1 .
Escrever: - conto... um poema, uma prosa,
crônica ou não
textos - tantos e tentos ... e
seus possíveis...
Pintar: - ouvir da parede um afresco,
ouver de uma tela
tintada todo um quadro instado ao
olhar... ou ver vir dela.
Esculpir: - moldar o barro, o gesso -
fisionômicas de rostos velados
com olhos sem mirada, bustos, troncos,
corporeidades
de olhares, posturas - gestos que almejam
expressar algo ...
Compor: - música, sonoridades, toques
sonoros de notificação
mídias sonoras sintetizadas, notações
iconográficas que ao interprete
instruído viram musicalidades
permeadas de nuances sensórios.
Computar: - dados e mais dados - dado
a com-sumar, lograr
e logar em algo que ritme e capture
alguém a com-sumir.
2 .
O dito - aquém ou além dele mesmo (?)
O digo por’entre aterra - seria
dádiva - mas que entre dívidas
e dúvidas pode até ser asa ou ser arma
- que nos poucos talvez
diga algo e quando diz- diz-diz-se e
ao se desocultar subtrai
vaga e vaga por sobre a mira do dito
quando nos alcança
caso alcance - adentra, caminha por’através
e no toque
brota, intenta e fere e em face às
fases o roçar o signo-sino
ao blem-blom do digo quando emerge no
pouco de tudo
que capta e diz é cadinho por cadinho
que daqui e dali
pode até aqui ressoar e quando se achega,
pode até desatar
essas tantas amarras essas travas - couraças
instaladas
grilhões de um tempo que rompe (?) e talvez
diga diga
o digo e nada, nada mais há a dizer -
mas há - sempre há.
Nada
diz - nada a dizer - (?) - digo - coisa alguma que se diga dá liga
e
vai ou pode vir por’entre ou par’além - esse produto do oportuno
que
até pode romper o que vem de um instante que estala
no
momento que se deita à sentença e quando já aqui (in)versa
camufla
em face ao memento (lembrança) que se instala no reverso
que
versa e dita ao tento que tenta e tenta e tenta e afoito dialoga (?)
ié
só por - talvez - que se deixa traduzir, e mesmo assim quando traduz
trai,
trai e imantado tradiz ao que atraiu e do mesmo num outro se achega
chega
e se deixa dizer o que de si traz daquilo que diz e a isso iça e pode
até
dar alguma liga ao que do pré-existente parelha, se aparelham
em
coisas e mais coisas e por (in)puro que seja ou por puro pavor
que
do mesmo vá ao caos que do leque - entrópico - que se abre
se
adéquam e cristaliza gerando grades - jorros de regras ditas
civilizatórias
- regulando tantos e tontos reativas, ações falseadas
que
a torta e a direita a-destram em intermináveis métodos
de
controle à destros e sinistros (em que a origem fica perdida
na
história) - produzindo largos e longos estreitamentos de idéias
e
ideais chagas condicionantes e máculas de vivências de linguagem.
E
é na medida da pega, na cata que do mesmo - mesmo que de empréstimo
é
que quase - sempre - sujeitam o sujeito e o objeto - a-destram em catar
das
réstias o que resta de algo e dos ritmos que por fim regem e em massa
impõem
dados, dados e mais dados que aos trancos e barrancos por aqui
passam
e do mesmo que aos pedaços os percalços os dê - de um dado
uma
imagem, um som, um texto, uma voz que passe e talvez, devido
as
escolhas no-aqui, do-que-aqui expresse algo e nesse algo alcance
mesmo
por acidente - diga e par’além, diga algo e seja dito e que
do
que se diz, diga - para que o digo então baixe e se (a)presente.
Na imersão do instante... - ... que diz ...
O
dito – dito(?) luminoso - ins-pira, com-diz, in-duz e produz
e
ao produzir, ex-pira, exala, espalha doçuras, ranços e ira
e
no mergulho pode anunciar por sobre a malha do sutil
que
emerge e ainda fora do verbal, sujeita o tempo e o poema
ao
ser dito captura-o e traz pra de fora e ao dizê-lo o que vem
chega
de súbito, instaura, in-tenta e até pode dar livras ou cárceres
e
ao vê-lo – mente - inventa... Ao falar,
olhar, ao dizer, como diz
livrar-se disso tudo, livrar-se do livro ao vê-lo,
ouvir dele, lê-lo
viver em voz alta o que se lê, ouve ou
vê das coisas e não coisas
do
ocaso que acaso aqui se tocam... - ié tão frágil, tão frágil
o
que aqui insiste, ex-siste e intenta. - dada a existência.
3 .
O
existir intenta (?) insiste - dada à existência - está aqui
sempre
esteve - mas ainda não vive e no viés de tudo
que
move e se pronuncia fatalmente vive e morre.
Suposto
o espaço se deita ao linear e dá-se em tempo
tempo
que escapa e passo a passo passa e se espaça
em
tempo - tempo de antes, tempo de depois (?) e agora
agora-agora,
tempo que imprime, que oprime e ilude.
A vigorar... o in-sistir in-tenta - dado a ex-sistência
Se-se
privam (d)as significâncias - (in)voluntária os sentidos
se
embotam emoldurando o mesmo e o outro - mesm’outro
a
palavra colapsa ao pronunciar e em ondas os sentidos
turvam
as águas, não alenta e o sopro que roça a língua
oxida,
aterra a entidade viva que entra em com-bate
e
submerge ao subterrâneo da linguagem, face às fases
do
dito que brotam arremessando e se remetem a um outro
que
atabalhoada-mente e não conecta, não interagem
não
dialoga e se embolam, diabolam, sem nada, nada
com-par-trilham
e erguem-se muros, em auto-anulação
adiam
e re-jeitam-se e nada, nada tocam, ausência e deserto
labirintos
sem guia e o que pode vir da língua sobrevêm
ao
ente-vivo, inana e nada relaciona, não age, nem reage
nada
pro-move, provem e de vaga em vaga, estanca
assustado,
estagnado... e espera... espera...
Ávida
- emoldurada objeta - o mesmo e o outro num
outro
e um outro ainda - sujeito e objeto em pausa
sujeitam-se
- está aqui mas ainda não vive - obra parada
não-mirada
pendurada em parede, aprisionada em livro
fechado
não lido, estacionado em estante, vislumbres
de
idéias não dedilhadas, que não tocam, não desce
às
mãos - um quadro não visto - olvidado em parede.
Desemoldurar
o que se passa na obra que passa
que
passa a ser-para, ser-com e caminha docemente
com-vive
e circula com o que aqui vive e entre-fica.
Confinamento
espacial, represamento, tempo cristalizado
moldado
no "bi" e no “tri” dimensiona, in-siste, per-siste (?)
em
lugar criado dedicado o artífice é dado à'feitos, desde o início
tudo
aqui, temporalidade suspensa estanque em seus moldes
existência
estática - silenciosa - paciente espera...
O
perceber tangencia, com-vive e causa seus efeitos
ié
através de com-vivência prolongada que a idéia
já
múltipla, se achega e afeta, apropria-se e no tempo
discorre
e no decorrer quando emana se dá no tempo (?)
é
aí que aparenta deitar-se ao linear e aos seus efeitos
privado
de sentir, de pensar, ao expressar nada volitam
ao
se apossar à cata de algum lugar para estar - o aí
criativo
- no lugar mesmo, cria o dizer e ao dizer o dito
escondido
- bem escondidinho no digo - digo: vai para
com-para,
para-com, acende fagulhas ao se dar e dá-se
incendiando
o espaço que inter-loca e vigora e consigo
mesmo
e com o outro - com outros - com-versa.
Inventa dinâmicas, velamentos (?) e o artífice, em
perrengue estanca
e em seus modos seus moldes, hábil trama e encalacra
lugares, em lugar
de alçar vôos e se encarceram a num canto, um cantinho
- criado - qualquer
que seja, apegado em desmesurados processos que sustam
e assustado
se emprega e debruçando se deita, cessa cansa do
dito, da
fala, em dizer
o que vem dos olhos que sussurram no cantar do
digo.
Comendas,
encomendas, contendas que não dão livras, escravizam
coisicam,
não dá liga e nada, nada mais se encontra aqui de vivo.
Dentro e
fora - ao observar - quando atento - nem dentro nem fora
propriamente
alcançam as constantes inconstâncias da historia
e de seus possíveis
- e fora, lá fora - ao observar - de um lado
e de um
outro o que engendra se instala
convenientemente
voluntário - e dentro bem dentro - quando atento - observa
nas
constantes e das inconstâncias da história o que potencializa
e o que brota de seus possíveis - à vigorar - dentro e fora
Dentro
daquele que aprecia no que adentra, observa que é
devido que
é no aí de um instante que atento é que se dá
o além, o aquém do
“digo”, é ali onde a linguagem vivifica
age e gera, produz frente a presença histórica e
à vida mesma
que ora vai, que ora vem e é a “ela” com
suas vagas, vogas
sendas e giros que tudo gira e
gira, a tudo e a todos...
permeados, qualificado em ser aos
- sentidos, e de multi...
- as significações.
Se-se
privam - a vivência, aborda ou aborta, nubla ou dá estio
internam por
bem seus intentos quando apercebidos e se tocam
roçam, resvalam
e faz contato, produz, persistem, insistem
e o hábil gera
intentos, iluso
tece ao existir e nas prés e nos prós
de-ter-minam posições - aqui,
duplicidades moldam o ente vivo...
Está aqui,
sempre esteve, no aqui do aí-criativo (?) mas ainda não vive.
O início,
o meio, o fim, tudo sempre esteve ali em processo
desde o início tudo ali,
temporalidade suspensa, estanque
em modos e moldes, existência estática,
silenciosa espera
paciente em tangenciar privada de sentir, de pensar na
percepção
das coisas e se ancora onde pode e conforme as condições
dadas privam-se
por conveniência por inconsistência e convivência
prolongada e a idéia a idéia o a ideal instala-se e necessariamente
reflexiva (?) e de um só estalo e nada nada volita nem no espaço
nem em tempo pode o
aí-criativo construir o lugar essa base onde
o incriado se achega e pousa e
colhe e acolhe mesmo que subtraindo
o aqui onde o dito real ocorre, e
inevitavelmente cria a morada
que é câmbio entre o mesmo e o outro
sem que aja “diálogo”
que nos humana sucumbe
sem interlocução não há
como
se instaurar o espaço de vigor aí padece, míngua, falece.
ié - na
medida da pega, dos empréstimos do que capta e causa
efeitos múltiplos
aos passos, que dado, o alcance e os percalços
o caminhar
do digo e talvez vaze por frestas, passe por entre escolhas
que do aqui,
do mesmo, do outro se relacione e já aqui liberte ou oprima
não
importa, importa e agarra o que capta e traga pra cá o digo e diga algo
de
presente de graça e desemoldure o quê que na obra passa e passe e ser
para e caminhe
e com viva com o que em ti fique e viva… já que existe.
Sentir,
pensar, traduzir as sentenças, os diálogos e o que neles é
pronunciado: - sensações,
impressões, idéias, volições, representações
afeições e seus efeitos, seus
de-feitos e a vida, a arte em elevada esfera
e que possa no-aqui no-aí onde
in-sistimos e ex-sistimos adentre naquele
que aprecia, par’além de degustar
o degustado, mastigar o mastigado
e não estanque, nem se empanturre,
mas que, mergulhado no instante
luminoso em que observa atente; ié
no-aí que se dá quando dá-se ao além
e no aquém em que o dito diga... aí... aqui...
onde, o dito real - o digo - ocorre...
No aí, aqui,
ali, no lugar onde a linguagem ocasione e alce a existência
e vivi-fique
e aja e gere, produzindo frente a presença histórica e à vida
mesmo a
essa vida e a nossa arte, que ora vem ora vai, mesmo que subtraia
enquanto
se desoculta e assim adicione multiplicando e não nos divida
em combate
que mais valia do que vale ao aí do criativo e à criação.
- a arte não necessita ser paterna, nem materna.
(...)
* pois - então que seja - que seja mais fraterno, para que os dias
e as noites
possam ser oportunamente solidários... e ela... ele...
é ... você mesmo... mesmo que num outro... e
outro... e outro...
(...)
O que vige,
rege com suas vogas, suas vagas
suas sendas, giras e giras, giros em tudo, em todos
permeando e permeado, qualificado em ser - aos -
através dos sentido e além, par’além das muitas
múltiplas significações. - Então,
mesmo no vai e vem
então vai - vige - rege - vem em arte ao que sobe
e desce erra e
cai... Manifeste-se-o-ser - em arte
- (...)
- mesmo que em m’arte
-
(...)
- ou em outro lugar qualquer.
- minh’arte... - su’arte…
- a roçar... - a roçar-me...
- a roç’Arte...
w.a.rossatto
No recôndito ecoa a voz do universo.
O irredutível. O uno. O singular.
O tempo que condensa em si todos os tempos.
Onde o amor pelo amor do outro
é também um modo de amá-lo.
E de amar-se.
(Um olhar para além do olhar - frag. de Sérgio A. Sardi)
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