02/12/18

mini - mais

sabe 
meu bem: - todos os unicórnios são belos? - 
                   
                   Mesmo aqueles, que com toda 
                   sua tenebrosidade, de seus únicos
                   de seus olhos, olhar sanguíneo, a-ver 
                   vir assombrar aos sapiens, humanado 
ou então,
                   daqueles dóceis, perolizados, corcéis
                   em que virgens com seus toques 
                   e inadvertidas que acabam com seus 
                   doces afagos por atrai-los e trai-los 
                   acalmando e os capturando por fim
                   ao mundo dito real.
dito assim,
                   no fim: - todos, 
                                   todos eles, 
                                   todos os unicórnios
                   são berros 
                   meu bem...

*      *      *


estigma, o                 ( timo )


signo sino       ( ao blen-blon do digo )


                        ( caso haja mundo )


estimo.



*      *      *



Arquear a coisa dela!               

                             enseta
                                        -se
                                        -me.

*      *      *


Poesia, réstia inútil

                     para dizer-te algo
                             dizer-te coisas
poesia-coisa
           coisico a coisa da poesia 
                                      ou do ainda necessário
                                           do que ainda há a dizer,
                       a viver - poíesis, amores
                                                 valores
                                                 digos
                                                 recados
                                                 recados de vida     
                       vai... 
                                                 o seu... 
                       diga...

*      *      *


sim, Petrarca
        não medra
        nem pedra.
        
redunda em Eco.

porque claras, frescas e doces são as águas.


*      *      *


buraco branco

             nave barco
                      léque 
                      
                      que leve...

rara ave arco que vê.


*      *      *


aaahhnnn... 


espelia em halitual e descendente 

cromatismo, quase fáustica-agonia. 
                                    
                                    Despencando...

encharcada ainda das águas

que dela brotava jorrava 
e assim vinha - primordiais - talvez 
molhada, jamais tocada, jamais aqui 
surgia como um inicio, como um indício 
- uma longe - vivida recordação 
ainda não deitada à vida manifesta 
só ao olhar, que de súbito a detinha 
assim, neste seu próprio conter-se. 

perplexa. perplexo sino ... uma sina... 
um sino... espiralado... 

ávida e enrodilhada. 

29/11/18

esse hominimoh

                                    
   

homino-taurus não sabe de ariadne 
não sabe da teia da trama que fia e tece 
fia e oculta a linha o caminho e se esconde 
alinhavado ao que de antes só aparenta opção
pois cerceia cerca cega confunde e labirinta... 

note... 

... e anote: a dança, a da aranha e a da espada, arranha um: 
(ser ou não-ser). natura um - um serzinho são... (ou não)

à (luz) sã... que a vida flua então à superação
dos obstáculos: ante a linha que te arqueia 
que te verga, une, mata fomes e uma sede
uma sede, ungindo cabíveis traçando comíveis.

- ah... tantos mortais, tantos normais, tantos...

tontos, rodopiam giram já tantãs e gemem, gema
gema então peste trema, ranja, ruge e vê se tinge 
logo esse rajado tigre das unhas.

A "ratio", na teia, quebra, quebra ela, quebre a linha
quebre a rinha quebra, quebre a cara, ceda à opção
mesmo que labirinte e expanda mesmo que esconda 
a escolha e que flua a vida, mesmo que redunde umas... 
talvez até duas ou três, quatro, cinco ou seis... 
talvez até sete... sim, sete, sete é bom... 

é bem sensível... 

tão... duplamente sensível.

Réstia

Poesia

réstia inútil
para dizer-te algo
dizer-te coisas

poesia-a-coisa

coisar a coisa da poesia 
do ainda necessário

do que ainda há a dizer

a viver. 
 

seus amores
seus valores
seus digos 
seus recados

recados de vida, vai, 

o seu digo

 diga...


humana


humana ilha q vasa e vaga
arrolhada numa garrafa q boia 
de onda em onda com algo dentro.

e diz-diz ... 

... diz?

pode até ser arma 
pode ser alma.

pode ser fora de tudo isto
pode ser dentro com tudo isso. 

pode até ser
. . .

Imerso


imerso 
adentro a casa 

de mansinho 

tudo parece imenso.

dado um tempo ... 

como de um costume 

caio fora e me volto em arremedo. 

hábito (?)

então vejo que tudo
tudo mesmo já havia sido. 

- aqui...

as coisas
repetecam -
( se ) .

Burnt Norton - T. S. Eliot

Burnt Norton

Embora a razão seja comum a todos 
cada um procede como se tivesse 
um pensamento próprio.
T. S. Eliot - Quatro Quartetos, Burnt Norton I

O tempo passado e o tempo presente
Estão ambos talvez presentes no tempo futuro
E o tempo futuro contido no tempo passado.
Se todo tempo é eternamente presente
Todo tempo é irremediável.
O que poderia ter sido é uma abstração
Que permanece, perpétua possibilidade,
Num mundo apenas de especulação.
O que poderia ter sido e o que foi
Convergem para um só fim, que é sempre presente.
Ecoam passos na memória
Sob as galerias que não percorremos
Em direção à porta que jamais abrimos
 Para o roseiral. Assim ecoam minhas palavras
Em tua lembrança.
Mas pra quê
Perturbar a poeira numa taça de folhas de rosa
Não sei.
                              Outros ecos
No jardim se aninham. Seguiremos?
Depressa, disse o pássaro, procura-os, procura-os
Ali no canto. Pela primeira porta,
Aberta ao nosso mundo primeiro, aceitaremos
A trapaça do torno? Em nosso mundo primeiro.
Lá estavam eles, dignificados e invisíveis,
Movendo-se imponderáveis sobre as folhas mortas,
No calor do outono, através do ar vibrante,
E o pássaro cantou, em resposta
A inescutada música imersa na folhagem.
E um raio-olhar impressentido o espaço trespassou,
                                                 [porque as rosas
Flores contempladas recordavam.
Lá estavam eles, como nossos hospedes, acolhidos e
              [acolhedores.
Assim, caminhamos lado a lado, com solene postura,
Ao longo da deserta alameda, rumo à cerca de buxos
Para sondar o tanque dessangrado.
Seco o tanque, concreto seco, calcinados bordos,
E o tanque inundado pela água da luz solar,
E os lótus se erguiam, docemente, docemente,
À superfície flamejou no coração da luz,
E eles atrás de nós, no tanque refletidos.
Passou então uma nuvem, e o tanque se apagou.
Vai, disse o pássaro, porque as folhas estão cheias de
                                                           [crianças,
Maliciosamente escondidas, a reprimir o riso.
Vai, vai , vai, disse o pássaro: o gênero humano
Não pode suportar tanta realidade.
O tempo passado e o tempo futuro,
O que poderia ter sido e o que foi,
Convergem para um só fim, que é sempre presente.

Tradução de: Ivan Junqueira - Editora: Civilização Brasileira S. A.

Antropofagíaca 1

                                   
a(o)s no'velho(a)s

Quando termina isso.
               Iço.
           
                              (Quando começa?)

           
Estamos cheios como o Interior 
de uma bola; que rola...

... vazia câmara que estampi.


argola... 

argole então - agora-agora -
e diz que inflama, diz que inflama 
em fogo ardente, desdenhando 
o foguinho alheio... mastigando 
e mastigando o a muito mastigado.

ousadinho, todo moderninho. iluso

incomoda e move o que afinal, é bom vai
vá lá, meta-língua e age, germina por através 
de velhas sementes com ares novos, n'ovo? 
e faz agir. - aí... o podre, o murcho
as delicias ocultas do no´velho
a velha metalingu´agem que nos salva 
de jocosa acidez.   

-   fogo-fátuo...
                   
se joga e amola a faca.?. crava-a na semência
nos versos, que som-brilham o mastigado  
mastigando mesmo que por crueza 
ou por pura e ácida crueldade.

tá ... a re-senha incomodou ... 
         aí ... re-ajo, re-clamo então. 
                 

28/11/18

Hora ação a sem hora mater mundi

Memo ( Aminésica ) ría


empsiquisa... Mnemosine in-versa
amnésica perfila, argola em pane
não formula, não pergunta, não sabe
perde a sequencia e ejeta-se do acúmulo
de planos, regurgitando, projeta deidades
à revelia da mão esquerda e a torta
e direita falecem a mídia-míngua.

e no humano... esse homínimo.

O ex-sistir cabe a humanidade; que vacila.

melhor mesmo que não existam deuses, deusas.

Parede grafitada, menino, moleque arteiro
não sigla, não pixa, picha? Falácia.
Hoje mesmo vi uma, no dedo de Deus e Adão 
de Michelangelo no grafite do Kobra.

e agora-agora, veja o que me veio:

êta moça bonita! 
(toda moderninha), se achega e ao ver o do que-lia
brilh´olhos e lê, recita o qu´eu assim, das lâminas 
- as órficas... lia: -

daí-me depressa, pois,
essa água fresca que deriva do
“Lago da Memória” eu sou filho
da Terra e do Estrelado Céu
minha origem contudo é o Céu
(apenas) e disso vós sabeis.
Olhai porém: seca-me a sede
estou a sucumbir.

Aponta... e diz a boca pequena
indicador em riste in-chiste
me indica, superior, conduz o olhar
três se voltam, volvem, “quase” não percebidos
em si mesmo, polegar ascende, pousa em médio
e do dedo, em seta, vejo, e no relevo o escrito 

- Arque-inscrito... 

Levo a desperto o dito, visto: “Atinus Cristo”. 

Disse-me: procure saber sobr'ele
procure o ver-dito dele...

Ah! ... Essa moça, uma gracinha essa moça...
todo metido, remexido, mergulhado em me exibir 
a ela... é, de bobeira... a sua frente, precipites 
todo afins, de que propicia... me receba.

e destes múltiplos, os acúmulos, cúmulos de memo
que in-versa, distende musas, argola feito 
uma mula de Maya, nanica a orbe de campos
ditos mórficos, astralismos com ares (hades
de alcance planetário, globalizantes, 
vergalhões de ferro, idade sombria
senhores-senhoras trevosos apezinham
e vergam o verso, a-versa.

hoje... os mesmos, “memos”, prós e pó
incoam: “obdormício” em sonhos... vastos.

Minha criança chora inconsolável ... 
... saudade de vovô. 
Encontrando-o, (sonhando), diz ouvir dele:
Não fique triste, não, não chore assim meu amor 
estou bem agora, (morto), aqui, no sonho... fala: 
Nunca, nunca antes fui tão feliz em minha “Vida”. 
Tão belo e luminoso é aqui onde estou.

e afinado aos mesmos, “memo”, em ecos, 
vive nos rastros, indícios, jactâncias afins
de fatigante egrégoras ejetando giras... 
giros de pseudos-deuses, deusas, demos
e demais deidades, gerando planos astrais 
astralismos de mídia-extrema, mídia-gema
mídia-ex-terna se recolhem e minguam.

Amnésica nossa base “acasha” inflama, aquece
enceta e acerta, fricciona, roça, coça, ponteia 
e perfilam: e a mens-agem

Pandora rina, doura, ancora risonha.

Revela e ela: tessituras de veritas
registros de percursos.

Resvala e ele: 
divas, dádivas, dúvidas e dívidas
dada nossa... Fragilidade... 

Fra-gi-li-da-de...

... e levo a desperto ... 

( ? )

ó tu pura Rainha dos que estão abaixo; ( ... )
e demais deuses e demos:
(sosseguem) - (deixem-nos em paz)
tenha sido o Destino a me (nos) abater
ou tenham sido os Deuses imortais
ou... com o raio lançado pelos astros.
Transpus a triste e fatigante Roda
com passos rápidos me encaminhei
para a Coroa desejada, e agora chego
como suplicante a fim 
de que propícia, me receba...

e... desperto...

Acordes em cadência de contínuo renovo
e de novo:

FATO - SONHO - BUSCA - OVO - AFETO - TATO
FETO - PLANOS DE VOO - VIDA - DÁDIVA - LIVRO

vulnerável, frágil, não cessa... 
e como d´antes ali... guia... 
erre ou acerte aceita e se inscribe

Incipit Vita Nova.

e então: poder lê-lo, lê-la inteira
em suas não mais obscuras leis 
mas já - em suas "Livras"... 

Liberta ... - ... Liberto.

Até que nascer ou morrer 
não mais nos assuste
não mais incomode
já não mais nos im-porte.

A-mar




labirintos ou desertos. 

o horror a que o abismo nos inclina;
amar a ilhas e não a mares. 


Num mesmo


por vezes doído
por vezes doido 
mesmo

vida é barco
viver é maré 
existência... 
dá no mesmo.
num outro. 

e outro e outro
e outro ainda
a um outro... outra
um encontro, com
tato, com toque 
um capto.

aí - e só aí dá-se
então, um a um  
um por um 
num mesmo...



Imagem:
ship, ships, barco, barcos - B.y: A. Arman

Hábito

o halo coisa
mas não ela
ela não

por onde soa
que onda faz ressoar

pelas beiras, eiras
bordas, pontos ao centro
no amplo

por onde (?)

por onde soa
para que seja

por onde essa voz
para que 'seje'...

Viço




batismo alado




minha menina, mãe 
de meninas e um menino
planta borboletas no quintal
e - em segredo - silenciosamente
sua horta floresce.

antes do primeiro voo
nos dão sangue 
de batismo alado. 

então
quieto... quietinho

sorrio


02/09/16

UM LANCE DE DADOS * Stéphane Mallarmé

Stéphane Mallarmé 

UM LANCE DE DADOS*

JAMAIS

MESMO ATIRADO EM CIRCUNSTÂNCIAS ETERNAS

DO FUNDO DUM NAUFRÁGIO

PORQUE
            o Abismo

Branco
            se expõe
                        furioso

                                   sob uma inclinação
                                               desesperadamente  plana
                                                                                             d’ asa
                                                                                 
                                                                                              a sua

recaída prévia dum mal de se erguer no voo
                                    cobrindo os impulsos
                                               cortando rente os ímpetos

            no âmago se resume

a sombra que se afunda nas profundas nessa alternativa vela

                        para adaptar
                                   a tal envergadura
           
                as suas horríveis profundas como o arcaboiço

                        duma construção
                 que balança dum lado
                                               para o outro


            O MESTRE

emerge
            inferindo

                                                                                              dessa conflagração

                                                                                                                      que se

                                                                                 
como uma ameaça

o único Número que não pode


hesita
cadáver descartado
em lugar
            de jogar
                        como um velho maníaco
                                               a partida
                                   em nome das marés

um


naufrágio assim
livre dos antigos cálculos
       esquecido o manobrar com a idade

           
                        outrora ele empunhava o leme

a seus pés
            num horizonte unânime
prepara
            se agita e se envolve
                        no punho que o ligará
ao destino dos ventos

            ser um outro

                        Espírito
                                   para o Lançar
                                                           na tempestade
                                               e redobrar a divisão e passar altivo

pelo braço do segredo que encerra





invadiu o comandante
correndo pela barba submersa

vindo do homem

            sem nau
                        insignificante
                                               onde será vão

ancestralmente abrir ou não a mão
                                               crispada
                                   além duma cabeça inútil

            legada em desaparição
           
                                               a alguém ambíguo

                                           imemorial ulterior demónio

nos seus lugares do nada

                                   induz
o ancião a essa conjunção suprema com a probabilidade

                                    o tal
                                          da sombra pueril
acariciada e polida aparada e lavada
                                   amaciada pela onda e afastada
                                     dos ossos duros perdidos em bocejos

                                               nascido
                                                           dum descuido
jogando o mar por antepassado ou o antepassado contra
                                    o mar
                        numa sorte ociosa

São núpcias

da qual a ilusão é uma vela solta obcecada
com o fantasma dum gesto

            que oscila até cair
           
                                               na loucura









NÃO ABOLIRÁ




TAL COMO
Uma insinuação

ao silêncio




em algo próximo

esvoaça

simples

envolta em ironia
                        ou
                                   precipitado
                                                           uivado
                                                                       mistério

dum turbilhão hilariante e horrível

em redor do abismo
                                   sem nele se fixar
                                                           nem fugir
                                  
a embalar todo o indício virgem
                      
                                                                      TAL COMO





perdida solitária pena






                                                                                  Salvo
quando o encontro ou o aflorar do toque
da meia-noite a deixa
                        imóvel
                        no veludo amarrotado por um riso sombrio

                       
essa brancura rígida

irrisória
                                   que se opõe ao céu
            demasiado
                                   para que não deixe marcas
                                                                       exíguas
                                                                                  em qualquer
                                   amargo príncipe de escolhos

                                   e que disso se enfeita como de irresistível
                                                           heroísmo que sabe contido
                                               pela sua curta e viril razão
                                                                                              em cólera



inquieto
            expiatório e púbere
                                                           calado





            A lúcida e senhorial crista
na fonte invisível
                                                                                              cintila
e depois sombreia
uma estatura gentil e tenebrosa
na sua torção de sereia

através de impacientes escamas





                                   Riso
                                               que
                                              
                                                           Se


de vertigem


de pé
           
            o tempo
                        de esbofetear
bifurcadas

                        numa rocha

            falsa mansão

                                   evaporada na bruma

                        que impôs
                                   fronteiras ao infinito



ERA
de origem estelar


Ou SERIA
            pior
                        nem mais
                                   nem menos     
                                               indiferentemente
                                                                       mas tanto

           
                                              

                                                                                  O NÚMERO

                                                           SE EXISTISSE
diverso da alucinação esparsa da agonia

                                    COMECASSE OU FINDASSE
ensucedor e não negado e preso quando aparecesse
                                   enfim
                        através duma profusão ampliada e rara
                                                                       SE CONTASSE

Como evidência da soma pouca uma
                                                                       SE ILUMINASSE

                       
                                    O ACASO

Cai
        a pena
            rítmica suspensa do sinistro
                                                          para se afundar
                                   na espuma original
            recente onde explode o delírio até ao cimo
                                               desvanecido
                                   pela neutralidade idêntica do abismo




NADA


                           da memorável crise
 em que teve lugar
o acontecimento
havido em vista de qualquer
resultado nulo
                        humano

                                               TERÁ TIDO LUGAR
                        uma simples ascensão na direcção
                        da ausência

SENÃO O LUGAR   
inferior marulhar como
para dispersar um acto vazio
            abruptamente
            e
          através da mentira
                         decidir
               a sua perdição

nestas paragens
                        do vago

                                               em que toda a realidade se dissolve

EXCEPTO
                        a altitude
                                               TALVEZ
                                                                       tão longe como
                                                                                              o lugar

que com o além se funde
                                   longe do interesse
                                   que em geral se lhe assinala
segundo esta obliquidade ou aquela
delectividade
                        de fogos

            para esse lugar que deve ser
                        o Setentrião também chamado Norte

                                               UMA CONSTELAÇÃO

                        arrefece no olvido e no desuso
                                                           mesmo que ela enumere
                                   em qualquer vaga e superior superfície
                                                           o choque sideral e sucessivo
                                   do cálculo total em formação

velando
            duvidando
                                   brilhando e meditando

                                                           antes de se deter
                                   em qualquer ponto derradeiro que o sagra

                                   Todo o Pensamento produz um Lance de Dados


_______________________


*POEMA PUBLICADO NA VERSÃO PORTUGUESA EM «A TARDE DUM FAUNO» E «UM LANCE DE DADOS» PELA EDITORA RELÓGIO D'ÁGUA