[ fiação ] - tema e variações
deitar horizontes no traçado pela tela
dispor os fios desatando os nós adquiridos
esparramados pela teia atando à urdidura
do início ao fim - e que figuradamente quase
sempre por um fio e que vai demarcando
todo corpo e todo o rosto ao drama das linhas.
aqui e ali - eventualmente - até pode convergir
e se conformar - entrelaçando ação e reação
que por entre atos e roteiros - cena a cena
adornam repetidas vezes enredos e tramas.
e que de percurso em percurso percorridos
e que por dentre as tramas e os tantos fragmentos
recolhidos e acolhidos e que agora se desdobram
e por uma infinidade de variadas atuações
se desenrolam e adestram se adentram
por alinhavos condicionantes dado às tramas
impregnando todo o tecido dos sentidos.
- todos eles - conforme os passos
adaptadas continuamente ao drama das linhas
e das tantas cenas - cenas e mais cenas dentre
os tantos fragmentos e peças compiladas
que pelo corpo demarca as atuações e escolhas
por todo o fino tecido dos sentidos - todos eles.
- conforme os passos - porque aqui não é aqui.
pode ser que com o tempo e assim até se entretenham e convirjam
sobre alguns assuntos e temas dando liga aos elos - entre eles e elas.
e assim talvez se atrelem e se encontrem pelos seus tantos passatempos
e que se acaso ocorra e possa e venha a uns e outros querer e poder narrar
através de uma variedade de lembranças e contações histórias.
Urdir - dispor e alinhavar os fios camada por camadas
por dentre os tantos fragmentos entrelaçados
e permeados por todo o tecido dos sentidos.
- todos eles - conforme os passos.
que sobre os dramas e todo trama continuamente adaptada
e encenada mais ou menos com um certo desempenho pelo traçado
em que assim se atrelem e descaradamente mintam sinceramente entre si.
é natural que mintam e redundem pelos enredos e se conformem
entretecendo toda a trama que pouco a pouco dê ao traçado das atuações
demarcando profundos traços pelo campo às linhas do rosto.
assim ... natural que mintam - sinceramente - entre si.
e que aqui e ali redundem em seus passatempos
que na passagem e rolagem dos ciclos e caminhos
percorridos pelo logro e ao longo do tempo.
o tempo fala-corre-kala-passa
num tempo que a tudo devora.
pode até ser que em algum momento se cruzem
e assim venham a se entreter mutuamente.
e que se consiga - aqui-e-ali e se entrelacem entre estórias
histórias, narrativas e inventivas que talvez possam até se entrecruzar
talvez por uma infinidade de animadas e variadas histórias
de passatempos e desfrutes passados e contados sobre um tempo
e num lugar de um tempo deluso e já a muito sem tempo nem lugar.
- em lugar nenhum.
o tempo é um presente
um instante que nos capta,
que nos cata e que nos agora.
ié neste agora - que nos agora-agora
que ele chega a ser um lugar num tempo
um lugar onde se pode e tudo se passa
assim e ao mesmo tempo de tudo que foi é e será
um tempo em que se possa ter tudo que se passa
e quando assim passa já nem é mais tempo - tempo algum - e sim
e muito mais uma lembrança do que foi e que agora de novo é - será (?).
em algum tempo que quando quase chega
até chega a ser algo alguma coisa que valha
que passa só por um instante que chega
e nos agora em um sem-tempo que passa.
e o poema
o poema é ourivesaria
sem lapidação e artesania inventiva
não passa de um amontoado
de bugigangas ego-pessoisticas.
- mas esse ...
essa ...
só agora
agora-agora
chega pr'esse lado.
lembro (?) ...
entre-tecer
Urdir - dispor fio a fio os fios e deitar horizontes pela tela
alinhavar os trajetos delinear os traçados e excertos
e entretecer pela teia alinhando tons de cores e entretons
os cortes e estilos - talvez por conveniência e emendas diversas
e desenrolar os enredos ampliar e dar às nuances e matizes
as devidas texturas sejam em superfície ou em profundidade
dado aos cenários montados às cenas e aos personagens que passam
e repassam seus papeis e das tantas e tantas vezes desempenham
e encenam pelo palco esse drama das tantas linhas de atuações.
e sem que se perceba quase sem querer navegar por através de tantos nós
pelo traçado e por entre os tons e matizes em gradações variadas cores
que se alternam aos planos de atuação cena a cena impressas pela fatcha.
e de cara e pau a pau na construção e montagem da arena dos blocos
do tablado do palco dos cenários continuamente ajustados ao drama
das linhas e das atuações que no toque-retoque das feições do gosto
ñ-gosto numa trama sem asa ave ou voo pela fina película da 4ª parede
no palco rosto e no andar das audiências apresentadas e antes das cortinas
se fecharem de vez e cansado do monta e desmonta dos cenários
e camadas tecidas entre os atos e as cenas por entre suas idas e vindas.
isso gruda feito na gente gosma
feito um visgo no delicado quadro da memória.
conforme os passos no tecido dos sentidos.
- todos eles.
e dentre tantos fragmentos que se desdobram
- conforme os passos e os escolhos.
talvez entre-ter-se pelos meios e em meio a toda essa balburdia tecer
um lugar - pedacinho por pedacinho - um pedacinho aqui um tiquinho
ali ou do lado de um lá um lugar que de tão obvio e de tão longe-perto
mesmo que seja um lugar comum e numa confortável e boa narrativa linear
num lugar qualquer que se queira - ou seja lá aonde isso for e por entre
e pelas beiras jogar papo-furado e com-versa fora toda a linearidade
comum das frases e citações de tudo que adestra e enreda se trançando
todo pelo novelo no suposto terrível débito geracional que corre
pela infinidade de lembranças amontoadas em torno duns sujeitos
e objetos usados e utensílios de prestação de serviços dizer da variedade
mutante das preposições e passatempos constantemente adaptados
e impressos em arranjos e conjugações indefinidas pela memória
e poder e dizer tudo ou quase tudo numa boa e longa conversa.
quem sabe talvez através de boas inventivas - históricas ou egóicas.
- eu isso - eu aquilo - aqueloutro
- sejam elas contadas - digo: ditas num dito
- escrito ou falada em alto e animado bom tom
logo após um sonho uma fábula fantasiosa uns
devaneios ou um bom conto de realismo fantástico
ou coisa parecida pelas onírica e em tudo que se passa
numa roda com-par-trilhando contação de estórias.
- conforme os passos.
ié natural que se liguem
e se atrelem
e se conectem
pelos percursos.
e - mintam
- sinceramente
entre si.
talvez tudo isto seja devido a incomensurável bagunça
e da quantidade acumulada de roteiros que se enroscam
e se entrelaçam pela coleção das atuações mecanicamente
encenadas e que de cena em cena vão se aderindo na gente
feito um grude uma gosmenta reapresentação que ao longo
do tempo prega uma peça danada na gente.
Urdir ... e alinhavar pelos meios e em meio aos traçados
nuances e cores estampadas por camadas e camadas da trama
e os nós na textura na teia que pelo decurso cosido e pelos nós
dados pelo caminho neste dramático e meloso percurso das linhas.
e mesmo que redundem seus enredos pelas narrativas e se com-formem
e convirja pelas inventivas e recriem ou reformem seus assuntos e temas
e conjuntamente tramem e se distraiam se entretecendo.
talvez assim cheguem a crer que ainda possa haver - seja aqui seja acolá
um ali - onde ainda haja alguns possíveis elos entre elas e eles - e assim
quem sabe - pode até ser que ambos se entretenham - conforme os passos.
e por entre os ciclos de passagem em passagem e por cenas e mais cenas
repetequem e quiquem durante todo o giro da roda que a tudo ourobora
e vinca todo o rosto com profundo traços e sulcos de rugosidades.
Dançou velhinho - Então... dance . dance .. dance ... e dance.
natural que redunde pelos enredos - e minta - aqui e ali e convirja ora cá
ora lá pelo traçado de seus passatempos essa sede constante tanto tempo
cultivada esta fome insaciável esse apetite descomedido em degustar
e degustar e entorpecido tateia e tateia de encontro a encontro por ciclos
e ciclos ao longo do tempo que e no meio do caminho cristaliza
e se com-forma e de tempo em tempos se põe paralisado e de pavor
e tédio se digladia com as coisas e seus monstros e se cagando de medo
com-sabe-se-lá-o-que - que - agora - e ainda- pode surgir logo ali a frente.
talvez - assim - venham a se entre-ter
mais entrelaçando assuntos e temas.
e convirja pelas inventivas e recriem ou reformem seus assuntos e temas
e conjuntamente tramem e se distraiam se entretecendo.
talvez assim cheguem a crer que ainda possa haver - seja aqui seja acolá
um ali - onde ainda haja alguns possíveis elos entre elas e eles - e assim
quem sabe - pode até ser que ambos se entretenham - conforme os passos.
e por entre os ciclos de passagem em passagem e por cenas e mais cenas
repetequem e quiquem durante todo o giro da roda que a tudo ourobora
e vinca todo o rosto com profundo traços e sulcos de rugosidades.
Dançou velhinho - Então... dance . dance .. dance ... e dance.
natural que redunde pelos enredos - e minta - aqui e ali e convirja ora cá
ora lá pelo traçado de seus passatempos essa sede constante tanto tempo
cultivada esta fome insaciável esse apetite descomedido em degustar
e degustar e entorpecido tateia e tateia de encontro a encontro por ciclos
e ciclos ao longo do tempo que e no meio do caminho cristaliza
e se com-forma e de tempo em tempos se põe paralisado e de pavor
e tédio se digladia com as coisas e seus monstros e se cagando de medo
com-sabe-se-lá-o-que - que - agora - e ainda- pode surgir logo ali a frente.
talvez - assim - venham a se entre-ter
mais entrelaçando assuntos e temas.
e meio sem querer acabe dando alguma liga aos elos
e em meio a algum momento pelas narrativas
que entrecruzam entre elas e eles com alguma coisa
que valha algo pela infinidade dos possíveis
e variados passatempos e lembranças
conseguir e poder enfim contar pr’alguém
suas utopias fantasias e estórias
permeando algum sentido às vagas
sem nenhum destino ou rumo certo.
mas essa ... só agora - agora-agora chega pr'esse lado
é que ela ... quando vinha - vinha-vindo devagarinho
e a algum tempo e pouco a pouco foi chegando de mansinho.
Lembro (?) ...
entre-ter ...
enredar
e dar sentido
aos fios que se entre-cruzam
- fio-a-fio.
e fiar ...
fiar ...
a tudo fiar.
dar alinhavos
e liga às afeições
e a tudo que ela.
e ele a elas e eles.
e cerzir as tramas
uma a uma.
e por entre os atos ...
ao drama das linhas.
caseando cena-a-cena
buscando um lugar
um lugar pra gente habitar.
um lugar pra gente ficar.
isso fisga
fixa
se ancora
na gente que só.
isto finca
pega na gente.
parece alocar.
talvez por hábito.
d’assim - : - se-se começa a querer
a dar um jeito neste bololô
nesse amontoado de coisas
que vai se juntando.
- e quem sabe
dardar um tino
a esses tantos quereres
e dar um bom fim
a tudo isso.
e vá lá vai ... vai que pelo entrelaçado desse emaranhado todo que parte
e em pedaços que destes dardos que aqui e acolá se encetam consiga
por fim lançá-las pr’outras bandas
longe daqui
pr’outro lugar.
mesmo que seja pro raio que o parta.
assim ... e por vezes ... várias ...
nest’afasia ... caso se dê conta ou se lembre
de que alguma outra que dê liga
ou de um outro que acaso cause
um caso ou um causo que muito se queira.
e caso consiga e se lembre e conte
e ao contar-conte tudo aquilo
que ainda permanece envolto em nós
e disto tudo que ainda - em nós nasce e brota
e em tudo que ainda surge possa e emposse
e se demore um pouco mais por aqui
e no entorno-entorne e acene e siga
e rompa fio-a-fio dessa teia que se enlaça
e sem nenhum arrodeio chega e força a entrada
e toda aderente se fixa e fica incrustada na gente.
o que é e bem que pode ser bem mais que uma saída.
ou que desencasula e faça com que a gente ali fique.
e feito uma mariposa que no escape e logo após romper sua crisálida
seduzida e toda deslumbrada fique esvoaçando em torno
de uma lâmpada e incandescente entrepare e pouse e leve
já sem miolo ou peso quede ao chão - ex-tática.
ou feito uma escultura de barro que ganhe alento por mãos habilidosas
e talhadeira receba ares de vida e sopro de existência.
e a parlare e a parlare e a parlare
acabe por encanto ou deslumbre por beleza ou fascínio
a pesar muito e a mexer e remexer numa porção de coisas na gente.
e não ser ceia
nem papinha de matéria
nem ave pousada dando sopa ao desatino.
ela me disse: - tome tino menino
tome tento.
tento ...
não consigo.
o que será qu'ela quer com tudo isso?
quié que ela quer tanto me dar?
quié qu’ela quer com isso
que em tudo e a tanto
tanto se mobiliza?
talvez - seja só por um pouco de alento - quem sabe.
mas nada aqui é nada certo.
tudo que aqui aporta e cause um tanto
e chega - quando chega
e que cause coisa e tal.
e quando chega - caso venha mesmo
e aporte é sem certeza alguma
de alguma coisa ou algo que acaso surja
e que por aqui venha e a torne propícia.
e são tantas as coisas
que por esse lodo todo
e que por todo lado surgem
que todas elas
elas todas aqui
acabam um tanto reviradas.
numa bagunça danada.
mas aos poucos ...
- quem sabe
e por vezes
vezes a fio
acabei ficando
muito apegado
por demais pegado n’ela.
acho mesmo que há n’ela
algo de uma mística selvageria
um toque assim ardido
e doce ao mesmo tempo.
algo que fica mesmo
que vem-e-vai e sibila
que sussurra ao pé do ouvido.
cantarola baixinho-baixinho.
- é quase um murmúrio.
só sei que ela me deu quase tudo.
ai ... então :
ela me deu o barco
me deu os remos
e o rumo a tomar ...
ela me deu.
ela me deu também
todos esses passatempos.
Aí ... bem agora
assim ...
num instante
ela deu de me dar um tempo
um tempo pra ter espaço
pra ter um tento
pra tecer por entre os dias.
de pequeno ...
ela me deu o cultual
e a cultura para isso.
então :
ela me deu
o humor pro sacro
que em verdade em verdade
muito pouco tempo durou.
ié só por querer ... talvez só por trolagem - talvez.
acho mesmo quié só por diversão mesmo.
é que porque assim que assim é que ela queria.
é que assim : - ela dizia:
- tudo é muito mais divertido.
- ela dizia: é que depois de um tempo com ela
tudo que ela dizia e fazia ela me dava
tudo que ela fazia e por poder-assim-fazer ela fazia
é que ela podia tudo assim fazer e tudo que ela fazia
seja assim seja assado seja nesse jeito seu de ir e vir
o que dela vinha comigo ficava porque ela me dava.
então : ela me deu um tipo de cura:
o de entre-ter-se ...
um tipo de se entre-tecer.
então ela me disse: - teça ...
teça menino bobo.
fique à vontade.
invente sua trama.
faça como bem queira todo seu entre-tecer.
e brinque ...
aí ...
ela me deu todas essas distrações.
todas - ela me deu...
todas elas ela me deu.
então :
ela me deu o barco
ela me deu a vela
as provisões
e a hábil
e meio sinistra
ciência em içar velas.
desenrola-puxa-sobe-estica-solta-gira...
e essa estranha destreza em içar
e alçar grandes panos
planos e rotas.
ai - ela me deu o ritmo
me deu o pulso
o alento
e os obstáculos.
um a um.
o que veio
(a)dar algum sentido a tudo que soa e ressoa
e algum vigor aos braços para remar.
e o mais engraçado
saboroso e estranho é que ela
sempre está por perto - mesmo longe
e fica me circulando
me rondando
me circunrodando.
o tempo todo.
todo tempo.
e de tempos em tempo ...
que no constante ir e vir
no contínuo vai e vem
e de suas breves quase ausências
quase não percebidas e novamente
e de novo e de novo ela se (a)presenta.
e vira e mexe e vira ela insiste - e me diz :
longe daqui
pr’outro lugar.
mesmo que seja pro raio que o parta.
assim ... e por vezes ... várias ...
nest’afasia ... caso se dê conta ou se lembre
de que alguma outra que dê liga
ou de um outro que acaso cause
um caso ou um causo que muito se queira.
e caso consiga e se lembre e conte
e ao contar-conte tudo aquilo
que ainda permanece envolto em nós
e disto tudo que ainda - em nós nasce e brota
e em tudo que ainda surge possa e emposse
e se demore um pouco mais por aqui
e no entorno-entorne e acene e siga
e rompa fio-a-fio dessa teia que se enlaça
e sem nenhum arrodeio chega e força a entrada
e toda aderente se fixa e fica incrustada na gente.
o que é e bem que pode ser bem mais que uma saída.
ou que desencasula e faça com que a gente ali fique.
e feito uma mariposa que no escape e logo após romper sua crisálida
seduzida e toda deslumbrada fique esvoaçando em torno
de uma lâmpada e incandescente entrepare e pouse e leve
já sem miolo ou peso quede ao chão - ex-tática.
ou feito uma escultura de barro que ganhe alento por mãos habilidosas
e talhadeira receba ares de vida e sopro de existência.
e a parlare e a parlare e a parlare
acabe por encanto ou deslumbre por beleza ou fascínio
a pesar muito e a mexer e remexer numa porção de coisas na gente.
e não ser ceia
nem papinha de matéria
nem ave pousada dando sopa ao desatino.
ela me disse: - tome tino menino
tome tento.
tento ...
não consigo.
o que será qu'ela quer com tudo isso?
quié que ela quer tanto me dar?
quié qu’ela quer com isso
que em tudo e a tanto
tanto se mobiliza?
talvez - seja só por um pouco de alento - quem sabe.
mas nada aqui é nada certo.
tudo que aqui aporta e cause um tanto
e chega - quando chega
e que cause coisa e tal.
e quando chega - caso venha mesmo
e aporte é sem certeza alguma
de alguma coisa ou algo que acaso surja
e que por aqui venha e a torne propícia.
e são tantas as coisas
que por esse lodo todo
e que por todo lado surgem
que todas elas
elas todas aqui
acabam um tanto reviradas.
numa bagunça danada.
mas aos poucos ...
- quem sabe
e por vezes
vezes a fio
acabei ficando
muito apegado
por demais pegado n’ela.
acho mesmo que há n’ela
algo de uma mística selvageria
um toque assim ardido
e doce ao mesmo tempo.
algo que fica mesmo
que vem-e-vai e sibila
que sussurra ao pé do ouvido.
cantarola baixinho-baixinho.
- é quase um murmúrio.
só sei que ela me deu quase tudo.
ai ... então :
ela me deu o barco
me deu os remos
e o rumo a tomar ...
ela me deu.
ela me deu também
todos esses passatempos.
Aí ... bem agora
assim ...
num instante
ela deu de me dar um tempo
um tempo pra ter espaço
pra ter um tento
pra tecer por entre os dias.
de pequeno ...
ela me deu o cultual
e a cultura para isso.
então :
ela me deu
o humor pro sacro
que em verdade em verdade
muito pouco tempo durou.
ié só por querer ... talvez só por trolagem - talvez.
acho mesmo quié só por diversão mesmo.
é que porque assim que assim é que ela queria.
é que assim : - ela dizia:
- tudo é muito mais divertido.
- ela dizia: é que depois de um tempo com ela
tudo que ela dizia e fazia ela me dava
tudo que ela fazia e por poder-assim-fazer ela fazia
é que ela podia tudo assim fazer e tudo que ela fazia
seja assim seja assado seja nesse jeito seu de ir e vir
o que dela vinha comigo ficava porque ela me dava.
então : ela me deu um tipo de cura:
o de entre-ter-se ...
um tipo de se entre-tecer.
então ela me disse: - teça ...
teça menino bobo.
fique à vontade.
invente sua trama.
faça como bem queira todo seu entre-tecer.
e brinque ...
DIVIRTA-SE...
ela me deu todas essas distrações.
todas - ela me deu...
todas elas ela me deu.
então :
ela me deu o barco
ela me deu a vela
as provisões
e a hábil
e meio sinistra
ciência em içar velas.
desenrola-puxa-sobe-estica-solta-gira...
esquerda-direita
direita-esquerda
e essa estranha destreza em içar
e alçar grandes panos
planos e rotas.
ai - ela me deu o ritmo
me deu o pulso
o alento
e os obstáculos.
um a um.
o que veio
(a)dar algum sentido a tudo que soa e ressoa
e algum vigor aos braços para remar.
e o mais engraçado
saboroso e estranho é que ela
sempre está por perto - mesmo longe
e fica me circulando
me rondando
me circunrodando.
o tempo todo.
todo tempo.
e de tempos em tempo ...
que no constante ir e vir
no contínuo vai e vem
e de suas breves quase ausências
quase não percebidas e novamente
e de novo e de novo ela se (a)presenta.
e vira e mexe e vira ela insiste - e me diz :
inspire e expire
l-o-n-g-a-m-e-n-t-e
inspire-expire
ela me lança em mar aberto e adentra
e me ventila em ondas
ora num leve sopro
ora numa grande ventania.
e assim nesse vem e vai
ela eventa e me vela acordada
dia e noite velejo e ela me singra
por águas em contínuo nav'ego.
mas veja:
d'antes: umbralino que era
submerso e quase sem fôlego
sem um lugar sequer para estar
sem condição alguma a confrontos ou conforto
quando nada ainda se movia ou se comovia - nem lá
nem cá ou num acolá qualquer que fosse alguma coisa
ou coisa alguma que algo pudesse dar algum alento talvez
um ali um lugar onde se pudesse ter algum repouso.
e assim passo ...
assim pasmo ...
e assim ouço
e vejo
e toco
e sinto
e finco pé
e neste ir
e em vir
por aqui
por ali vou ...
vou-indo ...
e agora - justamente agora - e súbito vem e me ata neste enlevo.
e tudo
tudo que há e que houve
e que ainda há de haver - já havia sido.
mas bem que podia agora - novamente - se re-velar.
ela sempre leva consigo - mas esconde
um arco e seus dardos - e leva meio que contido
e esses seus malditos - ora benditos captos.
e tudo que há já havia sido
bem que agora podia se re-velar.
mas até que no breve do instante se releva
mas logo e de novo se oculta
arco e dardos tracionados
dados e mais dardos.
um arco e seus dardos - e leva meio que contido
e esses seus malditos - ora benditos captos.
e tudo que há já havia sido
bem que agora podia se re-velar.
mas até que no breve do instante se releva
mas logo e de novo se oculta
arco e dardos tracionados
dados e mais dardos.
codificações em seta - arquitetura arqueada
mesmo tempo nova - mesmo antiga
antigos e novos caminhos a - ser - trilhados.
mesmo tempo nova - mesmo antiga
antigos e novos caminhos a - ser - trilhados.
que agora chega de novo e a tudo re-volvem.
é por através
por finos e intrincados véus
interstícios - que agora - já não são tão mais tenebrosos assim.
que vão se entre-laçando
e que agora aqui entornam.
e até que volta e meia - tonificam.
e por dentre tantos
e tantas camadas que germinam
que por entre seus ínfimos envoltórios
finas películas que brotam e em cadência
modos etéricos e assombros hipnagógicos
tamborilando o peito - bem no centro
colorindo a fronte - entre os olhos
em tons lilases - no miolo verde
margeado em roxo - alvos tons
claros e escuros - por vezes meio-tom
entretons - vivos tons
tons em vermelho
de laranja
de amarelo.
meio bege
meio pele
meio pálido.
e por dentre tantos
e tantas camadas que germinam
que por entre seus ínfimos envoltórios
finas películas que brotam e em cadência
modos etéricos e assombros hipnagógicos
tamborilando o peito - bem no centro
colorindo a fronte - entre os olhos
em tons lilases - no miolo verde
margeado em roxo - alvos tons
claros e escuros - por vezes meio-tom
entretons - vivos tons
tons em vermelho
de laranja
de amarelo.
meio bege
meio pele
meio pálido.
é - só a memo-mesmo
um possível resgate - vez ou outra
numa outra vez.
quem sabe - assim - se acesse - e de novo - em tempo se recorde
e novamente - de novo e de novo - não mais se achegue
e nem mais venha ou se ancore por aqui - de jeito nenhum.
... lembra ... (?) ...
e o que vem
vem dessa pesada rama
que carrego pra lá e pra cá.
- verdinha-verdinha
que pulsa ...
e pulsa ... pula.
tão frágil - tenta um esboço e se auto desenha.
mas nada além de um grosseiro rabisco.
mas nada além de um grosseiro rabisco.
e de longe-longe - almeja alinhavar
e que todo aquele cenário e que chega
num vago e incerto toque e quase que recline
e se recoste em alguma possível lembrança.
só sei que até onde lembro
de uma ponta a outra daquele quadro
tudo que o circundava ali se detinha e ficava.
sei do início ao fim
o que ficou retido dali na memória
do que ainda se pode reproduzir
é nada mais que rabiscos
nada além de infantis garatujas.
e isso aqui é um mero e tosco rascunho.
e que todo aquele cenário e que chega
num vago e incerto toque e quase que recline
e se recoste em alguma possível lembrança.
só sei que até onde lembro
de uma ponta a outra daquele quadro
tudo que o circundava ali se detinha e ficava.
sei do início ao fim
o que ficou retido dali na memória
do que ainda se pode reproduzir
é nada mais que rabiscos
nada além de infantis garatujas.
e isso aqui é um mero e tosco rascunho.
male-male demarca ou vislumbra o lugar
as trilhas e os caminhos
que ali foram percorridos.
e ela ...
mesmo antes de tudo isso
já me conduzia e me levava
por terras cores e tons
que aos olhos em ondas se alternavam
em variadas gradações e frequências.
mas é que nem toda cor - quando vem em onda - se apresenta visível.
assim como nem todo raio que trovoa
relampeja tão somente de cima para baixo.
é que quando não sabemos onde estamos elas somem.
isso acaba dando a íris
que feito um enorme buraco negro
e a tudo que ali se aproximava e acenava
ela retinha e aprisionava a tudo que sorvia.
nem sei se por agrado ou agravo - sei que agradava muito olhar...
ah ... essa menina que de tão grande me retina.
pretinha-pretinha e nada mais me ocultava.
e de esguelha
em seta o olho todo sujeitado
àquela cena - e tomba refém.
e acanhado - trejeitado em olhar
e meio abobado
sob o peso daquela corda.
------------------------------------------------------------ uma corda imensa -------------------
trans-versa e atada a um pequenino arbusto
e que abarcava todo campo que de antes agora via.
e que de uma ponta a outra transpassava e se estendia
e por sobre todo um cultivo feito um grande mar aberto
de uma relva madura toda mesclada e parda de um bege palha
que de longe-perto vinha e ia num grande espalho e ímpeto
por sobre todo aquele onírico campo - vestindo o olhar.
................................................................ lugar incógnito .............................
quase dava cabo ao involuntário esgar do rosto.
que de passagem pousava - aqui-ali - transfigurado.
que por sobre toda aquela ramagem se espraiava de verde
e de viés e no vário de um tempo já mais que maduro e passado
e que incessantemente vinha e vinha e passava e partia em dobra
e que por sobre a pupila que pululava afoita e em seu tecer
quase etérico - bem inexato - incerto mesmo na verdade
mas que aos poucos ia apurandoe se ajustando em seu impreciso
foco do vido e revisto e por sobre aquele finíssimo tecido
no cozimento em ver e rever e rever do que vinha e vinha
e que ainda pode haver e vir daquela imagem.
ai ... o que parecia ser tão cômodo e linear agora se curva
e se desdobra e novamente se dobra e se deita e se esgueira
e curvo o olhar - quase enfermo - se abisma de enlevo
e antes e ainda cativo se debruça assombrado pelo que via
naquilo que aquele quadro todo produzia e ainda produz.
e aprisionado em querer tanto dar foco
e feito uma seta desembestada de lembrança
que antes agora d’aqui miro dardo em cada giro
e em transe tombo em fascínio.
e pelas inconstâncias destas tantas venturas e desventuras
que de um suposto e ilusório lado de fora - dentro - bem lá dentro vá ... vai ...
vá lá - vai ... bem mais parece cinema - parece filme.
porque tudo ou quase onde tudo o que fica pincela
e em seus traços o que fica e fixa e em tudo que se move
e pigmenta e colore e se enquadra e se dilui e quadro a quadro
enche a tela de dores em seus giros constantes e das mais variadas
cores e se lambuza todo tingindo toda água - corrente - que flui.
e quiçá ... debaixo do exato instante d'onde não possa mais haver
e não haja vestígio algum sequer que obsedie o dia e talvez
onde possa ainda existir algum alento ou algo que adentre
e que sob a relva onde possa haver e haja ainda alguma sombra
e ao pé de um arbusto ou embaixo de uma bela macieira
e em repouso sob um radiante sol do meio-dia observar
a gravidade na fina curva da queda das maças.
- a des-vem-dar-Se …
e do que ainda vem e pode ainda vir
mesmo que brevemente
mas que chegue e se mostre.
e do que possa ainda despontar
e que ainda por aqui venha e se presente
mesmo que logo e de novo se oculte e escape.
sorrateiramente.
ao mesmo tempo - todo o tempo.
o tempo todo.
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