar a poeira numa taça de folhas de rosa
Não sei.
                              Outros ecos
No jardim se aninham. Seguiremos?
Depressa, disse o pássaro, procura-os, procura-os
Ali no canto. Pela primeira porta,
Aberta ao nosso mundo primeiro, aceitaremos
A trapaça do torno? Em nosso mundo primeiro.
Lá estavam eles, dignificados e invisíveis,
Movendo-se imponderáveis sobre as folhas mortas,
No calor do outono, através do ar vibrante,
E o pássaro cantou, em resposta
A inescutada música imersa na folhagem.
E um raio-olhar impressentido o espaço trespassou,
                                                 [porque as rosas
Flores contempladas recordavam.
Lá estavam eles, como nossos hospedes, acolhidos e
              [acolhedores.
Assim, caminhamos lado a lado, com solene postura,
Ao longo da deserta alameda, rumo à cerca de buxos
Para sondar o tanque dessangrado.
Seco o tanque, concreto seco, calcinados bordos,
E o tanque inundado pela água da luz solar,
E os lótus se erguiam, docemente, docemente,
À superfície flamejou no coração da luz,
E eles atrás de nós, no tanque refletidos.
Passou então uma nuvem, e o tanque se apagou.
Vai, disse o pássaro, porque as folhas estão cheias de
                                                           [crianças,
Maliciosamente escondidas, a reprimir o riso.
Vai, vai , vai, disse o pássaro: o gênero humano
Não pode suportar tanta realidade.
O tempo passado e o tempo futuro,
O que poderia ter sido e o que foi,
Convergem para um só fim, que é sempre presente.

Tradução de: Ivan Junqueira - Editora: Civilização Brasileira S. A.

Antropofagíaca 1

                                   
a(o)s no'velho(a)s

Quando termina isso.
               Iço.
           
                              (Quando começa?)

           
Estamos cheios como o Interior 
de uma bola; que rola...

... vazia câmara que estampi.


argola... 

argole então - agora-agora -
e diz que inflama, diz que inflama 
em fogo ardente, desdenhando 
o foguinho alheio... mastigando 
e mastigando o a muito mastigado.

ousadinho, todo moderninho. iluso

incomoda e move o que afinal, é bom vai
vá lá, meta-língua e age, germina por através 
de velhas sementes com ares novos, n'ovo? 
e faz agir. - aí... o podre, o murcho
as delicias ocultas do no´velho
a velha metalingu´agem que nos salva 
de jocosa acidez.   

-   fogo-fátuo...
                   
se joga e amola a faca.?. crava-a na semência
nos versos, que som-brilham o mastigado  
mastigando mesmo que por crueza 
ou por pura e ácida crueldade.

tá ... a re-senha incomodou ... 
         aí ... re-ajo, re-clamo então. 
                 

28/11/18

Hora ação a sem hora mater mundi

Memo ( Aminésica ) ría


empsiquisa... Mnemosine in-versa
amnésica perfila, argola em pane
não formula, não pergunta, não sabe
perde a sequencia e ejeta-se do acúmulo
de planos, regurgitando, projeta deidades
à revelia da mão esquerda e a torta
e direita falecem a mídia-míngua.

e no humano... esse homínimo.

O ex-sistir cabe a humanidade; que vacila.

melhor mesmo que não existam deuses, deusas.

Parede grafitada, menino, moleque arteiro
não sigla, não pixa, picha? Falácia.
Hoje mesmo vi uma, no dedo de Deus e Adão 
de Michelangelo no grafite do Kobra.

e agora-agora, veja o que me veio:

êta moça bonita! 
(toda moderninha), se achega e ao ver o do que-lia
brilh´olhos e lê, recita o qu´eu assim, das lâminas 
- as órficas... lia: -

daí-me depressa, pois,
essa água fresca que deriva do
“Lago da Memória” eu sou filho
da Terra e do Estrelado Céu
minha origem contudo é o Céu
(apenas) e disso vós sabeis.
Olhai porém: seca-me a sede
estou a sucumbir.

Aponta... e diz a boca pequena
indicador em riste in-chiste
me indica, superior, conduz o olhar
três se voltam, volvem, “quase” não percebidos
em si mesmo, polegar ascende, pousa em médio
e do dedo, em seta, vejo, e no relevo o escrito 

- Arque-inscrito... 

Levo a desperto o dito, visto: “Atinus Cristo”. 

Disse-me: procure saber sobr'ele
procure o ver-dito dele...

Ah! ... Essa moça, uma gracinha essa moça...
todo metido, remexido, mergulhado em me exibir 
a ela... é, de bobeira... a sua frente, precipites 
todo afins, de que propicia... me receba.

e destes múltiplos, os acúmulos, cúmulos de memo
que in-versa, distende musas, argola feito 
uma mula de Maya, nanica a orbe de campos
ditos mórficos, astralismos com ares (hades
de alcance planetário, globalizantes, 
vergalhões de ferro, idade sombria
senhores-senhoras trevosos apezinham
e vergam o verso, a-versa.

hoje... os mesmos, “memos”, prós e pó
incoam: “obdormício” em sonhos... vastos.

Minha criança chora inconsolável ... 
... saudade de vovô. 
Encontrando-o, (sonhando), diz ouvir dele:
Não fique triste, não, não chore assim meu amor 
estou bem agora, (morto), aqui, no sonho... fala: 
Nunca, nunca antes fui tão feliz em minha “Vida”. 
Tão belo e luminoso é aqui onde estou.

e afinado aos mesmos, “memo”, em ecos, 
vive nos rastros, indícios, jactâncias afins
de fatigante egrégoras ejetando giras... 
giros de pseudos-deuses, deusas, demos
e demais deidades, gerando planos astrais 
astralismos de mídia-extrema, mídia-gema
mídia-ex-terna se recolhem e minguam.

Amnésica nossa base “acasha” inflama, aquece
enceta e acerta, fricciona, roça, coça, ponteia 
e perfilam: e a mens-agem

Pandora rina, doura, ancora risonha.

Revela e ela: tessituras de veritas
registros de percursos.

Resvala e ele: 
divas, dádivas, dúvidas e dívidas
dada nossa... Fragilidade... 

Fra-gi-li-da-de...

... e levo a desperto ... 

( ? )

ó tu pura Rainha dos que estão abaixo; ( ... )
e demais deuses e demos:
(sosseguem) - (deixem-nos em paz)
tenha sido o Destino a me (nos) abater
ou tenham sido os Deuses imortais
ou... com o raio lançado pelos astros.
Transpus a triste e fatigante Roda
com passos rápidos me encaminhei
para a Coroa desejada, e agora chego
como suplicante a fim 
de que propícia, me receba...

e... desperto...

Acordes em cadência de contínuo renovo
e de novo:

FATO - SONHO - BUSCA - OVO - AFETO - TATO
FETO - PLANOS DE VOO - VIDA - DÁDIVA - LIVRO

vulnerável, frágil, não cessa... 
e como d´antes ali... guia... 
erre ou acerte aceita e se inscribe

Incipit Vita Nova.

e então: poder lê-lo, lê-la inteira
em suas não mais obscuras leis 
mas já - em suas "Livras"... 

Liberta ... - ... Liberto.

Até que nascer ou morrer 
não mais nos assuste
não mais incomode
já não mais nos im-porte.