18/02/11

Capetalismos


a estranha história
de uma velha senhora
que trocou seu lindo
cachorrinho cinza escuro
por um par de sapatos
para seu velho...

ele precisava de um novo.

Maria...



se
ela
o elo
qu´eu
em terra
água
ar
dava
em meu
fogo
amoroso
brasa
cor
dial
mente
chama
quente
e terna
a vida
ávida
por ela
em mim
e eu
nela
inteiro
e ela
inteira
e dá-se
a dar-se. 

te dou...


N´ave

vida uma vida 
e uma outra 
outra vida outra 
vida outra vida

e nesta... nesta mesma

porfavor 
por favor

transalém. 

14/02/11

Mesm´Outro ... ( à )

No recôndito ecoa a voz do universo.
O irredutível. O uno. O singular.
O tempo que condensa em si todos os tempos.
Onde o amor pelo amor do outro é também um modo de amá-lo.
E de amar-se.

 ( Um olhar para além do olhar - frag. ) – de Sergio A. Sardi


Escrever - o poema, o texto
Pintar - a tela, o quadro instado ao olhar
Esculpir - a forma, o corpo, o gesto... o digo.

Fora do observar atento, da vivência interior, 
convenientemente voluntária;
potencialidade em ser de seus possíveis, 

à vigorar. Priva significância, sentidos. 

Sem-sem... ainda... 

Ávida, emoldurada objeta...

o mesmo e o outro, sujeito em pausa.

Ilusivo o existir intenta; dada já a existência.

Está aqui, mas ainda não vive.

Obra parada, não mirada, aprisionada em livro 
fechado e não lido, estacionado em estante 
ou quadro não visto, pendurado, olvidado em parede.

Confinamento espacial, tempo cristalizado, 
moldado no “bi” ou no “tri”, dimensiona, 
insiste em lugar criado, na dinâmica do que obra, 
dado em afeitos por dedicado artíficie;

desde o início, tudo ali.

Temporalidade suspensa, estanque nos seus moldes,
existência estática, silenciosa, espera paciente
o “perceptum” a que tangenciar, privada do sentir, 
do pensar, de convivência prolongada da idéia nada volita.

Do que se pode observar em e no local do aí criativo 
e criado, o lugar real, de-para, ser-com, interlocução, 
espaço de instauração de vigor, ié na medida 
do desemoldurar-se que a obra passa a ser para, 
percorre, caminha, docemente, convive no e ao vivente... 

Sentir, pensar, as sensações, impressões, idéias, volições,
representações, afetos, efeitos, necessariamente de convivência
razoavelmente prolongada necessitam, para que a vida e a arte,
que é vida em elevada esfera, venha, possa instalar-se, no aí, 

onde o real ocorre...

Dentro. No interior daquele que aprecia, 
no instante, a observa e lhe é devida, atento(a), 
ié aí que dá-se o além ou aquém do “digo”, 
ali, onde a linguagem vivifica, age, gera 
e produz frente a presença histórica 
e à vida mesma - que ora vem, ora vai.

...e a “ela”... é... vc... ...suas vagas... suas vogas...
sendas... giras e giros... Tudo... Todos... permeados...
qualificado em ser - aos - e de sentidos, e de multi... 
                                                   ...as significações.

A arte ... só age... em Arte:
                                        
                                                                             
minh´arte...
su´arte.

E por aqui... a roçar

a ... ROÇ´AR-TE

07/02/11

Enseta-se-me



Arquear 
a coisa dela! 

Enseta-se-me.




estigmo



estigma, o                        ( timo )

signo sino           ( ao blen-blon do digo )

                             ( caso haja mundo )

Estimo.


onírica...

sabe meu bem: 
                            
                             - todos os unicórnios são belos! - 

Mesmo aqueles, em que em, com toda
sua dita tenebrosidade, com seus cornos únicos
e olhos e olhar sanguíneo, possam vir nos assombrar e creio,
muito mais em nos deixar perplexo e  com ferocidade o bicho,
dito sapiens, o humano, projeto em long-time, onde então
aqueles dóceis corcéis perolados, em que delicias virginais,
com seus toques e afagos, inadvertidas e puras, acabam
por atrai-los e trai-los, acalmando-os e capturam-os por fim...
e este, o mundo... dita... dito ser “real”.

um digo por fim: todos, todos eles... 

todos os unicórnios são belos meu bem...































O Aderente




O Aderente   -   LI – 30
Esplendor
A luz, fogo, beleza, o sol

se ao menos fosse eu
uma vaquinha

e assim tornado houvesse
através de uma varinha

de sorte...
tudo iria bem

toda sorte de coisas

se daria
ao bem.



  

04/02/11

Marimenso





O mar
    ali
                                                        a
                                                        linha
    a   
    chama
    azul 
                             e
                             branco
e
                             vem 
                             e              assim
vai
e                           assim
rege
                              vindo
assim
                              em 
                                            verde
mas:                                    na orla, bege
                                                                           e
                                                                           torna
                                            e
                                            oura 
                                                                           e
                                            a quem ouve
                                                         ou
                                                         vê

                                      policromia

31/01/11

José "MATEUS" Pereira Neto



José "Mateus" Pereira Neto

Poeta Brasileiro, Paulista -  S.P.


enquanto 
                 não
                        caio
                                 vôo...


*      *      *


É natural
Q pássaros
Façam festa
Olhe a cor do poente!

Meninos, cachorros, besouros
A vida inteira brinca à minha frente
Enquanto eu enfrento velhos demônios
e sabemos q ninguém vence

Venha, então, participar desta cor
Não precisa saber desta dor
O q vale é o q se vive?

se medirmos o q se vive
Pela cor q no ocaso vemos
Por acaso não vale tudo aquilo q vivemos?



*      *      *


Viver é o tempo todo
Ar entrando e saindo
Respirar transpirar
Conspirar
Fazemos parte um do outro


*      *      *

Duas torres
-não as destruídas
twin towers-
erigidas
d modo
a empacar
todo o resto:
a Vergonha e o orgulho.
Saída?
Safar-se.
Safadeza.

*      *      *

Há como um encurtamento
O Tempo reduz-se
E é tão doce dizer
O Tempo reduz-se
É tão triste.

Como podem ser
Ao mesmo tempo
Tristes e Doces
As coisas da vida?




*      *      *


ESCOTILHA
D NAVIO
VENDO A ILHA
SE AFASTAR

ASSIM PESSOAS
IMPORTANTES (FUNDAMENTAIS?)
NÃO FAZEM MAIS
PARTE
D NOSSAS VIDAS

ACEITAR? NÃO!
ILHAS PODEM
SEMPRE SER
REVISITADAS

QUANTO À ILHA:
BEM VINDA!


*      *      *


balbucio verdades infinitas
e me perco
só se perde o q se teve
(eu me tive?).
como sombra d nuvem
sobre o chão da selva
esqueço.
até chegar
o raio d sol.


*      *      *


um horizonte infinito d paredes
uma mulher nua por baixo das roupas
um limite q a enumeração ultrapassa
e eu, eu, tu, ela, nós, vós, eles
até quando?


Verga-Verso a Memo In-Versa


Memo ( Aminésica ) ria

empsiquisa... Mnemosina in-versa, amnésica perfila, argola em pane, não formula,
                        não pergunta, não sabe mais, não seqüência, sem respostas,
                        ejeta do acúmulo de planos, regurgita, projeta deidades
                        à revelia da mão esquerda e a torta e direita, falecem a mídia-mingua.

e no humano, eche homínimo. O ex-sistir cabe a humanidade; que vacila.

melhor mesmo que não existam deuses, deusas.

Parede grafitada, menino, moleque arteiro não sigla, não pixa, picha? - Falácia. 
Hoje mesmo vi uma, no dedo de Deus e Adão de Michelangelo no grafite do Kobra.

E agora-agora, veja o que me veio: êta moça bonita! - (toda moderninha),
               se achega, e ao ver do que-lia, brilh´olhos e lê,
               recita o qu´eu, assim das lâminas, as órficas, lia:

daí-me depressa, pois, essa água fresca
que deriva do “Lago da Memória”
eu sou filho da Terra e do Estrelado Céu
minha origem contudo é o Céu (apenas)
e disso vós sabeis. Olhai porém:
seca-me a sede, estou a sucumbir.

Aponta... e diz a boca pequena - indicador em riste
In-chiste, me indica, superior, conduz o olhar
                Três se voltam, volvem, ( “quase” não percebidos), em si mesmo;
                polegar ascende, pousa em médio, e do dedo, em seta, vejo, 
e no relevo o escrito... Arque-inscrito... Levo a desperto o dito, visto: “Atinus Cristo”.
              
Disse-me: Procure saber sobr´ele, procure o ver-dito n(d)ele...

Ah! ... Essa moça, uma gracinha essa moça...
                                 Senti-me todo metido, mergulhando em exibir-me a ela... bobeira...
                                 a sua frente, precipites, a fins de que, propicia... me receba.

           e destes múltiplos, os acúmulos e cúmulos de “memo”, que inversa aos contrários,
              distende musas, agora mula de Maia, nanica orbe de campos, ditos mórficos,
                              astralismos com ares (hades) de alcance planetário, globalizantes,
                              vergalhões de ferro, idade sombria, senhores-senhoras trevosos
                              que ainda nos apezinham... que verga o verso. a-Versa.

E hoje... os mesmos, “memos”, prós e pó; incoa:
,
“obdormisco” em sonhos... vastos.
                      
                        Minha criança chora, inconsolável; saudade de vovô.
                        Encontrando-o, (sonhando), diz ouvir dele:
                        Não fique triste, não chore assim meu amor,
                        estou bem agora, (morto), aqui, no sonho... fala:
                        Nunca, nunca antes, agora, fui tão feliz em minha “Vida”,
                        Tão belo e luminoso é aqui onde estou.

afinado aos mesmos, “memo”, ecos, rastros, indícios...
jactâncias afins, de fatigante, egrégoras ejetando giras...
giros de pseudos; deuses, deusas, demos, demais deidades, gerando planos,
astrais de mídia-extrema, mídia-gema, mídia-ex-terna, recolhe-se a mingua.

Amnésica nossa base “acasha” inflama, aquece, “acerta”...
fricciona, roça, coça, ponteia-perfilo: “mens-agem”

Pandora rina, doura, ancora risonha.

Revela e ela: tessituras de veritas, registros de percursos.
Resvala e ele: divas, dúvidas e dívidas
                          Dada nossa... Fra-gi-li-da-de
                                                                              ... Fra-gi-li-da-de...

...e levo a desperto. . . ( ? )

...ó tu pura Rainha dos que estão abaixo; ( . . . )
e demais deuses e demos: (sosseguem) – (deixem-nos em Paz)
tenha sido o Destino a me (nos) abater
ou tenham sido os Deuses imortais
ou . . . . . . . com o raio lançado pelos astros.
Transpus a triste e fatigante Roda,
com passos rápidos me encaminhei
para a Coroa desejada,
e agora chego, como suplicante
a fim de que, propícia, me receba...

e... desperto... Acordes em cadência em contínuo renovo, e de:

FATO - SONHO - BUSCA - PLANOS DE VÔO - OVO - AFETO - TATO FETO 

PLANOS DE VÔO

VIDA-LIVRO


vulnerável, frágil, mas não cessa...


e como d´antes ali... guia... erre ou acerte


aceita e se inscribe: INCIPIT VITA NOVA         
                                 

30/01/11

Hora-Ação a Sem-Hora Mater-Mundi



ache o nó da nódua sem-hora - hora-ação e Mater-Mundi 


Ó Grande Mãe, que em ti nos envolve e sus-
                            tem em porção, que aqui nos vincula e em-ti-fica, 
                                                          alenta e nos causa a trina flor da vida.


Ó Mater, a que nos agarramos e par-
                    tidos, alquebrados, nos mantemos ligados, e em que na qual rompemos
                    de semente em semente e brotamos e crescemos e pulsamos e pulsamos 
e pulsamos...


Ó àvida-Matriz, que nos gera, atomiza e afeta: nutrindo e entre-
                             tendo, afeitos e ilusos nossos seres,
                             com seus elos, seus anelos, (d´eus), de outros e eu, eu, eus... e,
                                      seus viços, seus ser-viços, viçosos,
                                      ser-viçosos... com suas benesses, seus prazeres,
                                                             deleites, esquivas e suplícios;
                             com seus desejos, seus gostos e des-gostos;
                             com quereres, com perfumes, seus aromas e sentidos,
                             com sofreres...
tanta dor, tantos riscos, triz, testes, rés, risos... suas conversas, versas, meus,
                                                                                    seus versos, e re-versos,
                             com contatos, seus tatos, seus indícios;
                             com seu cato, captos, com seus toques...
                             e tateias... e tateios e tateios...
                             sempre e sempre suas dualidades e contrastes...


Ó Mãe Natura, que aquece e humana nossas partes,
                            apazigua, refrigera nossas almas, seus efeitos, seus apuros.
                          
Nossos feitos, os teus, meus saberes, seus, meus, sabores. Apura 

                          ó mãezinha, qualifica nossas buscas, nossos encontros,
                          seus opostos, nosso alimento.


Ó Terra-Mãe, re-junta, re-une nova
                                                      mente aos teus filhos
                        porque mentem os corações, os teus frutos;
                        com-junta-nos a todos, a todos os que em ti,
esquecidos se lançam nas intermináveis espirais de seus ciclos e, contidos neles,
                       a ti regressam, habituados que ficam em estar contigo...


re-voltando e re-volvendo em ti,
                        ocupados sempre com a peleja que experimentam do e no girar
                        constante que tua roda dá. Arre... Exaustos, 
                        turbados, se deteêm em se entregar absortos
                        e distraídos a sugar de suas tetas o leite que verte 
da sagrada flor de teus seios... sem nada de-volver.


*          *          * 
Cessa agora ó Mãe os teus extremos,
                        Ó Mater cessa os teus conflitos,
                                         teus temores... 
Ela disse... / ...eu digo:
Ó Uma, com-sorte d´aquele que sem um início, deu-se, e 
    uma luz suave, "a-mim" se -presenta-, um presente, em tempo justo,
                                                                                              e a tempo, dará,
                                                                       em lugar adequado, se fará
em toque terno, (Anima-Animus) - (Eros-Psique), virá a dar-se,
e em mim, com carinho, um carinho imenso, intenso, a Ela um pulsar meigo,
leve, quente...  Um Cor-ação que agora dispara "deliciosamente", sem as costumeiras
armadilhas do apossar-se, (essas coisas nossas, nunca foram de alguém)
nada meu, nada seu, tudo sempre foi, ié nosso...
                   desde que saibamos de-volver
em vibrações, raios, tom, som e cores, de harmonias pós-conflitos,
                                                                    de muitos, por vezes, inevitável,
                                                                    de amores:
um coração dá-me, - e deu-se
e das mãos que agora argolam, contatam finalmente, emana...
na fala, no toque, no olhar, sem ontem, sem
hoje, sem amanhã... eu sei, isto incomoda, mas já, "em principio"
                                    o cultivo gradual - do eterno (?) - num só lance, num breve, 
num só peito, aqui, aí, inteiro, no exato instante que iço e a isto consentimos,
Iss(ç)o - Tudo é o que podemos ter de realmente verdadeiro aqui.
                                                            Presença-Presente, sem véus e talvez...
                                    quando nos permetimos, com, ou mesmo sem coragem,
ao Encontro "Real", possamos, então, abrigar-gostosamente- ao ontem, o hoje
                       transformado-transformando o amanhã que haverá em desvelar-se, 
e aqui, ova-mente revelar, que a vida, docemente se renova... 
                                                                                         e renascida, terna se apresenta:
                     com seus mistérios, ciclos a e em porção necessária, que nutre
                     anima, aquece e refrigera,
          causando-nos o elo, os elos,
motriz, matizes e matrizes por tanto tempo almejados, para então
                            com  Amor somar...


e então: poder lê-lo, lê-la inteira, em suas já não mais obscuras leis,
               mas: em suas "Livras"... Liberta, Liberto.


Até que nascer ou morrer, 
               não mais nos assuste,
               não mais incomode, já
               não mais nos im-porte.


...com carinho...