14/02/23

Mesm’Outros

- ou quase um rondó 


Escrever : um poema, uma prosa - crônicas - artigos,    
                  romances - matérias - resenhas, textos,                    
                  
                  tentos e tentos ... tantos ... 

                  e seus possíveis ... 

... Conto : 

Pintar: 

paredes, afrescos, uma tela tintada,
todo um quadro instado ao olhar
emoldurando o vir-ver.

Esculpir: 

o barro, a pedra, o mármore, o gesso, moldar, modelar bustos, troncos,
posturas, gestos, rostos, olhos e olhares, miradas, corporeidades,
fisionômicas por dizer algo, uma infinidade de ditas e desditas.

Compor: 

musi-cá - músicas, canções, mpb, choros, jazz, blues, indie, rock-roll, funk, 
new-age, sertaneiros, axé, rap, rondós, sonatas, canto coral, canto falado, 
concertos instrumentais, tema e variações, binárias, ternárias, quaternárias,
melodias de timbres, agógicas de falas, prosódias de leitura robóticas, 
toques de chamadas e notificações, mídias sonoras sintetizadas, fônicas, 
nuances sensórios, notações iconográficas, polifônicas, orquestrando
planos, ritmos e vozes.

Computar: 

dados a consumar, vender, vendar, consumir, se deitar e logar em algo,
rolar e lograr, codificar algo, algoritmos à captura de algo ou alguém,
algum sujeito objetando servos e serviços à aplicações funcionais,
recursos criativos e inventivas virtuais, por expansões gerativas
e criativas à se com-somar e com-sumir-se - devido à automação.

Roteirizar: 

empreendedorismos culturais e cultuais, arte com lucro, é claro,
cinema, teatro, tele-visivas, transmissão e recepção de imagens
convertidas em sinais eletromagnéticos por meio de ondas
hertzianas ou cabo coaxial à serviços informativos
e mercadológicos ao  info-entretenimento.

Cinema: 

Registros da diversidade das movimentações, do que se olha, 
de como se vê com o propósito de fixar em imagens,
estanques ou móveis - ví-de-os - movimentos internos
e externos de ações e reações, das imersões, das extensões
das relações de mundos, distintos ou equânimes, 
e tudo que pode haver dentro e fora das esferas, do-aqui, 
do-de antes, dos-dos possíveis, dos depois, das ocorrências factuais
e ficcionais que se desdobram no (o)correr dos dias.

Teatro: 

Encenar em palco, numa arena, num picadeiro, num espaço qualquer 
que se re-presente os tidos, os sidos; os sendos, onde os largos,
os estreitos, os laços deem liga aos encontros e desencontros
no correr contínuo do tempo e do espaço através das múltiplas
relações e planos de existência. 


Se o mundo é um palco, uma arena, um picadeiro 
a existência nada mais é que um teatro, uma pantomima, 
um circo... 
e a individualidade, a identidade, não passa de encenação,
uma ilusão 
uma mentira - sincera - uma fantasia, uma narrativa, 
um discurso q
ue muito se quer real ... (?) ... e sincera - (?). 

___________________________________________________________________________________ 

Mesm’Outro  

O Digo : - digo : - desponta - breve - ínfimo 

- imenso onde - ali - quando se mostra, 

- em volteios, imerso, rodopia, 

- espiralando tempo e espaço, 

- entrelaçando desejo e toque, 

- e ardente roça superfícies, 

- fala, escreve, recita e faz notas,  

-sussurra ao pé das páginas ... 

- e logo se esconde de novo, 

- desnuda-se no que há acima, 

- e abaixo, ginga, gangorra 

- do pequeno ao grande, 

- se agiganta, amiúda-se, 

- verte mel, fel, 

- dá lambiscada nos cantos da boca

- e sorri 
- maliciosamente... 

- faz fusquinhas, caretas, 

- de soslaio lança olhares, 

- setas de significação, múltiplas ... 

- lambda os sentidos - todos eles ...

- e 
se expõe, germina, 

- feito um broto verdinho-verdinho, 

- tenro, delicado e frágil - muito frágil... 

- e quer muito se revelar - se mostrar (?)

- e dizer algo, alguma coisa a alguém, 

- perfilando - por entre - línguas e lábios. 

__________________________________

- 02 - 

- ave in-ver-te-brada 

- quando quer, 

- nua ... 

- quando quer, 

                 - quando quer ... } - { ... Vênus Amorosa ...

- { - } - quando quer se despe
                                        - in-veste 
                                          baila 
                                          dá rodopios 
                                               com seus véus, 
                                                                  e diz - seduz. 

- lambdoma,      
                                         gruta alagada, 
  quando dá-se, 

- atrativa, irresistível seduz, 
                                     lambe os lábios,
                                     de um canto a outro 
                                  
                                     circulando-os, 

- cerra os olhos e sorri, abre os braços 
                                                        abraça, 
                                                           
beija ... longamente...  

- num breve encontro se entrega, 

- ocultando todo o entorno, 

- e ao se mostrar - enubla, 

- quando nuvens e folhetinismos turvam o lago. 

- adora brincar de pega-pega, de pique-esconde, 

- ama se esconder quando se deita em sentença, 

- e no pouco do que pôde acessar - do que capta, 

- só uma ínfima parte, uma pequena fração baixa, 
 
- e fixa-se aqui pelo que ainda há de vir, 

- e deixa vestígios do que pôde, 

- a muito custo - pegar, 

- e afoito com o que pegou, 

- teme brincar, 

- mas brinca mesmo assim, 

- e dá um jeito em seguir, 

- camuflando medos, receios,

- e são tantos os medos, 

- tantas as regras, as regulações, 

- ditadas aos passatempos, 

- dos resvalos que se abeiram, 

- dos envios, dos desvios, 

- que por'entre se fiam, 

- fios, tramas tecidas e esgarçadas, 

- arestas, farpas afiadas,

- e por pequenas fissuras, rasgos miúdos, 

- muito aquém do que aqui poderia haver, 

- do que poderia vir e dizer algo a alguém: 

- dizer do mundo, dizer das coisas, 

- dizer dos entes, das pessoas, 

- e de toda teia e de toda trama que remete um ente a outro, 

- e do horizonte que possibilita as aparições e relações, 
 
- e do que aqui existe, insiste, vive e morre. 

__________________________________

- 03 - 

- dizer o que dele(s), do que dela|(s), 

- nele, nela (?) - e do pouco que se consegue acessar, 

- mesmo quando disposto, bem pouco, 
 
- e quando aqui - aqui se pega, 

- e quando pega - ( quando pega )  

- o que toca - ( quando toca ) 

- o que roça - ( quando roça ) 

- é nesse pega-pega - quando na baixa, 

- precipita-se em sentença, 

- é ... até que poderia, 

- mas não quer, não quis, 

- não pôde se achegar, 
  
- não pode se (a)pegar ao vir-há-ver de algo, 

- e quando, ao se deitar, 
 
- que por sobre nós não pese tanto ... 

__________________________________

- 04 - 

- o mesmo ao mesmo - estável (?) 

- ao encalço de um outro - instável 

- longe ... longe de estar, 

- longe de se mover antes de se lançar a um outro, 

- ou mesmo não podendo pegar o que há-de-vir desse algo 

- mesmo que avesso, averso, 

- e talvez por objetar tanto, a tantos sujeitos, 

- por verbear objetos, todo animado, 

- por sujeitar verbos, 

- institucionalizar e ajusta-los à descritivas poéticas, 
  e historietas egóicas - tão inanimadas ... 

- bem ... não era bem isso que o que aqui foi dito,  
  precisasse assim ser dito, ou que o que se disse, 
  fosse assim dito desta forma tão ríspida, ou que 
  precisasse assim ser dita desse jeito... 

- mas... é expurgo ... então ... 

- não era bem isso não, 

- não era em absoluto, 

- balela ... é ... era sim ... 

- que seja assim então, em absoluto, 

- que isto seja relativamente então assim dito, 

- é sempre muito difícil expurgar isso tudo,   

- talvez até em algum lugar, num momento 
  que seja mais propicio, tudo isso possa até 
  vir a ser desdito - desdizendo tudo que foi dito ... 
 
- assim, 

- curva-se sob a égide de potências pronomeadas, 

- em ressonâncias prenunciadas, impressas às palavras, 

- sejam vozes harmônicas, ou caóticas às falas, 

- em consonâncias ou dissonâncias se des-dobram 
  se in-vergam sob o grau de tensão dada à corda. 
     
- e arqueando a seta, mira e aprisiona as frases 
  e erra o alvo ensetando a tudo que antecede, 
  pré-posicionando olho e olhar em caixinhas 
  de bugigangas, numa presumível visão, 
 
- no toque possivelmente vigoroso ou não, 
  as mãos sujeitadas ao arco, o olho, 
  que não está mais aqui, o olhar atento 
  mira,   aspira um alvo e focado em ver 
  sujeita, objeta e coisa a visão, 

- mas bem que poderia até instaurar algum vigor 
  com o que pode   e como pôde vai e enerva 
  o momento que antecede o que há de vir 
  e de lá vai tece aos sentidos e já disposto, 
  mesmo que do olhar ainda não consiga 
  alcançar seu alvo e despenque céu abaixo, 
  dando algum possível sentido a tudo isso (?) 

- e assim dar rédeas ao digo 
  e poder no dito manifestar-se, 

- e desarvorar o instante, induzi-lo a seu apuro, 

- e nesse ensejo atiçar sua crise, 

- vergar-o-verso ... 

- verga-o-verso ... verga ... 

- o verso curva-se e faz da vontade algo, 

- e em poder mover-produzir vigor e dar encanto, 

- e pegada na lida das mãos quando escreve, 

- pelo alcance das palavras, 
  ao reverso do espelho do olhar, 

- os rastros deixados no pó remexido das páginas, 

- pelos passos ao longo do caminho - do caminhar. 

- assim ... verga-o-verso - verga ... verga ...  

- o verso curva-se em desencanto quando se submete 
  toda comportada e boazinha a formas e fôrmas,  

- e o que vem, 

- quase sempre chega violentamente, 

- assusta, oprime, causa tramas, acolhe ou rejeita, 

- rebaixa ou eleva, condiciona através de espelhos: 

- o das escolhas, das imitativas, 
  das assimiladas e binárias, 

- e quando pousa - na baixa - seja leve ou pesado, 

- chega carregado de significados, de sentidos, 

- que ao traduzir nos conduz à impressões 
  fragmentadas, parciais, 

- e por se dispor a tocar em algo, talvez alcance alguém, 

- talvez até em alta relevância. 

- assim vige o verso ... (?) ... 

- para que alguma coisa sirva pr’alguém, 
  para que algum viço desponte e vingue 
  e faça esse algo brotar em algo 
  e coloque tudo - tudo em cheque, 

- mesmo que por um breve instante, 

- antes de se deitar e no fundo do que de lá, em meio 
  a ondas revoltas no fluxo turbulento das mares, 

- das monções que sopram rumo a algum norte, 

- tão favorável à navegação - tão favorável...  

- que pela correnteza, pelas corredeiras do tempo, 

- os enigmas, os astralismos que passeiam pelos sonhos, 

- que é tão difícil de decifrar, 

- permitam à 'jiva' se desgrudar, por algum tempo 
  do corpo palpável e traga à lembrança,   

- remêmora ou cultivada a habilidade em alçar 
  os voos sem medo do amplo, do vago, das vagas, 
  do aparente vazio, dos ventos, das tempestades, 
  do receio em colidir ou despencar ao chão, 

- dos obstáculos, dos entraves e estorvos temporais, 
 
- e quando mergulhado em sono profundo, no repouso 
  que não se retraia, mesmo forçado, possa vir aquietar-se, 

- e pairar em voos que até mesmo aos pássaros temem  
  e sem nenhuma pressa - mais - se desdobrando 
  pelo amplo espaço adentro sem mais o peso 
  da concretude deste mundo adoecido,  

- e atravessar, como música a dureza ilusória, linear 
  e binária,   das ações e reações, transpassando 
  pisos, tetos, telhados, e as espessas paredes 
  que o tempo cronológico imprime. 

- segmentando, 

- s i l e n c i o s a m e n t e ... 

__________________________________

- 05 - 

- não inter-loga, não inter-loca, 

- não com-versa, não fala nem nada, 

- não fala coisa com coisa, 

- mas quer muito se mostrar, atrair, 
  tocar, pegar com as mãos o sensível, 
  o percebido, mas acha intocável; 

- e quando se ex-terna, é quase a força, 
  quase que na marra se deixa afinar, 
  e a muito custo se deixa misturar, 

- e faz tremer e treme junto, teme fazer contato, 
  eriça os pelos,  eletriza e põe todo o corpo 
  em êxtase, fica turbado e perplexo, 

- tamanha a força dramática que vem do digo, 
  e a dinâmica que pode estar inserida no dito. 

- secretamente ... 

- e o que vai ... vai ... 

- vai ... faz vibrar, soa e ressoa ao que veio e como veio ... 

- vai ... (?) ... vai-vem ... vem-vai ...

- em direção postas e opostas ... 

- do mesmo a um outro  

- o mesmo é um outro, 

- um mesm'outro ... (?) 

- e quem é esse outro?

- sabe-se lá - (?)

- são todos e ninguém ... 

- mesmo que a um outro internado se aborde, 

- que dramatize, que finja e brinque com seus disfarces, 

- de tanto brincar assim, encena e mente ... 

- tão sinceramente ... sinceramente ... 

- que ao longo do tempo se desdobra ... 

- e acabe por descobrir como dizer e diga algo a alguém, 

- por conveniência - talvez - embute algumas regras, 

 - muitas mesmo, 

- e são tantas as regulações sedimentadas, enrijecidas 
  por cartilhas condicionantes que ardilosamente 
  tentam dar direções aos passatempos, 

- roubando do tempo o espaço do instante, 
  quase inexistente, cristalizando, calcificando 
  o tempo mesmo  e que  volta e meia se instalam.  

- violentamente. 

__________________________________

- 06 - 

- indivíduos a outros indivíduos, 

- grupos a outros grupos, 

- às pessoas ... personas moldadas, 
  esculpidas para fins específicos... 

- por fascínios ...  

- por’através de engendramentos espalhados 
  exaustivamente por todos os cantos, 
  por vezes fatais, movem os meios,
  por escritas, falas, discursos ordinárias, 

- como este ...  talvez ... buscam capturar - pessoas ... 

- deslumbradas, se entregam sem muita resistência, 
  servindo   com dedicação devocional aos interesses 
  bem pouco solidários de outros, sujeitos esses,  
  que não cessam em querer traçar e re-traçar 
  os rumos coletivos e obter o controle dos caminhos, 
  cagando regras e regulações e institucionalizando 
  à revelia: hábitos e costumes, 

- e o grande 'quê' que acaba por trancafiar 
  em pequenas   gaiolas toda possibilidade 
  de caminhar - porque há diversas maneiras 
  escusas de se escravizar, de afunilar 
  os passos em recônditas direções, 

- sem que se deem conta disto.   

- e ao se abrirem, caminham assim, 
  cambaleante, instáveis. 

- do que se abeira, por resvalos,  
  por’arestas afiadas, 

- e quase tudo fica aquém do que poderia ainda haver, 

- do que poderia vir-há-ver dele 

- par’além dele mesmo 

- do que de-vem, 

- ao que com-vem 

- ao que no tento, no que se lança, 

- talvez até chegue com algo, 

- alguma coisa relevante a dizer, 

- mesmo sem se dar conta disso.  

- e ao dizer - quando diz 

- diz ao a(o)caso, que rodopiam  por ciclos 

- e mais ciclos, 

- quase sem fim. 

- então após isto, 

- bate uma gastura, 

- uma canseira danada desse vai e vem... 

- aí neste vira-revira e exaurido se volta - se - a si mesmo, 

- e em partes, todo partimentado, 

- numa lasca, num naco, 

- um pedaço qualquer com algo dentro,  

- e em parte, desesperado, 

- em direção ao arco dramático de alguém.

- e toma um rumo qualquer com algo 
  que ora vaga, se apruma, ora dá um jeito 
  qualquer, pelo olhar, pelo gesto, pela voz, 
  que de algum modo possa se re-conheçer. 

- e no instante em que bota a cara pra fora e se mostra, 

- no momento em que esse algo no instante 
  que nele se espelhe e refleta e então dele 
  possa remeter-se e reconhecer o outro, 

- a um que chega, 

- um outro que diga e se inteire e parta, 

- um em parte, que peça aparte, 

- um outro que de saco cheio 
  manda tudo ao raio que o parta,  

- um à direita, 

- outro à esquerda, 

- um outro que acima plana, divaga, 

- outro que voa sem receio algum, 

- já noutro, embaixo, umbralino purga, 

- outro parece caminhar na boa, pleno, 

- já no ponto zero, 

- zerado todo o toque, 

- no imediato se deita, 

- e n’outro levanta e se abre à longas distancias, 

- e longe, muito longe, 

- distante de tudo - se expande.  

__________________________________

- 07 - 

- em leque - um enorme leque de coisas, 
  rastros   deixados pelas trilhas, vestígios 
  esquecidos,   ofertados pelo caminho, 

- e que agora cai de joelhos, exausto, 
  num torpor cultivado, devido ao acúmulo 
  de tanta encenação e pela rasa debilidade
  dos sentidos, entrincheirado, se oculta 
  em valas,   valas rasas,valas cavadas, 
  construídas camada por camada. 

- é que é quase impossível poder 
  ou querer reconhecer - 'se' - 

- assim tudo acaba ficando meio turvo, 
  embaçado, muito sombrio, 

- ié como andar por trilhas ruins 
  numa floresta densa e escura, 

- lá, ali, perde-se o rumo por confusos 
  e emaranhados acontecimentos 
  e por estranhos acometimentos, 

- e afetado por uma ausência gradativa 
  de animo e enfermo pelos vários dardos 
  lançados por dardos carregados de um veneno
  desconhecido, sem nenhum antídoto possível, 

- nota-se que: 

- no limite de algo, de alguma outra coisa 
  que não esteve à mercê disso tudo, começa 
  algo a martelar sem parar na cabeça, 

- que o melhor mesmo seria se embrenhar de vez, mata 
  adentro e ir roçando, cheio de vontade   e disposição, 
  e abrir novas trilhas, outra trilhas, trilhas não passadas, 
  trilhas ainda não percorridas pelos passos, 

- e de fininho, atento, ainda que apavorado, 
  ir saindo, passo a passo desse limbo, 
  desse umbral, seja ainda, uma forma 
  de ainda poder caminhar até se achar 
  algum facho, algum ponto, uma clareira, 
  uma lembrança, uma recordação, uma ideia 
  singela, singular que nos traga de volta à tona, 
  deste sonho purgatorial, terrível e interminável. 

- é ... talvez isso até nos ate de novo a algo, 
  a alguma coisa que nos acorde, nos desperte, 
  e que nos acolha e dê abrigo e fique por aqui 
  só um pouquinho e talvea até se instale, 

- fixando morada, 

- e já - quando em casa 

- vez ou outra, 

- se dê em partilha, 

- a algo que nos sirva pr’alguma coisa, 
 
- e vá-lá ... vai

- talvez - isso - até acabe por trazer 
  esse algo por aqui, 

- algo que valha e venha fazer algum sentido 
  a esses tantos tentos que se desdobram, 

- por um pouco que seja, mesmo que a esmo, 
  que neles se demore e que se instaure começos
  aos meios e meios a seus fins - alguns ... 

- quanto aos meios ...  

- em meio à tantas, 

- possa ir saindo de fininho, 

- talvez, 

- das tríades normativas, condicionantes, 
  geradas a atender veladamente,  
  a poucos e seus fins. 

                                                   __________________________________

- 08 - 

- o mesmo se volta em direção a outro, a si mesmo

- e o outro, abordado, ao mesmo retorna, 

- remedos ...  nenhum, nem outro são mais o mesmo, 

- o outro muda o mesmo, 

- e o mesmo já um outro 

- desde o início, agora não mais 

o mesmo é um outro, 

- é tripé às necessidades, 

- a uma continuidade criativa, 

- ou mesmo destrutiva de mundos, 

- dos diversos mundos, 

- já que a criação, antes de se consumar, 
  manifesta-se de forma violenta, 

- flamejante, vulcânica, 

- e assim são tantos os mundos ... 

- à alguns ‘mundos’ 

- mônadas 

- [ (construtor de mundos) ]  

- a outros mundos 

- manadas, 

- [ (destruidor de mundos) ] 

- em proliferação.  

__________________________________

- tudo está posto ... 

- a cozinha está aberta ... 

- sirvam-se ... 
__________________________________

- 09 - 

- surgem abcessos às subjetividades, às abstrações (?) 

- nunca antes estiveram tão veladas (?) 

- agora - por muito, muito pouco mesmo, 

- quase totalmente se ausentam ... 

- se esbarram distraídos em seus deslumbres, 

- obtidos num dado momento,
  
- dados e mais dados a serem mastigados ... 

- mastigar e mastigar ... mastigando, 

- mastigando o mastigado...

- e em batalha(s) ... 

- grunhidos, gritarias, arranhões,  

- com urros defendem a tudo isto, 

- com garras e dentes - dedicadamente, 

- aí ... bulhufas de contato - quando algo,  

- alguma coisa - qualquer coisa que valha,  

- e quando chega - se mostra ou se monstra. 

__________________________________

- 10 - 

- jorros compulsivos, assuntices desvairadas, argumentações indigestas,
  desassuntos de valores e atribuições desconexas, conversas triviais,
  consumo exacerbado de substâncias ditas lícitas e ilícitas,

- porque há feridas impostas, escondidas, expostas, pruridos,
  chagas, sofrimentos cultivados devocionalmente, estigmas, 
  tumores, agorafobia, ansiedades, agitação extremada, susto, 
  surtos, terror noturno, pânico, grilagens, oxidações circulatórias,
  ultrassom de audiência incessante, engripo nas engrenagens,
  neurológicas, mentais, psíquicas e corpóreas.

- lembranças e esquecimentos, afasia - lembra, 

- esquece tudo - lembra de novo - esquece novamente ... 

- da superfície e des’das profundezas a altitudes assustadoras 

 - fuga total da memória - alheamentos ... 

- chatices ocultando maquinações, demências raivosas, 
  artimanhas, soslaios de malicia exacerbada, duplicidades,
  ardis arquitetados por dissimulações, inconsistências, jogos
  ludibriações, velamentos, ambiguidades, ondulações de humor,
  perdas cruciais de memória - ruína do imaginário.

- aprisionamento das narrativas, literalidades 
  cotidianas, frugais, (a)presentações em presente 
  pregressos, desencantos, tonteamentos
  e desagregações e de novo, se perdem ... 

- mareiam ... dá um branco ...  

- dissimula e desata a rir à toa... 

- e ri, ri, e ri... 

- dá um basta ... e diz : - chega... 

- então ... adula, acarinha, ora dá de esquiva, 

- a tudo abalroa e ataca, 

- capturado por ira, opinações caturras, retrogradas, 
  esquisitices mentais e põe-se teatralmente alheio, 
  por débeis banalidades, 

- daí ... 

- insistência obsessiva, argumentativas 
  ensimesmadas, excessos e tagarelices, 
  paralelismo cognitivo, esquizoide, ufanismos, 
  falsa trégua debruçada em discursos escassos, 

- negação birrenta, complicações e distúrbios 
  dos prazeres,   das dores, nas imagens 
  mentadas,   sombras turvando a imaginação, 
  terror da imensidão, ao ínfimo, dos equívocos, 
  das imitações ou das dificuldades 
  de uma captura sincera - (sem cera), 

- e do que ainda pode suportar, 

- do que pode e pôde captar - (absorver) - 

- e com aridez, secura na boca, frieza emotiva 
  por exaustão, indolência mental, psíquica, 
  física, cumularidades crônicas, 

- acúmulo de coisas inúteis, sobras largadas, 
  esquecidas pelos cômodos da casa, 

- em fermentação, 

- espalhadas pelo ‘criado-mudo, 

- réstias do que pôde reter, 

- manter às duras penas na memória; 

- e o que se lembra (?) quando lembra 

- recorda (?) quando recorda (?) se recorda (?) 

- quase nada do que vem, dá empuxo 

- assim se fecha em clausuras autoimpostas, 
  em autopiedade, dores intensa nas juntas, 
  culpas, imaginário enfermo, calcificação 
  da subjetividade e das abstrações, 

- tão necessárias ... tão necessárias ... 

- estagnação das articulações, 

- tentativas frustradas em dar algum sentido a tudo isso, 

- mesmo na marra ou no murro  e a todo custo,
  a tudo que se perdeu - perdeu (?)  

- e por elos truncados, uma linha vermelha 
  repleta de nós, esgarçada, embolando 
  os novelos pelos labirintos da memória. 

- então... 

- sono inquieto, estranhamentos em vigília, 
  esquisitices sensórias, sonambulismo, 
  descaminhos, perdimentos, mesmices 
  nos sonhos - arcaísmos... 

- ruas de terra, in-natura e sem cuidado, 
  sem nenhum saneamento. 

- astralismos, afluxos etéricos, desalinhos mentais, 
  paredes fungadas, construções em ruínas, bolorenta, 
  fétidas, mofo, odor de murrinha, podriqueiras vindo à tona, 

- bagunçando todo o cenário a uma boa em-cenação. 

__________________________________

Comunicar-se com Marte, conversar com espíritos,
Historiar a conduta do monstro marinho,
Traçar o horóscopo, aruspicar ou bisbilhotar o astral,
Observar anomalias grafológicas, evocar
Biografias pelas linhas da mão
Ou tragédias pelos dedos, lançar presságios
Através de sortilégios, ou folhas de chá, adivinhar o inevitável
Com cartas de baralho, embaralhar pentagramas
Ou ácidos barbitúricos, ou dissecar
A trôpega imagem dos terrores pré-conscientes
Sondar o fundo, a tumba, ou os sonhos: tais coisas 
são apenas passatempos e drogas usuais, ou manchetes 
de imprensa: - E sempre os serão, sobretudo alguns deles,
Quando há nações em perigo e perplexidade. 

T.S.Eliot - THE DRY SALVAGES – V 

__________________________________

- 11 - 

- entre( * )sonhos ... 

- remexido, 

- pesadelos ... 

- entre( & )sonhos ... 

- e por amar-te 

- entre( * )sonhos... 

- por querer-te tanto 

- e por im-puro que pareça, estes encostos que te seguem, 
  grudados e obsediando a tudo que te move. 

- condutas veladas, escondidinhas, cor-duras 
  e chatices, aristocrassismos trancafiados 
  em armário, enlouquecidos, doidos e doídos 
  por sair e precisar mostrar sua carranca, 

- almejos rococós, barroquismos, 
  kitchs desbotados e craquelados 
  espalhados pela casa toda, 
  imas de geladeira, 

- e por uma densa ingenuidade 
  ou diletantismo pela insistente 
  manutenção da escrita 
  em segunda pessoa.  

- talvez tu te lembres, 

__________________________________

- 12 - 

- ah ... tanta doxa ... tanta dor ...

- ó doxa ... oh doxa ... ô dó ...

- temeroso o sujeito se objeta, 

- e se venda 

- se vende ... 

 - dane-se ...

- a forma, a fôrma, as formulações, as frases prontas, 
  as opinativas, tão transitórias quanto o instante 
  que num clique ingressa e regressa, passa e repassa 
  e se torna todo regrado e em obter uma nica, um naco 
de um império a muito caído... mas tão almejado - ainda... 

 - talvez tu te lembres. 

- notas e mais notas ao pé das páginas, 
  a justi-ficar tolas e cansativas incursões, 
  tabulações... 

- pois que tu almejas, 

- desesperadamente por reconhecimento, 
  um vasto público de admiradores, holofotes, 
  um desejo intenso, quase doentio por fama, 
  glamour, aplausos, sucesso financeiro. 

- tudo a esse enorme, gigantesco - pequeno-eu ... 

- tão carente ... 

- tão carente ...  

- regalos, egóicas, pompas e chatices formuladas, 
  bem formatadinhas, produzindo distanciamento, 
  academicismos, fardões monárquicos, retóricas 
  programáticas, cerimoniosas, enfadonhas teses, 
  feito bulas, controladas, comportadinhas, padrões 
  uniformes; trazendo mais confusão ainda por fazer 
  mais do mesmo e escassos esclarecimentos. 

                                                     __________________________________
  
* e o horror a registros rítmicos das palavras. 

* Não consigo abrir um só livro que contenha poesia.
Jacques Roubaud
__________________________________

- simbólicas ordinárias, cotidianidades bailam 
  par’alem da quarta parede, utensílios banais 
  tratados com requintes de transcendências 
  cultu(r)al, restos, resíduos corpóreos - vários... 

- achatamentos metafísicos, mergulhos servidos 
  em travessas e postas poéticas triviais, 
  antisubstancialismo, vacuidades, oferecidas 
  num bacana pacote promocional, um confortável 
  relax numa luxuosa e pacata estadia num SPA, 
  com garantia de uma plena e plana vacuidade. 

- através de ferramentas lógico-conceituais, psiquismos, 
  ilusionismos albergados em subserviência aos meios, 
  superação dos obstáculos; os da dor, os das paixões, 
  dos degustes, desfrutes, luxurias desenfreadas alucinado 
  por uma escalada social e possível ascensão de classe. 

- embarcações, encalhes margeando labirínticas 
  de espantos e a proximidade do assombro eminente 
  e tocar o vazio, que mais e mais se expande. 

- tão profundo, o profundo abismo refletido 
no espelho de uma rasa poça d'água. 

- re-finados são os re-cursos ad-queridos: 

- películas, rastros deixados pelos dados, 
  filmes, vídeos, falsas impressões em alto 
  e baixo relevo pelos rumos percorridos, 

- melodias de tino, timo, timbres, serialismos 
  percebidos como dodecacofônias, integralismos, 
  ordenações extremas, geometrismos, visuais 
  e sonoros, fractais sônicos, timbrísticas incômodas, 

- e uma confusão ainda maior, por imaginar 
  nov’elhos   modos, métodos, que poderiam 
  melhorar o pesado estado das coisas. 

__________________________________

- 13 -

- e ainda na caverna, no escuro, no escuso, 

- prestidigitadores (?) 

- quem seriam eles (?)

 - segregados (?) 

- manipuladores de títeres através de (telas), 
  muros, panôs para projeções de imagens, 

- blocos de pixels, construtos através 
  do fogo,   pequena chama que ainda brilha, 
  minúsculas fagulhas que av(i)ultam, 

- em seu hábil teatro de sombras, elementos e objetos, 

- imagens espelhadas, refletindo falsas impressões 
  ao largo de um cenário nefasto  e às avessas. 

- aprisionados em ver o que vinha vir do espelho 
  sombras projetadas, toda a encenação e feito 
  zumbis,   (a)creditam, letárgicos, como se pudesse 
  e fosse real, encarcerados, passam   (in)débitos 
  à chafurdar, loucamente, insignificâncias e pagando 
  um alto preço e às próprias custas recebem 
  como premio uma absurda e absoluta ignorância 
  com brados, insultos raivosos, protegem, defendem 
  em ígnea-errância suprindo   e nutrindo com unhas 
  e dentes   uma suposta urgência civilizatórias 
  aos imperativos neoliberais. 

- sem um batalhão de empobrecidos 
  não há como produzir abastados.

-. e assim tudo - tudo se remonta e de novo... 

- de novo ... e de novo ... tudo se re-mo(n)stra. 

- ingenuidade... (?) ... é ... pura e simplesmente, 

- sempre o mesmo palco o mesmo e carcomido nov’elho 
  o mesmo cenário, escancarando   a nossa total 
  incapacidade em dar um rumo   aos impulsos 
  aos ímpetos e a insuficiência   dos sentidos 
  em apreender o que pode haver no digo.  

- ah... e essa vontade em dizer 
  o que d(n)ele havia de imenso.  

- havia... há ... 

- e agora se ausenta, desaparece, some ao tentar 
  acessá-la, não lembra, não consegue, tudo 
  desaparece e o que fica é só uma rala impressão, 
  vestígios de algo, indizível, inaudito ... 

- que só de longe resvala em alguma coisa vaga, 
  muito vaga e longe, muito longe de um possível 
  e real acesso em poder alcançar algo, alguma 
  coisa de re-conhecível e que fica re-tido, nesse 
  fragilíssimo fio de memória, 

- perdido em rala lembrança. 

- seriam dúvidas (?) 

- dádivas (?) 

- não - nada de dádiva ... 

- talvez ... dívidas (?) 

- muitas dívidas ... muitas ... 

__________________________________

- 14 - 

O digo - o quantum, 

- o antes, no imediato, ao depois, 

- o quando ao dizer, 
 
- o dito, quando baixa, quando chega, chega 
  em partes, por vezes com-parece, por outra 
  com-padece, fragmenta, fomenta num contato 
  laborioso, obscuro, confuso e bem difícil. 

- e se remete, vai em direção, 
  se desdobra em um outro 

- e quando se mostra, labirinta 
  todos os seus meios. 

__________________________________

* Minos domina e horrivelmente ringe. 

* (Inferno, Canto V Divina Comédia de Dante Alighieri. 
- Tradução: Augusto de Campos.
 __________________________________

- Minos brinca, persegue, labirinta, rosna, 
  ruge, ruhaaahhh... buuhhh... 

- enrola a cauda em gomos e caminha de plano 
  a plano fingindo não ver os muitos novelos 
  de linha vermelha deixados pelo caminho,   

- e o que havia de imenso ... 

- e ainda há ...
 
- aqui, principia sustado 

- e por um suposto reino de além, 
 
- reino ultrajado, bem de aquém, dado à girar 
  e a girar em ciclos e mais ciclos repetecam-se, 
  muito bem programado e formatado. 
 
- iniciados regurgitam saberes e sabores 
  para seu bel-prazer e desfrute, 

- conduzindo e manipulando, as coisas 
  e as as condições de existência.  

- e aqui, tudo que vem,  

- desde o início já vinha-vindo 

- e em jorro contínuo 

- e assim vai... 

- e agora, 

- poder ver com clareza, tornou-se difícil e tortuoso. 

- em meio a tudo que arrola, 

- a tudo que seduz 

- os deslumbres, 

- fascínios, vislumbres desnorteiam a todos 
  que nela, nele, antes e depois, se embrenham. 

- e por temor, 

- por pura paúra a redundâncias a tudo redunda, 

- ah ... pudesse um outro em re-volta vir em dobra.  

- e quase sempre vem 

- e ao re-tornar 

- volta-se de um mesmo - mesmo sendo já um outro.   

- aí... já um outro se fixa-se e de assalto se pega 
  em total com-fusão, em despautérios e a tudo 
  vai cristalizando, em outra, outras, ficasse assim, 
  a vagar e a vagar - sem rumo - sem rumo algum 
  pelos intermináveis ciclos de miséria e disparates. 

- desejos doentios de controle, mídias e sandices 
  estapafúrdias e conspiratórias, gerando paralelismos, 
  distopias, re-versos, avessos aos outros, conduzindo, 
  encarcerando bandos alucinados e irracionais 
  produzindo seus monstros e monstruosidades. 

__________________________________

- 15 - 

- e em batalha ...  

- sendo o alvo, sem rumo, lançam setas de venenos, 
  perplexos da engenhosidade de seus excessos 
  e culpas, por tenebrosos labirintos caminham 
  liberando seus monstros - (?) - perdidos 

- cheio de dúvidas (?)  ... 

- e dívidas (?) ...

- e o mesmo já não é mais o mesmo, 
  e quando se deita no tempo, ao tempo 
  mesmo já é bem mais um outro, 

- mesmo movido em pequenos picos, 
  desdobra-se em gerativas, dinâmico 
  como nascente, em jorro, corre e arde 
  em desejos por compartilhar. 

- o quê do que do mesmo se almeja (?) 

- quando no imediato que acena o intento 
  acena no relance em se obter um lugar 
  de repouso, de um afago um lugar onde 
  o digo gera e diz e como e a quem diz, 
 
- aquele que fala, a voz que vem 
  e traduz num dito e diz, 

- seja assim ou seja assado 

- o que vem, é pela voz que diz, pelo olhar ... 

- daquilo que ao passar pelos olhos fala ... 

- meus olhos deram de falar... 
                        Itamar Assumpção

- deram de falhar ... (que bom), 

- e no dito, 

- vindo, por vir ou por ter vivido e vendo... o que agor vê 
  há de vire ver... e diz ...   

- já que o que havia, o que há e que poderia haver, 
  somente através de um contato - íntimo - é que diz, 

- então... 

- mesmo que ínfimo, pequenino 
  e pelos poucos contatos verdadeiros 
  e raros, em que se dão os encontros 
  é que se busca o toque e afeição, 

- na ardente procura em alcançar meios 
  meios como içar e conduzir o que pôde 
  e pode estar por vir e tentar e sim tentar 
  dizer como pode ou pôde se dar em partilha. 

- como, como com-par-trilhar  - (?). 

- mas nada disso alenta e tão pouco diz em dizer, 

- tão pouco diz, o que poderia haver, 

- e na medida da impossibilidade em agarrar o quê ... 

- do que de seu durante - seria como estar a caminho, 
  sem sequer ter dado um passo, que na imersão 
  o vir-ver que há de imenso na real escuta, 

- o caminho, na possibilidade em lançar e alcançar 
o que pode haver no ‘digo’ pó-se em enfadonha com-versa, 

- em dizer - (se) - em dizer e como no ninho, 
  aninhado ao intenso, no contato quando se dá 
  e no aconchego da imensidão de tudo isto.   

- e não é bem no tempo que isto se dá, 
  nem no imediato do intento é que se dá, 

- mesmo intenso, é em parte (?) 

- em alguma parte (?) 

- parte alguma (?) 

- nem no vago, no vácuo, no vazio, 

- nada - nada que pontua, 

- nada poderia demarcar esse lugar 

- lugar nenhum.  

__________________________________

- 16 - 

- não há, nem não há, nem pode haver, 

- o quê, para que haja um lugar que seja (?) 

- e nenhuma medida possível que seja ao que ainda 
  não está aqui e se ainda não está aqui, se aqui ainda 
  não entrou, o terreno que inspira e expira talvez 
  num plano, num interstício ou algo palpável 
  ou intocável que sempre esteve lá - talvez, 

- mas não aqui, não ainda,  

- aqui nada ex-siste, nada pode haver sem o acesso 
  ao repositório do que antes já há-via ... 

- do que há de palpável e que esteja fora do tempo,
 
- uma medida a se dar no tempo, 

- num tempo que passa, 

- tempo que ilude, 

- que passe então ..., 

- vai ... 

- passa ... 

- passe a um outro que verta 

- e que na fissura desça a esse vir a ser, 

- já que desde antes era, é  e será ...

- desde antes, desde depois, 

- (n)um outro que já vinha-vindo 

- e talvez até chegue mesmo, 

- e chegando, de imediato de novo passa ... 

- passou ....

- o mesmo, quando se desdobra num outro, 
  mesmo que em ínfima parte, 

 - parte de um que se espelha e se espalha, 

- ponto-a-ponto. 

- sujeitar verbos, 

- verbear sujeitos, 

- tornar vivo os sujeitos, 

- entificar os objetos. 

- os diretos, os indiretos, os tortos. 
__________________________________

o poema é uma entidade-viva.  
__________________________________

- 17 - 

- capturado o digo, 

- digo: 

- quase sempre é (sem) escolha. 

- e não se sabe de que lado adentra ou aderna 
  ou o que torna, o que vê, o que ouve, 
  o que se percebe ao dar ou ter visão, 

- em visar e se dar em audiência, 
 
- re-ver, re-visar. 

- sei que aterrado e paralizado fica 
  em com-sumir-se ou em com-somar-se 

- por-através - pode até ser que dê alma, 

- ou asas, 

- ou arma. 

- e por’entre 

- pode até ser que se ate e diga alguma coisa que valha algo 

- e quando diz - ao que se diga. 

- mesmo que sub-traia ao desocultar-se, 

- e assim se remeta, quando na vasa, 

- seja lá como for, abduza ou induza os sentidos 

- e em ser-viço e não servilismo. 

- que se lembre, mesmo que sob o fascínio, 

- como (?) isso se deu na sede do instante (?) 

- no capto (?) quando alcança - caso alcance ... 

- traduz - e ao traduzir, fatalmente trai 

-  e neste toque, embriagado, 

- quando adentra, tateia. 

- e tateia ... e tateia ... tateia ... 

- cambaleando, 

- incerto nos passos e tomado por insaciáveis desejos, 

- de degustar o degustado, 

- por caminhar, por invariáveis vias de prazer e dor. 

- feito uma mula de maia. 

- roça o que emerge das lembranças, 

- do que brota, regadas e afagadas na memória, 

- atritadas, tornadas e-vento, 

- num esforço enorme em traduzi-las. 

- e em lembrar-se-lembrar 

- em re-conhecer-se nelas ... 

- camada por camada, produzimos cenas, visões, 
  vislumbres, caminhadas, buscas   incessantes 
  em querer atender, entender tudo isso ... 

- ao quê (?) o que das impressões, 
  das manchas, marcas in-tentadas (?) 

- o que fica são lapsos esparsos a-ventados 
  aos sentidos, ao corpo, diante das fases 
  e faces que  se desdobram dos intentos, 

- das maldições, das benesses, 

- do agir e re-agir pelos ciclos e ciclos intermináveis... 


é ... karma é phoda ... 

__________________________________

- 18 - 

- O signo-sino, 

- ao blem-blom do digo. 

- o signo-o-sino

- o timo, os lábios, a língua, as lábias, 

- estigma

- e o encontro dos lábios. 

- o beijo ... 

- nas badaladas de um tempo, 

- tempo de algo. 

- e ainda fora dele 

- estimo.

- e quando já nele, 

- ao que há de absorto, 

- que emerge do toque ... 

- aí é que se dá ... 

(?) 

- é nessa cata que do instante se instaura, 

- o que aqui, por imersão se achega e ata, 

- em nós - 

- em muitos nós. 

- na tentativa em reter na memória, 

devido a multiplicidade, 

- dos desdobramentos das poéticas possíveis. 

- como na orquestração, na disposição textual em que 
  a voz se projeta no espaço, na temporalidade da fala 
  o ‘como’ que pelas poéticas, várias, muitas, tantas, 
  se dão   e vão se mesclando e se instaurando em nós... 

- pela tomada de espaço que no tempo se instalam, 

- e em tempo, no tempo, de forma imbricada, 
  com o espaço, vão se ajeitando, se adequando 
  as pronúncias, tantas quanto possível, 
  e suas   variações, que de uma mesma 
  fala, pode se estender em tantas outras, 

- à nós ... em nós ... por nós ... 

- são tantos os nós, 

- o das sonoridades, 

- da gigantesca gama de sons e cores, 

- do imenso leque e desdobramentos dos tons, 

- dos timbres que surgem, que emergem 
  que se unem, separam-se, com-juntam-se 
  se aproximam e se distanciam, se arranham, 
  roçam superfícies... e por vezes... 

- profundamente, 

- o que pode vir atar ou desatar em nós, 

- esses tantos nós. 

__________________________________

- 19 - 

- e eu ... e eu ... e eu ... que eu? 

- que história há nisso? 

- são tantos os eus e em nós, , 

- e são tantos os nós em nós ... 

- uma infinidade de nós - miríades ... 

- fazer e desfazer amarras, 

- e são tantas travas, 

- tantas couraças instaladas. 

- tantos grilhões de um tempo que (ir)rompe, 

- que furta do tempo o tempo mesmo, 

- sem nenhuma prévia, 

- e quando em direção a um outro, 
 
- sem um antes, nem um depois, 

- sem nenhum vestígio da passagem, 

- dos interstícios - os tenebrosos, 

- e tudo estranhamente - ‘para’ 

- estanca, sem sequer ser antes ter sido algo, 

- e em momento algum,  

- e fica sem palavras, 

- e nesse vai e vem que cansa,

- dá uma vontade danada de desistir, 

- deixa a gente exausto assim dum jeito que só, 

- que o melhor mesmo é ficar calado,  

- desassuntado... 

__________________________________

- tudo estava lá (?) 

- tudo ali, 

- desde o início. 
__________________________________

- 20 - 

- tempo de dentro 

- num espaço de fora, 

- tempo de fora. 
 
- num amplo espaço de dentro, 

- aberto, cavado, 

- fora, dentro nele 

- espaço incógnito 

- tempo in-deter-minado ... 

- fora-ou-dentro - de dentro pra fora

- em algum lugar, num lugar, - lugar nenhum 

- que lugar é este? 

- será um lugar? 

- e ao tentar ... 

- lembrar-se-lembrar ... 

- o quê ... do que pode e pôde se (a)presentar 

- e que aqui somente parece ficar, 

- e ficou ... sei que ficou ... 

- mas agora tudo já se turvou ... 

- é só uma vaga e tênue lembrança 

- estava dentro – veio pra fora, 

- é bem mais, nem dentro nem fora 

- não estava, nem está em lugar nenhum, 

- nenhum lugar que possa abrigar 
  o que pode vir e o que vem do digo, 

- e aqui - agora - bem agora, agora-agora, 

- permanece imobilizado - parado ... 

- dentro daquilo, que antes, bem antes disso, 

- eriçou, arrepiou os pelos e aturdido, esbaforido, 

- exausto ... abobado por tentativas e mais tentativas 

- em pegar com as mãos o que naquilo havia, 

- que há e que ainda pode haver no digo, 

- esse desejo de poder catar, de sondar catarses  
  que despertam e nos remete a algo que vitalize 
  e promete e produz desdobramentos quase sempre 
  imprevisíveis nos embrenhando por fendas e brechas
  finíssima, gerativas que tanto fascina, 

- e encanta, algo de quase palpável passa e propicia  ... 

- e que nos deixa logo, quase de imediato, perplexo, passado. 

- e quando passa, nos relega a um súbito esquecimento ... 

- de novo ... 

- então que passe ... 

- que passe então, 

- essa procura incessante, 

- esses acontecimentos e eventos que nos dão fôlego, 

- um alento que arranque aquilo, daquilo, naquilo 
  que estagnado, escondido, retido, aturdido 
  e internado, pipoque de lá pra cá, 
  desvelando sua potencia. 

- que pegue, que pegue então, nessa fissura desse algo, 
  alguma coisa de útil, ou mesmo aparentemente inútil, 
  algo que se dê, alguma coisa que venha desse algo, 
  algo que de alguma forma possa fazer e faça algum 
  sentido, doidecida que seja a busca, pela persistência 
  em decifrar o quê e o porque de tudo isso afinal, 

- surge como um rebento, 
 
- e escancara o rosto, rasgando o manto 
  que separa o mesmo do outro ...  

- e o que brota ao se dar ... 

- no fisgar, no pequeno choque 
  que dá ao roçarmos o digo, 

- na estática do toque 

- que eletriza - vigora. 

- e esse quase inexistente véu, esse véu indecifrável 
da fiação dos sentidos carregado de vigor pelo capto. 

- esse sinistro e vago halo, essa mágica esfera 
  que com um ponto no meio a tudo toca 
  e torna em coisa, embora não ele, 

- e nos remete em direção a um inevitável 
  e estranho regresso e nesse voltar que aqui, 
  previamente se (a)presenta, se (a)percebe 
(antes) no imediato, em capturar no dito o digo. 

__________________________________

- 21 - 

- e tudo se espelha, tudo parece ser 
  reflexo,   fingimento, e talvez seja 
  mesmo, tudo que versa, se inversa, 

- se espelha, 

- o que vem do capto e o que se produz 
  e como se produz  apartir dele, 

- e em êxtase passa e se reproduz. 

- ié estranho, 

- tão estranho, 

- tudo aqui é muito estranho.  

- aparentemente, nada havia  nada há ou houve, 

- mas parecia haver - parecia, porque (a)parecia.

- porque constantemente tenta-se dar algum sentido, 

- trazer aos sentidos uma possível 
  versão que seja tangível 

- melhor mesmo seria somente se aquietar, 

- e nada mais a dizer, nada, nada mesmo, 

- aqui ... lá ... 

- onde quer que seja, mesmo em lugar nenhum 

onde a língua, as palavras, a voz que dá à fala ... que fale ... 

- onde a linguagem toca, mas não alcançar, 

- mas teimosa e birrenta tenta 

- talvez por vaidade, ou talvez até haja algo 
  a se dizer, algo que ainda não foi dito 

- algo em 'se' dizer-se ... 

- e há ... sempre há... 

- sempre houve ... 

__________________________________

- 22 - 

Em nado contínuo ... 

digo : 

nada continuo ... 

digo: 

- nada a dizer, nada a dizer do digo, 

- nada que dele venha que se possa ainda dizer, 
 
- ou que - se-se diga 

- que ao vir aqui, por aqui se diga 

- algo que diz ... 

- ou diz-diz ... 

- algo que das coisas se diga ... 

- ou das não-coisas que aqui, daqui ganhe voos, 

- e que fale e algo diga. 

- alguma coisa, ou coisa alguma que se diga, 

- ao que aqui pôde e pode realmente nos dar liga. 

- e vai, toma um rumo 

- que ergue ou se quebra, e mesmo que aos pedaços, 
  parta e seja ou possa vir a ser, 

- ser arco ou seta ou alvo,  

- que rume daqui, dali, par’além 

- esse produto que do oportuno rompe o tempo, 

- e ancorado ao instante, 

- às avessas, 

- deita-se libidinosa em sentença. 

 e assim versa e re-versa, 

- camufla, não camufla, se oculta, 

- e se escondendo revela-se. 

- se instala e vem e fica, 

- e ao se de-morar um tantinho nisso, 

- disso iça o que nele, dele se deu. 

- e lembrar ... (?) 

- e no  verso, no re-verso, 
 
- in-versa e tenta alcançar algo 

- algo que aqui, quase sempre se ausenta 

- e que só muito fugidiamente se (a)presenta, 

- afoito, todo aquele que de resvalo contata, 

- se acaba em martírios de retórica e se perde, 

- e assim umbralina a voz, a fala gagueja 
  em ralas narrativas, em opacos diz-cursos.  

- não dialoga - diabola (?) 

- ié só por um talvez que se abeira o toque. 

- e cadinho, demorando-se nele, se deixa traduzir, 

- e ao ser tocada se entrega úmida, 
 
- se abre e se mostra ao ser roçada, 

- e traz à tona, eriça os pelos, saliva a língua 
  beija e o digo verte, toca a boca - e diz... 

- e se dá... 

- mas ao tentar traduzir no dito traí, 

- e aos trancos e barrancos, 

- ao que de si se diga, 

- se diz sempre a um outro 

- mesmo o que do pré-existente 

- vaza e resvala por tessituras audíveis e inaudíveis, 
  em escalas diminutas, aumentadas que nem de longe 
  alcançam toda a gama a ser percebida e se aparelham 
  em meras, parecenças, símile daquilo, daquele ue só 
  de vislumbre se apresenta ... em escuta ... 

- n’algo... nalguma coisa - ou coisa alguma que se mostre,  

- ou que faça com que se reconheça. 

- agarrado ao que do conhecido emerge, 

- estaciona e chega até nós . 

- ié nesse voo cego, 

- voo cego 

- temido voo. 

- ah ... livre ... 

- pudéssemos sanar esse terror extremo do vazio. 

- o vazio - 

- o amplo voo de nossas buscas e angustias, 

- no espaço vazio de liberdade, 

- onde o extremo e o extenso acontecem 

- nós nessa gaiolinha para diabretes alados ... 

__________________________________

- 23 - 

- ah ... o medo, que medo... 

- o medo ... 

- o medo finca, o medo reside, resiste, 

- o medo fixa, o medo reside 
  na falta, na ausência de sentido. 

- assim o desabrigado 'quase' 
  sempre almeja e quer se alojar. 

- a tudo que se engole ou regurgita. 

- onde tudo se esquece.  

- a tudo esquece. 

- se esquece 

- esquece. 

- em cima dos criado-mudo se esquece, se abjeta, 

- vira coisa mofada, bugigangas, coisas mortas. 

- ié cômodo, muito cômodo, 
 
- num cômodo qualquer 

- em caixas e mais caixas acumuladas, guardando, 
  acumulando coisas, coisas e mais coisas. 

- falsetas, concepções, - conceitos, cartilhas de controle, 

- visões programáticas, falsas certezas. 

- e por (in)puro que pareça se deita, por pavor, 
  por pura paura mesmo de perder, por estar 
  embolado em meio a uma bagunça danada. 

__________________________________

- 24 - 
 
- luz&sombras, 

- terror do desconhecido, 

- do imensurável, 

- dos prováveis, 
 
- de um leque imenso que se abre, 

- e fica assim ... mulado. 
 
{ - mula de maya - } 

- ou numa similidade qualquer 
  que seja, em voluntária servidão. 

- tornado mantra, reza, terço, feitiço ou num encanto 
  qualquer obrigando passivamente a se assentar 
  em constantes adequações, em perpétua prestação 
  de serviços a suprir as necessidades e desejos 
  das gulas e vontades luxuriosas de castas 
  previlégiadas, de uma corte torpe e guardado 
  com seus segredo nesse horrendo umbral 
  fáusticos, ardendo de desejos em ser 
  convidados à uma farta mesa e desfrutar 
  da companhia fantasmagórica de um rei morto, 

- em abissais  profundezas... 

- de-mentes escravizadas, encravada história 
  afora em passivo e cego acordo. 

- e aos sustos, ruidosos surtos, impactados, 
  brincando de estátuas servis, imobilizados ... 

- cristalizados, gerando muros, grades 
  através de jogos de competitividades  

- em jorros e mais jorros de regras e mais regras, 

- regramentos e regulações, regurgitações 
  falsamente complexas de uma gosmenta 
  e fatal classe dor-minante. 

- (dis)cursos, palestras, cultos, seminários, workshops 

- deitando divisões e misérias 

- ditas civilizatórias. 

- regulando reativas, ações falseadas, 

- que a torta e a direita a-destram e condicionam,  

- abobalhados por intermináveis métodos de controle.  

- demos, destros, 

- ‘sinistros’ e encarnados, demarcados ao longo da história. 

- demos e destros - ‘sinistros’ encarnados 
(em que a origem a muito se perdeu), 
relegados ao obscuro, ao ser oprimidos. 

- rechaçados, habilmente produzido, alicerçado 
  sob uma extensa base de estreitamento de idéias 
  e ideais, gerando chagas condicionantes, ocultações  
  e velamentos e o caminhante secular estigmatizado 
  em patas - as de um ‘bode' milenar - ao obscuro 
  ao obtuso, relegados e devidamente oprimidos, 
  rechaçados e habilmente produzido, 

- segredinhos revelados somente a poucos iniciados. 

- mentir - mentor - mentira.  MNTR

- máculas de lingu’agem, manchas de linhagens, 
  que no mesmo, mesmo em outros, desarrolam 
  em perpétuo e contínuo desfrute, degustes ... 

- intragáveis... 

- ié na medida da pega, 

- e em ávida catação de sentido. 

- em dar sentido, 

- aos sentidos, 

- tão sentido, 

- tão sentido. 

- por empréstimos mesmo, 

- no desenrolar do tempo, 

- de tempos predatórios, 

- pois passe, passe então, já que vive e morre, 
  passarinha mesmo que breve, pois o perene 
  se esconde no instante - por instantes,  

- entre asas e o voo. 

- vai... vai... sai... sai daqui... sai... 

- vai... aprende, apreende e dê asas, afira a ofertada 
  liberação e toda maquiada, manipula e quer ardente 
  controle encalacrando em gaiola as feridas,  

- forma fundida, ferrosa que fere no pó e em pó range 
  no pós, gélida, fria, tão fria é a grade, encarcerando 
  e conduzindo a planos de esquecimento. 

- desfrutar, degustar dos sentidos. 

- tão sentido ... 

- tão sentido ... 

- os mesmo, incompletos e falhos. 

- sujeitos, sujeitam e objetam a tantos. 

- tantos normais ...  

- tantos mortais ... 

__________________________________

- 25 - 

- sujeito e objeto a serviço de nefastos, adestradores 
  e nada do cumprimento das promessas da muito mal 
  traduzidas sagrada escritura, tão bem formatadas 
  por narrativas e sagas heroicas e binárias, 

- heróis & vilões. 

- quase sempre somos os  heróis, 

- vez ou outra vilões em nossa própria história e crenças. 

- Dividir em rebanhos e instituir por decretos 
  venerações e cuidar de (a)cumular adeptos 
  devotados e cegos em alucinada adoração,  

- quanto mais irados, raivosos, mas voltados 
  à adoração por crápulas salvadores da pátria 
  e égide maniqueístas, protetorados,  

- espólios de des-traduções, convenientemente ajeitadas 
  aos interesses e à disposição de castas   dominantes 
  uma escória insaciável e devastadora, 
 
- e o que ainda resta de algo que insistem na manutenção 
  de tradições, sandices e mesmerices a se manter 
  uma aristocracia gagá e seus privilégios. 

- desvairados, enlouquecidos, adoradores do ódio, 
  da raiva pelo outro, dispostos   à guerra, 
  pela tradição, pátria, família, propriedade, 

- por um deus-pai, um divino macho que está num céu 
  cheio de nuvens, aves e aviões... 

- raios e trovões ...

- o que não é espelho é inimigo, é vilão.  

- e nada que atente 

- nada que atenda, 

- e nada que impulsione ou conduza algo 
  que inove, que mova e melhore os percursos. 

- as opiniões, às escolhas, à educação recebida, 
absorvida, conduzem e levam ao surgimento 
de  pragas, ideias binárias, ideais conspiratórios, 

- isso tudo ainda vai nos condenar 
  a conflitos catastróficos, 

- programações construídas à produções 
  destrutivas e de controle com fins 
  de geração de lucro fácil e rápido, 

- construtos de falsa memória 
  e por insistência e repetição, 

- feito mantra ... 

- idiotizar, conduzir criaturas alucinadas 
  em crer e fazer qualquer coisa 
  que mantenha quem os oprime. 

- amar o opressor - um mito-mico ... 

- inominável 

- fabricado, um fantoche difícil de definir 
  e temente a deus-pai, um deus-macho 
  que esta no céu - que céu???

- esse??? 

- céu poluído, tóxico, pesado e armado ... 

- intragável. 

- Afinal é preciso ter classe para reinar 
  e desfrutar deste mundo, neste plano ... 

- um mundo apropriado e construído 
  para o desfrute dos mais abastados ... 

- é claro ... (?) ... 

- e em giros intermináveis. 

- eras e mais eras de doutrinação execrável e cega 
  subserviência e obediência, opressão, condução 
  através de regulamentações de conduta e muito 
  bem   cartilhados em divisões de castas, de classes, 
  bandos, trupes descerebradas. 

- e logo que se lançam, em ruidosos ataques 
  ferem e com-seguem bagunçar e destruir 
  toda ponte possível a algum avanço . 

- balanço caótico, gangorra de manadas que pululam, 
  proliferam por redes algorítmicas, frágeis doxas, 
  opiniões sem nenhuma base ou coerência, a-feridas 
  por autômatos e feito zumbis, fermentados em ódio 
  e desavenças, numa horrenda massa uniformizada, 
  seguindo ditames em régia nefasta, hedionda. 

-  empurrando falsos dados, goela abaixo, 

- passam e repassam, em bandos alucinados e cruéis 
  e em baixíssima frequência com ares - (hades), 
 
- em roupagem, uniformizados com cara de direitos 
  adquiridos, utilizam-se de velhos recursos de controle 
  e em pedaços, frases moldadas, fragmentos formulados 
  e  adquiridas ao léu, e nada sutis, colocam-se à mercê, 
  em percalços impostos à base de gritos, urros de ‘fé, 

- bandeiras e espadas,  inúmeras deformações 
  e em tal grau   que com entusiasmo e devoção 
  servem à canalhas degenerados,   produzindo 
  retrocessos, degenerescências culturais e sociais, 
  tacanhas, descabidas, destrutivas, emperrando 
  toda possibilidade de avanço. 

__________________________________

- 26 - 

- um dado, um dedo, um passo, - um poema, 
  um texto,   uma boa prosa, um som, uma voz, 
  uma música,   uma canção que passe e cante 
  que diga uma prece sonora, um alento, 

- uma imagem, uma mídia visual do-que-aqui expresse 
  e diga algo que alce, algo que alcance e ice, 

- mesmo que sem querer, mesmo que a esmo, 

- ou por acidente, algo que eleve, que seja leve, 
  ou mesmo pesado, diga à que veio e diga 
  seu dito   em alto e bom tom, que fale 
  em voz alta,   para que o digo baixe 
e nos contate e se (a)presente 

- com tudo que possa dar ou mesmo tirar, 
para que frente aos dilema venha e cure 

- refletindo no curvo, na curva, pela imersão 
  do que há no toque, daquele algo que havia, 

- e algo nos dizia... 

- naquele instante em que tudo havia ou parecia haver ... 

__________________________________

- 27 - 

O dito - o digo luminoso (?) 

- in-duz e abduz, com-diz e produz, 

- ins-pira e ex-pira, ex-ala, ex-alta, 

- espalha doçuras, rancores, ira, ranços. 

- no mergulho que por anunciar e enunciar 
  por sobre   a malha do que há de bruto 
  do que de sutil pode   haver, ao perceber 
  ao sentir e o que dos tantos mundos 
  pode ainda emergir. 

- mesmo fora do que nos ventila 
  e faz e leva e traz e verbaliza, 

- se ajeita ou mesmo relativiza as constantes. 

- e que, no tempo 

- em que se sujeitam 

-  quando em captura do que nos traz e diz; 

- ah ... esse vai e vem que chega, 

- que vai ... 

- e de intento e intento nos mantem. 

- e se instaura. 

- que desvela e sub-trai ao contato, 

- e ao se dar, pode ou não nos dar livras, 

- aí ... 

- e sem receio algum, relegar, ao banir, 

- escapar desse auto-cárcere, 

- das incontáveis mentiras, 

- a tanto ... 

- e a-tentos (?) 

__________________________________

- 28 - 

- e nesta ciência - (?) 

- ao vê-lo ... vê-la ...

- (se) - auto-re-vela 

- ou guarda em segredo. - (?) 

- e em contato íntimo, re-ver em que medida 
  os contrastes, as constantes, o zelo, 
  o imenso   quando baixa e nos e-venta... 

- ao falar, ao olhar, ao dizer, 

- e ao livrar-se disto. 

- livrar o livro de tudo que o venda, 

- ao vê-lo, 

- ouvir-ver o que se vê, 
  o que se sente, 
  o que se pensa ao lê-lo, 

- o que se ouve, o que se vê das coisas, 
  das inúmeras não coisas, ao ocaso 
  no ocaso dos  toques - ié tão frágil... 

- tão frágil o que aqui insiste, o que aqui ex-siste 

- dada a existência. 

O existir intenta (?) insiste 

- esteve aqui, está aqui,  sempre esteve 

- mas ainda não vive. 

 - no viés de tudo que move e se pronuncia, 

- fatalmente assim também vive e morre. 

- e no espaço em que se deita, o ilusório 
  linear que no tempo se dá, 

- um tempo que escapa e se espaça em tempo, 

- um tempo que passa - passo a passo. 

- um tempo de antes, um tempo de depois. 

- (?) agora ... 

- tempo que imprime, que oprime, tempo que ilude ... 

- a vigorar... 

- o in-sistir in-tenta 

- dado à ex-sistência. 

__________________________________

- 29 - 

Se-se privam (d)as significâncias 

- (in)voluntaria, 

- emolduram-se e se embotam. 

- o mesmo e o outro. 

- o mesm’outro. 

a pessoa se outra 
como diz Pessoa, 
 
- para assistir, sem mascara, 
  o desdobramento do Eu em Outro 
  que assim vai - outrando-se

- o mesmo é mesmo um outro.  

- e a palavra colapsa, ondula, eletriza os pelos, 
  os cabelos,   turva os sentidos turvam as águas 
  os olhos, sem alento algum, o sopro, a refrigeração 
  do olhar, dos olhos, dos lábios, num beijo 

- e úmida enlaça, roça a língua, mas enrosca e oxida, 
  entra em com-bate, submerge e fere o dito, 

- bota, choca, brota, e se arremessa a um outro, 

- e se arremete, atabalhoa embota e mente. 

- mente, não conecta, não interage, 
  não dialoga, se embola todo ... 

- diabola... sem com-par-trilhar 

- nada enamora e em auto-anulação, 
  se adiam, re-jeitam - se - 

- nada contatam ou tocam. 

- ausências e desertos, 

- labirinto sem ariadne, 

- sem novelo nem guia vermelha, 

- e o que agora vem da língua quase nada 
  sub-verte, inana isso sim, 

- não caminha junto e nada relaciona. 

- não age, nem reage, nada pro-move, 
  ou provê, não divaga e assustado estanca,  

- e estagnado ... 

- espera e espera … 

- espera ... 

__________________________________

- 30 - 

Ávida - emoldurada - objeta, 

- sujeito e objeto em pausa. 

- objetam-se. 

- sujeitam-se.  

Está aqui mas ainda não vive. 

Obra parada não-mirada, pendurada em parede, 
aprisionada em livro fechado e não lido, estacionado 
em estante quadro não visto, olvidado em parede. 

- vislumbres de ideias não dedilhadas, 
 que não se tocam, não desce às mãos. 

- Desemoldurar o que aqui se passa e na obra, 
  que se encaminha docemente com-vivem e juntos 
  se deitam, circulam com o que aqui vive e ent(r)e-fica. 

- Confinamento espacial, represamentos, 
  tempo cristalizado,   moldado no bi ao tri 
  dimensiona. insiste e enamorado persiste, 
  em lugar dado à’feitos - desde o início tudo aqui, 

- temporalidade suspensa em seus moldes, 
  existência estática, silenciosa, paciente espera 
  tange, causa efeitos e com-vive 

- ié ... através de com-vivência prolongada, 
 
- a ideia de uma ideia que o ideal volita, vinga e vigora. 

- a ideia se achega de mansinho, afeta, 

- apropriando-se do tempo que discorre 
  e em seu decorrer, quando o digo gravita 
  e emana,  paira feito astronauta, 

- e dá-se em tempo 

- no tempo - (?) 

- daí ... 

- (a)parenta deitar-se no tempo 

- e se deita com seus efeitos. 

- quando privado de sentir, de pensar, nada expressa, 

- nada volita ao tentar apossar-se. 

- como se algum lugar para se estar 
  fosse ou pudesse ser repouso. 

- à cata de uma ideia de um ideal de um lugar 
  mesmo criado a um outro que se remete 
  a um outro e a dizer algo. 

- que antes, escondido, 

- bem escondidinho no digo 

- digo: ígneo,   

- aquilo que quer vir, 

vem, quer ir-para,  

- e afogueado, com-para. a(s)cende 

- e em fagulhas, farfalham pelos fluxos de tempo, 

e de tempo-em-tempos, incendiando as velas, 

inter-loca por vias, 

- e por elas querer nela morar, 

- e ela, ele, 

- e consigo mesmo, 

- de vento-em-popa, a um outro chega, 

- se achega e passa sem ainda mesmo nele vigorar. 

- e se a um outro, ainda assim vir, e por ali se demoram, 
-
 - e com-versam, a um outro ainda se dá, 

- e mesmo já a um outro 

- faz girar essa roda em ciranda na dinâmica da gira, 

- e gira a um outro, 

- e a outros se dão ... 

- assim inventa dinâmicas, velamentos, vislumbres 
  e deslumbres - e novos velamentos - (?) 

__________________________________

- 31 - 

- o artífice, quando em perrengue, estanca 
  em seus medos, em seus modos, 
  em seus moldes e hábil trama esconder-se, 

- encalacrar lugares 

- em cômodos, 

- cômodo 

- um lugar à se alcançar 

- um lugar propício 

- e alçar voos, 

- encarcera - (se) 

-  e num canto, 

- um cantinho criado qualquer que seja, 

- apegado em processos desmesurados,  
assustado se em-pregam. 

- e deita, debruçado e sem travesseiro, 
e a corrente sanguínea deixa de fluir, 

- correr um incomodo no ombro, doe, 
e aprisionado num horizonte escuro, 

- ambiente estreito, maquinando, por sobre os braços,
que formigam, doe, adormecidos ... anestesiado. 

- cansa do dito, da fala, cessa em dizer, 

- agora, 

- o que vem do digo, 

- o que vai, o que vem a partir dos olhos, que ardem ... 

- em vislumbre ... sussurram ... ao pé do ouvido ...

- pre-visões, visões re-visões.  

- largadas, sucumbem e se abandonam,  

- exausto, sem  vigor algum. 

- comendas, contendas, encomendas que não nos dão 
  mais livras, mas que escravizam, coisificam, não dão 
  liga e mais nada, nada de vivo mais aqui se encontra. 

__________________________________

- 32 - 

- Dentro e fora, ao observar 

- quando atento 

- é só quando 

- nem dentro nem fora. 

- que propriamente se alcança o que das constantes, 
  e de seus tantos, das inconstâncias de seus possíveis, 

- e fora, lá fora, de um lado, de outro 

- que de um outro pode vir e vem 
  e depois vai e corre historia a fora. 

- engendra e se instala convenientemente, 

- bem dentro, 

- e brota, potencializa e dá todo o vigor. 

- dentro e fora produz, vitaliza. 

- e dentro daquele que aprecia 

- do que se adentra,  

- e o que no aí se observa ... 

- do instante é que se dá algo de além, ou mesmo aquém, 

- o digo, se dá no aqui, - ou mesmo que seja ali, 

- é onde a linguagem, 

toca, tece, vivi-fica e acontece, 

- onde ela age, gera e produz 

frente à presença histórica e à vida mesma. 

- e que ora vai, ora vem 

- ié a ela com suas vagas, suas vogas, sendas e giros,  

- e tudo e a todos que nela se qualificam, 

- permeiados em múltiplas significações. 

__________________________________

- 33 - 

Se-se privam 

- a vivência aborda ou aborta, 

- nubla, enubla ou dá estio. 

- internam por bem a seus intentos. 

- quando percebidos. 

- toca, se roça, resvala e faz contato, 

- hábil, produz e persiste e insiste. 

- gera intentos 

- e iluso cogita tecer existências. 

- pelas prés, 

- pelos prós, 

- em deter-se, minam posições,  

-  mas por aqui … 

- em ondas de duplicidade, 

- o ente-vivo, 

- os eventos se moldam, 

- segundo especificas conveniências . 

- está aqui 

- sempre esteve 

- mas ainda não vive. 

__________________________________

- 34 -

O início, o meio, o fim, 

tudo sempre esteve ali. 

- e aqui, em processo, 

- desde o início, 

- em silenciosa espera, paciente, 
  tangenciando o perceber das coisas. 

- se ancorando onde pôde, conforme as condições dadas,  

- se privam é por conveniência, 
  ou por inconsistência,  

- uma ideia, quando se instala, 

- é de estalo, ié necessariamente espelhar  

- nem no espaço, nem no tempo, pode o aí-criativo 
  construir um lugar, uma base, uma casa onde o criado, 
  possa habitar em algo, o que do incriado chega 
  e se aconchegar, acaba por dar pouso, indistintamente 
  e pode até colher e acolher esse algo e mesmo assim... 

- mesmo subtraindo ao desvelar-se ...

- é aqui que o digo e o dito ocorrem. 

- e assim, inevitavelmente acaba por criar moradas. 

- é através do cambiar, 

- no dialogar entre o mesmo e o outro 
  em que o humano acontece, 

- a-com-tece e pode se dar. 

- sem que haja esse diálogo, 
  sem essa interlocução, 
  tudo sucumbe. 

- não há como instaurar espaço de vigor sem ‘relação', 
  sem içar o mesmo e o outro e alçar com-juntamente 
  tudo padece ... tudo começa a minguar ... e falece. 

__________________________________

- 35 - 

- na medida da pega, dos empréstimos, 
  de como se capta,   e o que do capto 
  causa e gera seus efeitos. 

- pode ser múltiplo o que dos passos, 
  dos dados do alcance do caminhar 
  dos tropeços  e percalços do caminho 
  é que o que tem vazado pelas frestas 
  do digo e que passa por entre as escolhas 
  e do que se percebe 

- o do que deste mesmo-mesmo 

- a um outro se remete e passa a se relacionar 

- e quando já aqui liberta ou oprime. 

- não importa se-se agarra, ou seja lá 

- o que for que que se capte e traga, 
  ou que se arreste pra cá o que do digo 
  algo que se diga, algo que se (a)presente 
  e se desemoldure. 

- o quê, que na obra se passa e passe 
  a ser-para que caminhe, com-viva 
  e em-ti-fique e viva… 

- já que está aqui... e passa a existir. 

- o que passa a se sentir, a se pensar 
  a se traduzir das sentenças, da prosa  
  das com-versas, dos diálogos 
  e o que delas, nelas se pronuncia. 

- das sensações, das impressões, das idéias, 
  volições e representações, às afeições 
  e seus efeitos, e seus defeitos, 

- a vida e a arte em elevada esfera,  

- por-aqui, - no aqui - onde in-sistimos e re-sistindo, 

- onde existimos. 

- e que adentre naquele que aprecia, 

- par’além do mero - degustar o degustado - (?) 

- mastigar o mastigado - (?) 

- já não é mais possível que seja sempre assim, 

- já não se faz e nem é, não, não é mais possível. 

- mas, o que há de novo, 

- o que há ainda por dizer 

- fazer e como fazer para que de outra maneira, 
  d’outra   forma possa ser e seja; que não seja 
  estanque   que não mais nos importune 
  não mais nos empanturre, 

- mas que mergulhando no instante 
  se observe, se absorva e se entregue ... 

- e - a-tento num-aí qualquer que se dá, 

- o que do digo vem e ao dito vai e se dá. 

- dá-se num lugar onde a linguagem valha algo, 

- que aqui, ali, acolá,  

- ocasione, içe, que alce, realce, que gere, que aja ... 

- e mesmo que subtraindo ao se desocultar, 

- abra, abra em leque com-centrado nisto 

- que norteie ou mesmo desnorteie a todos que nela se embrenham. 

- mesmo que seja necessário entrar em combate, 

- por todos os rumos, tenha lados ou não, que venha, que fisgue, 

- mesmo que divida ou multiplique, 

- estender a linha desse novelo e se perca 
  nesse vermelho sangue e se ache se perdendo 
  por esse labirinto que não tem fim, 

- mesmo permeado de tramas e traumas. 

- mesmo que por períodos esparsos, 

- mesmo caotizando, 

- porque podia muito mais agora valer do que antes valia, 

- pois então que valha,   

- que valha então ... 

__________________________________

- 36 - 

- a arte não precisa - ser paterna - nem materna. 

- nem heroica - nem vilã. 

- todos somos heróis e vilões em nossa história. 

- portanto, cuidado no que se insere,  

- porque quando e ao quanto se adere. 

- que nos dias e nas noites - seja, 

- e oportunamente solidárias... 

- a ela -  a ele… 

- ao mesmo... a mesma... 

- na mesma, no mesmo, 

- a outra - um outro... 

 - semeie, que seja, semeando. 

- com suas vogas suas vagas, 

 suas sendas, seus giros, suas giras. 

- e por através - entre 

- entre ... par’além... 

- e nesse ir e vir... 

- nesse vem e vai... 

- que plante, que regue, que vingue e aflore, 

... vá a forra ... 

- adoce ou amargue. 

- que salgue no sal das lágrimas, 

- nas rugas no riso, 

- amargue ou adoce 

- no úmido cálice dos lábios 

- do lábio, dos lábios, 

- da fala, na voz, 

- lábio-em-lábio 

- se encontrem num beijo

- que beije. 

- numa com-versa 

- no laço do beijo 

- que se encontrem, 

-onde língua e linguagem convirjam ...  

- Vertilábios ... Ver-ti-lábios ... 

méleos-pimenta ... - méleos-pimenta. 

- que no sobe-desce inconstante 
  da gangorra dos desejos. 

- do contato intimo de um com um outro, 

- do mesmo ao mesmo 

- a um outro 

- e a outro ainda. 

- que se rocem, se esfreguem, 

- que arda ... que coce 

- que se entregue em arte. 

- mesmo que erre, que urre, que grite, 

mesmo que gema, suspire, goze... 

- para que então, no que vem, ao que vai 

- que vingue, e ao que vige ... 

- no que rola por estas vaga 

- no que rege ... no que ruge 

- ao que toca, ao que vem, 
  ao que cai e vai ... 

- vai ... siga em arte: 

- manifeste-se em arte. 

- mesmo que em m’arte.  

- seja no alto, no baixo, 

- dum lado, num outro

- entre - vem ... pode entrar ... 

- de um lado, de um outro 

- ou em outro lugar qualquer. 

__________________________________

- minh’Arte... 

( ... ) 

- su’Arte… 

( ... ) 

- a roçar... 

( ... ) 

- a roç’ar-me... 

( ... ) 

- a Roç’Arte... 
 
( ... ) 

Nenhum comentário:

Postar um comentário