27/04/19
02/12/18
mini - mais
sabe
meu bem: - todos os unicórnios são belos? -
Mesmo aqueles, que com toda
perplexa. perplexo sino ... uma sina...
meu bem: - todos os unicórnios são belos? -
Mesmo aqueles, que com toda
sua tenebrosidade, de seus únicos
de seus olhos, olhar sanguíneo, a-ver
vir assombrar aos sapiens, humanado
ou então,
daqueles dóceis, perolizados, corcéis
em que virgens com seus toques
e inadvertidas que acabam com seus
doces afagos por atrai-los e trai-los
acalmando e os capturando por fim
ao mundo dito real.
dito assim,
no fim: - todos,
todos eles,
todos os unicórnios
são berros
meu bem...
* * *
estigma, o ( timo )
signo sino ( ao blen-blon do digo )
( caso haja mundo )
estimo.
* * *
Arquear a coisa dela!
enseta
-se
-me.
* * *
Poesia, réstia inútil
para dizer-te algo
dizer-te coisas
poesia-coisa
coisico a coisa da poesia
ou do ainda necessário
do que ainda há a dizer,
a viver - poíesis, amores
valores
digos
recados
recados de vida
vai...
o seu...
diga...
* * *
sim, Petrarca
não medra
nem pedra.
redunda em Eco.
porque claras, frescas e doces são as águas.
* * *
buraco branco
nave barco
léque
que leve...
rara ave arco que vê.
* * *
aaahhnnn...
espelia em halitual e descendente
cromatismo, quase fáustica-agonia.
Despencando...
encharcada ainda das águas
que dela brotava jorrava
de seus olhos, olhar sanguíneo, a-ver
vir assombrar aos sapiens, humanado
ou então,
daqueles dóceis, perolizados, corcéis
em que virgens com seus toques
e inadvertidas que acabam com seus
doces afagos por atrai-los e trai-los
acalmando e os capturando por fim
ao mundo dito real.
dito assim,
no fim: - todos,
todos eles,
todos os unicórnios
são berros
meu bem...
* * *
estigma, o ( timo )
signo sino ( ao blen-blon do digo )
( caso haja mundo )
estimo.
* * *
Arquear a coisa dela!
enseta
-se
-me.
* * *
Poesia, réstia inútil
para dizer-te algo
dizer-te coisas
poesia-coisa
coisico a coisa da poesia
ou do ainda necessário
do que ainda há a dizer,
a viver - poíesis, amores
valores
digos
recados
recados de vida
vai...
o seu...
diga...
* * *
sim, Petrarca
não medra
nem pedra.
redunda em Eco.
porque claras, frescas e doces são as águas.
* * *
buraco branco
nave barco
léque
que leve...
rara ave arco que vê.
* * *
aaahhnnn...
espelia em halitual e descendente
cromatismo, quase fáustica-agonia.
Despencando...
encharcada ainda das águas
que dela brotava jorrava
e assim vinha - primordiais - talvez
molhada, jamais tocada, jamais aqui
surgia como um inicio, como um indício
- uma longe - vivida recordação
ainda não deitada à vida manifesta
só ao olhar, que de súbito a detinha
assim, neste seu próprio conter-se.
perplexa. perplexo sino ... uma sina...
um sino... espiralado...
ávida e enrodilhada.
29/11/18
esse hominimoh
homino-taurus não sabe de ariadne
não sabe da teia da trama que fia e tece
fia e oculta a linha o caminho e se esconde
alinhavado ao que de antes só aparenta opção
pois cerceia cerca cega confunde e labirinta...
note...
... e anote: a dança, a da aranha e a da espada, arranha um:
(ser ou não-ser). natura um - um serzinho são... (ou não)
à (luz) sã... que a vida flua então à superação
dos obstáculos: ante a linha que te arqueia
que te verga, une, mata fomes e uma sede
uma sede, ungindo cabíveis traçando comíveis.
- ah... tantos mortais, tantos normais, tantos...
tontos, rodopiam giram já tantãs e gemem, gema
gema então peste trema, ranja, ruge e vê se tinge
logo esse rajado tigre das unhas.
A "ratio", na teia, quebra, quebra ela, quebre a linha
quebre a rinha quebra, quebre a cara, ceda à opção
mesmo que labirinte e expanda mesmo que esconda
a escolha e que flua a vida, mesmo que redunde umas...
talvez até duas ou três, quatro, cinco ou seis...
talvez até sete... sim, sete, sete é bom...
é bem sensível...
tão... duplamente sensível.
fia e oculta a linha o caminho e se esconde
alinhavado ao que de antes só aparenta opção
pois cerceia cerca cega confunde e labirinta...
note...
... e anote: a dança, a da aranha e a da espada, arranha um:
(ser ou não-ser). natura um - um serzinho são... (ou não)
à (luz) sã... que a vida flua então à superação
dos obstáculos: ante a linha que te arqueia
que te verga, une, mata fomes e uma sede
uma sede, ungindo cabíveis traçando comíveis.
- ah... tantos mortais, tantos normais, tantos...
tontos, rodopiam giram já tantãs e gemem, gema
gema então peste trema, ranja, ruge e vê se tinge
logo esse rajado tigre das unhas.
A "ratio", na teia, quebra, quebra ela, quebre a linha
quebre a rinha quebra, quebre a cara, ceda à opção
mesmo que labirinte e expanda mesmo que esconda
a escolha e que flua a vida, mesmo que redunde umas...
talvez até duas ou três, quatro, cinco ou seis...
talvez até sete... sim, sete, sete é bom...
é bem sensível...
tão... duplamente sensível.
Réstia
Poesia
réstia inútil
réstia inútil
para dizer-te algo
dizer-te coisas
poesia-a-coisa
coisar a coisa da poesia
do ainda necessário
do ainda necessário
do que ainda há a dizer
a viver.
seus amores
seus amores
seus valores
seus digos
seus recados
recados de vida, vai,
o seu digo
diga...
diga...
humana
arrolhada numa garrafa q boia
de onda em onda com algo dentro.
e diz-diz ...
... diz?
pode até ser arma
pode ser alma.
pode ser fora de tudo isto
pode ser dentro com tudo isso.
pode até ser
. . .
Imerso
imerso
adentro a casa
adentro a casa
e de mansinho
tudo parece imenso.
dado um tempo ...
- como de um costume
caio fora e me volto em arremedo.
hábito (?)
então vejo que tudo
tudo mesmo já havia sido.
- aqui...
- aqui...
as coisas
repetecam -
repetecam -
( se ) .
Burnt Norton - T. S. Eliot
Burnt Norton
Embora a razão seja comum a todos
cada um procede como se tivesse
um pensamento próprio.
T. S. Eliot - Quatro Quartetos, Burnt Norton I
O tempo passado e o tempo presente
Estão ambos talvez presentes no tempo futuro
E o tempo futuro contido no tempo passado.
Se todo tempo é eternamente presente
Todo tempo é irremediável.
O que poderia ter sido é uma abstração
Que permanece, perpétua possibilidade,
Num mundo apenas de especulação.
O que poderia ter sido e o que foi
Convergem para um só fim, que é sempre presente.
Ecoam passos na memória
Sob as galerias que não percorremos
Em direção à porta que jamais abrimos
Para o roseiral. Assim ecoam minhas palavras
Em tua lembrança.
Mas pra quê
Perturbar a poeira numa taça de folhas de rosa
Não sei.
Outros ecos
No jardim se aninham. Seguiremos?
Depressa, disse o pássaro, procura-os, procura-os
Ali no canto. Pela primeira porta,
Aberta ao nosso mundo primeiro, aceitaremos
A trapaça do torno? Em nosso mundo primeiro.
Lá estavam eles, dignificados e invisíveis,
Movendo-se imponderáveis sobre as folhas mortas,
No calor do outono, através do ar vibrante,
E o pássaro cantou, em resposta
A inescutada música imersa na folhagem.
E um raio-olhar impressentido o espaço trespassou,
[porque as rosas
Flores contempladas recordavam.
Lá estavam eles, como nossos hospedes, acolhidos e
[acolhedores.
Assim, caminhamos lado a lado, com solene postura,
Ao longo da deserta alameda, rumo à cerca de buxos
Para sondar o tanque dessangrado.
Seco o tanque, concreto seco, calcinados bordos,
E o tanque inundado pela água da luz solar,
E os lótus se erguiam, docemente, docemente,
À superfície flamejou no coração da luz,
E eles atrás de nós, no tanque refletidos.
Passou então uma nuvem, e o tanque se apagou.
Vai, disse o pássaro, porque as folhas estão cheias de
[crianças,
Maliciosamente escondidas, a reprimir o riso.
Vai, vai , vai, disse o pássaro: o gênero humano
Não pode suportar tanta realidade.
O tempo passado e o tempo futuro,
O que poderia ter sido e o que foi,
Convergem para um só fim, que é sempre presente.
Tradução de: Ivan Junqueira - Editora: Civilização Brasileira S. A.
Antropofagíaca 1
a(o)s no'velho(a)s
Quando termina isso.
Iço.
(Quando começa?)
Estamos cheios como o Interior
de uma bola; que rola...
... vazia câmara que estampi.
argola...
argole então - agora-agora -
e diz que inflama, diz que inflama
em fogo ardente, desdenhando
o foguinho alheio... mastigando
e mastigando o a muito mastigado.
ousadinho, todo moderninho. iluso
incomoda e move o que afinal, é bom vai
vá lá, meta-língua e age, germina por através
de velhas sementes com ares novos, n'ovo?
e faz agir. - aí... o podre, o murcho
as delicias ocultas do no´velho
a velha metalingu´agem que nos salva
de jocosa acidez.
e diz que inflama, diz que inflama
em fogo ardente, desdenhando
o foguinho alheio... mastigando
e mastigando o a muito mastigado.
ousadinho, todo moderninho. iluso
incomoda e move o que afinal, é bom vai
vá lá, meta-língua e age, germina por através
de velhas sementes com ares novos, n'ovo?
e faz agir. - aí... o podre, o murcho
as delicias ocultas do no´velho
a velha metalingu´agem que nos salva
de jocosa acidez.
- fogo-fátuo...
se joga e amola a faca.?. crava-a na semência
nos versos, que som-brilham o mastigado
mastigando mesmo que por crueza
ou por pura e ácida crueldade.
* tá ... a re-senha incomodou ...
aí ... re-ajo, re-clamo então.
se joga e amola a faca.?. crava-a na semência
nos versos, que som-brilham o mastigado
mastigando mesmo que por crueza
ou por pura e ácida crueldade.
* tá ... a re-senha incomodou ...
aí ... re-ajo, re-clamo então.
28/11/18
Hora ação a sem hora mater mundi
Memo ( Aminésica ) ría
empsiquisa... Mnemosine in-versa
amnésica perfila, argola em pane
não formula, não pergunta, não sabe
perde a sequencia e ejeta-se do acúmulo
de planos, regurgitando, projeta deidades
à revelia da mão esquerda e a torta
e direita falecem a mídia-míngua.
e no humano... esse homínimo.
O ex-sistir cabe a humanidade; que vacila.
melhor mesmo que não existam deuses, deusas.
Parede grafitada, menino, moleque arteiro
não sigla, não pixa, picha? Falácia.
Hoje mesmo vi uma, no dedo de Deus e Adão
de Michelangelo no grafite do Kobra.
de Michelangelo no grafite do Kobra.
e agora-agora, veja o que me veio:
êta moça bonita!
(toda moderninha), se achega e ao ver o do que-lia
brilh´olhos e lê, recita o qu´eu assim, das lâminas
- as órficas... lia: -
- as órficas... lia: -
daí-me depressa, pois,
essa água fresca que deriva do
“Lago da Memória” eu sou filho
da Terra e do Estrelado Céu
minha origem contudo é o Céu
(apenas) e disso vós sabeis.
Olhai porém: seca-me a sede
estou a sucumbir.
Aponta... e diz a boca pequena
indicador em riste in-chiste
me indica, superior, conduz o olhar
três se voltam, volvem, “quase” não percebidos
em si mesmo, polegar ascende, pousa em médio
em si mesmo, polegar ascende, pousa em médio
e do dedo, em seta, vejo, e no relevo o escrito
- Arque-inscrito...
- Arque-inscrito...
Levo a desperto o dito, visto: “Atinus Cristo”.
Disse-me: procure saber sobr'ele
procure o ver-dito dele...
Ah! ... Essa moça, uma gracinha essa moça...
todo metido, remexido, mergulhado em me exibir
a ela... é, de bobeira... a sua frente, precipites
todo afins, de que propicia... me receba.
a ela... é, de bobeira... a sua frente, precipites
todo afins, de que propicia... me receba.
e destes múltiplos, os acúmulos, cúmulos de memo
que in-versa, distende musas, argola feito
uma mula de Maya, nanica a orbe de campos
ditos mórficos, astralismos com ares (hades)
de alcance planetário, globalizantes,
vergalhões de ferro, idade sombria
que in-versa, distende musas, argola feito
uma mula de Maya, nanica a orbe de campos
ditos mórficos, astralismos com ares (hades)
de alcance planetário, globalizantes,
vergalhões de ferro, idade sombria
senhores-senhoras trevosos apezinham
e vergam o verso, a-versa.
hoje... os mesmos, “memos”, prós e pó
incoam: “obdormício” em sonhos... vastos.
Minha criança chora inconsolável ...
... saudade de vovô.
Encontrando-o, (sonhando), diz ouvir dele:
... saudade de vovô.
Encontrando-o, (sonhando), diz ouvir dele:
Não fique triste, não, não chore assim meu amor
estou bem agora, (morto), aqui, no sonho... fala:
estou bem agora, (morto), aqui, no sonho... fala:
Nunca, nunca antes fui tão feliz em minha “Vida”.
Tão belo e luminoso é aqui onde estou.
Tão belo e luminoso é aqui onde estou.
e afinado aos mesmos, “memo”, em ecos,
vive nos rastros, indícios, jactâncias afins
de fatigante egrégoras ejetando giras...
giros de pseudos-deuses, deusas, demos
vive nos rastros, indícios, jactâncias afins
de fatigante egrégoras ejetando giras...
giros de pseudos-deuses, deusas, demos
e demais deidades, gerando planos astrais
astralismos de mídia-extrema, mídia-gema
mídia-ex-terna se recolhem e minguam.
astralismos de mídia-extrema, mídia-gema
mídia-ex-terna se recolhem e minguam.
Amnésica nossa base “acasha” inflama, aquece
enceta e acerta, fricciona, roça, coça, ponteia
e perfilam: e a “mens-agem”
enceta e acerta, fricciona, roça, coça, ponteia
e perfilam: e a “mens-agem”
Pandora rina, doura, ancora risonha.
Revela e ela: tessituras de veritas
registros de percursos.
registros de percursos.
Resvala e ele:
divas, dádivas, dúvidas e dívidas
divas, dádivas, dúvidas e dívidas
dada nossa... Fragilidade...
Fra-gi-li-da-de...
Fra-gi-li-da-de...
... e levo a desperto ...
( ? )
( ? )
ó tu pura Rainha dos que estão abaixo; ( ... )
e demais deuses e demos:
(sosseguem) - (deixem-nos em paz)
tenha sido o Destino a me (nos) abater
ou tenham sido os Deuses imortais
ou... com o raio lançado pelos astros.
Transpus a triste e fatigante Roda
com passos rápidos me encaminhei
para a Coroa desejada, e agora chego
como suplicante a fim
de que propícia, me receba...
de que propícia, me receba...
e... desperto...
Acordes em cadência de contínuo renovo
e de novo:
e de novo:
FATO - SONHO - BUSCA - OVO - AFETO - TATO
FETO - PLANOS DE VOO - VIDA - DÁDIVA - LIVRO
vulnerável, frágil, não cessa...
e como d´antes ali... guia...
erre ou acerte aceita e se inscribe:
e como d´antes ali... guia...
erre ou acerte aceita e se inscribe:
Incipit Vita Nova.
e então: poder lê-lo, lê-la inteira
em suas não mais obscuras leis
mas já - em suas "Livras"...
Liberta ... - ... Liberto.
em suas não mais obscuras leis
mas já - em suas "Livras"...
Liberta ... - ... Liberto.
Até que nascer ou morrer
não mais nos assuste
não mais nos assuste
não mais incomode
já não mais nos im-porte.
já não mais nos im-porte.
Num mesmo
por vezes doído
por vezes doido
mesmo
vida é barco
viver é maré
existência...
dá no mesmo.
dá no mesmo.
num outro.
e outro e outro
e outro ainda
a um outro... outra
um encontro, com
tato, com toque
um capto.
um capto.
aí - e só aí dá-se
então, um a um
então, um a um
um por um
num mesmo...
num mesmo...
Imagem:
ship, ships, barco, barcos - B.y: A. Arman
Hábito
o halo coisa
mas não ela
ela não
por onde soa
que onda faz ressoar
pelas beiras, eiras
bordas, pontos ao centro
no amplo
por onde (?)
por onde soa
para que seja
por onde essa voz
para que 'seje'...
02/09/16
UM LANCE DE DADOS * Stéphane Mallarmé
Stéphane Mallarmé
UM LANCE DE
DADOS*
JAMAIS
MESMO
ATIRADO EM CIRCUNSTÂNCIAS ETERNAS
DO
FUNDO DUM NAUFRÁGIO
PORQUE
o Abismo
Branco
se expõe
furioso
sob uma inclinação
desesperadamente plana
d’ asa
a sua
recaída
prévia dum mal de se erguer no voo
cobrindo os
impulsos
cortando
rente os ímpetos
no âmago se resume
a
sombra que se afunda nas profundas nessa alternativa vela
para adaptar
a tal envergadura
as suas horríveis profundas como o arcaboiço
duma construção
que balança dum lado
para o outro
O MESTRE
emerge
inferindo
dessa
conflagração
que se
como
uma ameaça
o
único Número que não pode
hesita
cadáver
descartado
em
lugar
de jogar
como um velho maníaco
a partida
em nome das marés
um
naufrágio
assim
livre
dos antigos cálculos
esquecido o manobrar com a idade
outrora ele
empunhava o leme
a
seus pés
num horizonte unânime
prepara
se agita e se envolve
no punho que o ligará
ao
destino dos ventos
ser um outro
Espírito
para o Lançar
na tempestade
e redobrar a divisão e passar altivo
pelo
braço do segredo que encerra
invadiu
o comandante
correndo
pela barba submersa
vindo
do homem
sem nau
insignificante
onde será vão
ancestralmente
abrir ou não a mão
crispada
além duma cabeça inútil
legada em desaparição
a alguém ambíguo
imemorial ulterior demónio
nos
seus lugares do nada
induz
o
ancião a essa conjunção suprema com a probabilidade
o tal
da sombra pueril
acariciada
e polida aparada e lavada
amaciada pela onda e afastada
dos
ossos duros perdidos em bocejos
nascido
dum descuido
jogando
o mar por antepassado ou o antepassado contra
o mar
numa sorte
ociosa
São
núpcias
da
qual a ilusão é uma vela solta obcecada
com
o fantasma dum gesto
que oscila até cair
na loucura
NÃO ABOLIRÁ
TAL COMO
Uma insinuação
ao silêncio
em algo próximo
esvoaça
simples
envolta em ironia
ou
precipitado
uivado
mistério
dum turbilhão hilariante e horrível
em redor do abismo
sem nele se fixar
nem fugir
a embalar todo o indício virgem
TAL COMO
perdida solitária pena
Salvo
quando o encontro ou o aflorar do toque
da meia-noite a deixa
imóvel
no veludo amarrotado por um riso sombrio
essa brancura rígida
irrisória
que se opõe ao céu
demasiado
para que não deixe marcas
exíguas
em qualquer
amargo príncipe de escolhos
e que disso se enfeita como de irresistível
heroísmo que sabe contido
pela sua curta e viril razão
em cólera
inquieto
expiatório e púbere
calado
A
lúcida e senhorial crista
na fonte invisível
cintila
e depois sombreia
uma estatura gentil e tenebrosa
na sua torção de sereia
através de impacientes escamas
Riso
que
Se
de vertigem
de pé
o
tempo
de esbofetear
bifurcadas
numa rocha
falsa
mansão
evaporada na bruma
que impôs
fronteiras ao infinito
ERA
de origem estelar
Ou SERIA
pior
nem mais
nem menos
indiferentemente
mas tanto
O NÚMERO
SE EXISTISSE
diverso da alucinação esparsa da agonia
COMECASSE OU FINDASSE
ensucedor e não negado e preso quando aparecesse
enfim
através duma
profusão ampliada e rara
SE CONTASSE
Como evidência da soma pouca uma
SE ILUMINASSE
O ACASO
Cai
a pena
rítmica suspensa do sinistro
para se afundar
na espuma original
recente onde explode o delírio até ao cimo
desvanecido
pela neutralidade idêntica do abismo
NADA
da memorável crise
em
que teve lugar
o
acontecimento
havido
em vista de qualquer
resultado
nulo
humano
TERÁ TIDO LUGAR
uma simples ascensão na direcção
da ausência
SENÃO
O LUGAR
inferior
marulhar como
para
dispersar um acto vazio
abruptamente
e
através da mentira
decidir
a sua perdição
nestas
paragens
do vago
em que toda a realidade se dissolve
EXCEPTO
a altitude
TALVEZ
tão longe como
o lugar
que
com o além se funde
longe do interesse
que em geral se lhe assinala
segundo
esta obliquidade ou aquela
delectividade
de fogos
para esse lugar que deve ser
o Setentrião também chamado Norte
UMA CONSTELAÇÃO
arrefece no olvido e no
desuso
mesmo que ela enumere
em qualquer vaga e superior superfície
o choque sideral e sucessivo
do cálculo total em formação
velando
duvidando
brilhando e meditando
antes de se deter
em qualquer ponto derradeiro que o sagra
Todo o Pensamento
produz um Lance de Dados
_______________________
*POEMA PUBLICADO NA VERSÃO PORTUGUESA EM «A TARDE
DUM FAUNO» E «UM LANCE DE DADOS» PELA EDITORA RELÓGIO D'ÁGUA
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